8 de junho de 2011

Superioridade Racial: Uma Análise Discursiva

Este artigo está dividido em partes para ser melhor compreendido. Esta é a parte número UM de cinco partes. Para ver os outros capítulos, seleccione:


Confronto Racial

Uma Análise Discursiva




Palavras-chave: discurso racial; análise; ideologia; hegemonia.

Resumo: Por meio do discurso, é possível dar-se a conhecer a ideologia de um determinado grupo. Através da análise discursiva, o presente trabalho pretende demonstrar os pontos hegemónicos característicos dos discursos dos grupos que lutam pela causa da supremacia racial.



O discurso, como expressão da ideologia de um determinado grupo, é um exercício de retórica que poderá ter as suas intenções, motivações, etc., reveladas (mesmo que, às vezes, de forma dissimulada) ao seu público-alvo. A intenção principal do discurso é a de convencer o receptor a tomar uma decisão, intencionalmente ou não.

Na análise de um discurso a intertextualidade faz-se necessária. Partindo deste pressuposto, o presente trabalho irá abordar a perspectiva da superioridade racial segundo duas doutrinas diametralmente distintas: a filosofia do “Novo Espiritualista Africano”, que preconiza a superioridade da raça negra e a filosofia apresentada até antes de 1978 pela Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias(1), posteriormente chamada de Igreja Mórmom no texto que classificava o negro como uma raça inferior. 

Com discursos bem elaborados, todas essas crenças fazem uso da mesma fonte – a Bíblia – para justificarem conceitos totalmente opostos e desta forma transmitirem as suas ideologias, para, assim, atraírem/manterem os seus adeptos. 

O discurso é comunicação e a comunicação é a tentativa de fazer-se compreender, mas também é, em grande medida, a tentativa de convencer o outro. É nessa perspectiva – a de convencer o receptor – que os textos serão analisados.


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(1)É verdade que o discurso da Igreja de Mórmom se ajustou aos tempos actuais, principalmente após 1978 quando declarou que pessoas de descendência africana, que fossem dignas, poderiam receber o sacerdócio, assim como a iniciação secreta e outros privilégios que sempre lhes haviam sido negados. Mórmons fiéis declararam que essa mudança era devido a uma revelação divina. Em Agosto do mesmo ano, no entanto, o apóstolo Mórmon LeGrand Richards admitiu que a verdadeira razão para esta reviravolta na política da Igreja era o "problema do Brasil". Ele disse que a proibição do sacerdócio às pessoas de raça negra era quase impossível num país tão diverso racialmente, e que a maioria dos lideres Mórmons temia que as pessoas que se sacrificaram tanto para a construção do novo e caríssimo templo em São Paulo não poderiam receber permissão para usá-lo, em Martinez, Prof. João Flávio, O Mormonismo e a Raça Negra, disponível na Internet via http://www.cacp.org.br/mormonismo/ Capturado em 20 de Setembro de 2005

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