24 de Maio de 2012

O futuro da beleza crioula está garantido

Hoje estive no Liceu Ludjero Lima e posso garantir-vos isto: se não outros, pelo menos o futuro da beleza crioula está garantido. 

Liceu Ludjero Lima forma crioulas inteligentes e lindas há muito tempo

Estudei há muito tempo neste liceu, ainda nos longínquos anos de 1993-94 (para verem como já estou idoso) e já naquele tempo aquilo mais parecia o desfile de algum concurso de boniteza com tanta gente linda – incluindo a minha pessoa, claro. 

Depois tive que sair dali porque tinha uns colegas que eram verdadeiras más influências que faziam diabruras e eu levava com as faltas disciplinares e dias de casa. Sempre fui o mais bem comportado e acho estranho como é que alguns antigos colegas ficam surpreendidos por eu não me ter tornado bandido ou ainda estar em liberdade. Ainda não entendo porque minha alcunha no liceu era “Animal” tendo em conta que eu era um santinho. 

Fiz muitas amizades e traquinices por aqui

Agora minha antiga escola que nasceu em 1967 prepara-se para fazer 45 anos e nunca mudou as portas e janelas apesar de neste momento ter um projecto de renovação que só para mudar as janelas precisa de cerca de cinco mil contos. O nível de conservação do edifício demonstra que quem projectou e executou a obra fez um grande trabalho e a sua preservação evidencia cuidado e carinho por um dos mais emblemáticos locais de Mindelo e que foi escola de grandes personalidades da nossa terra. 

Dono do Clube Náutico do Mindelo procura-se

Quem quer o Clube Náutico do Mindelo? Pode parecer uma pergunta estranha mas a verdade é que esse Clube, situado no centro da cidade, não está sob tutela de nenhum Ministério e, por isso, quem o ocupa não paga renda a ninguém. Um caso que carece de urgente intervenção do Estado numa altura em que o Centro Histórico foi elevado a Património Nacional.

Quem quer o Clube Náutico do Mindelo?
O edifício do Clube Náutico do Mindelo (em São Vicente) parece ser um património de ninguém. Explorado como bar por um privado e local de treino da Associação de Capoeira Liberdade de Expressão, este edifício encontra-se envolto numa nuvem de indeterminação quanto à entidade responsável pela sua propriedade e gestão. Como não tem ninguém a quem pagar renda, os responsáveis do bar afirmam que depositam o dinheiro numa "conta fechada e privada" até ao dia em que o Estado decidir quem deve cobrar o arrendamento.


MC DE MÃOS ATADAS

Situado ao lado do Centro Cultural do Mindelo (CCM), este edifício já foi pretendido por vários agentes culturais para desenvolver suas actividades mas sempre esbarraram nestes entraves. A coordenadora do CCM, Josina Fortes, afirma que este património não está sob a alçada do Ministério da Cultura e que por isso "não pode fazer nada" neste caso.

Isto numa altura em que o Centro Histórico, ou Morada, foi recentemente classificado como Património Nacional através da lei de Base do Património Cultural (lei 102/III/90 de 29 de Dezembro). Este estatuto, que "obriga o Estado a preservar e valorizar o património cultural e a Autarquia a cuidar desse legado na sua área de jurisdição", ainda não foi posto em prática no Clube Náutico por causa do seu historial de sucessivos contratos de arrendamentos irregulares por parte de privados.

Uma situação de conflito de interesses que pode terminar na Justiça, caso o Estado resolva expropriar os inquilinos se alegar tentativa de salvaguardar o interesse da colectividade. Por exemplo, no caso do Ribeira Grande de Santiago onde havia um contrato de concessão definido procedeu-se à tomada de todo o circuito turístico da Cidade Velha a favor do Estado para se trabalhar novo contrato.


"FORA DA ALÇADA DA CMSV"

O facto é que a Câmara Municipal de São Vicente (CMSV), através da sua Divisão de Gestão Patrimonial, escuda-se declarando que o imóvel não é da sua alçada. Ainda que, com esta classificação de Património Nacional, o Clube Náutico "não possa ser demolido, alterado ou modificado sem a autorização da CMSV e decisão favorável do Instituto da Investigação e do Património Cultural (IIPC)". Mesmo assim, a edilidade afirma que não pode agir nesta matéria mesmo estando este legado na jurisdição da sua área. "Uma das propostas seria declarar o edifício como património municipal e reabilitá-lo para outros fins que não os actuais", avança fonte do A NAÇÃO.


PATRIMÓNIO DO ESTADO "DESCONHECE" O CASO

Por seu lado, a Direcção Geral do Património do Estado desconhece os moldes de utilização deste património. O chefe da Repartição de Finanças em São Vicente, Pedro Emiliano Barros, prefere não avançar com muitos dados por "desconhecer" o negócio por detrás mas diz que "vai inteirar-se do assunto" para saber que medidas tomar.


À ESPERA DE INVENTÁRIO

Já Hamilton Jair Fernandes, director da Salvaguarda do Património, afirma que "não tem este dossiê" no Instituto de Investigação e do Património (IIPC) neste momento e "nem sabemos quem é o titular" do Clube Náutico do Mindelo. "Estamos a preparar um inventário para saber o que pertence a cada Ministério para dar azo aos tais projectos culturais", afirma Fernandes, reconhecendo inclusive que este não é o único caso na ilha de São Vicente de edifícios de Estado com valor patrimonial e sobre a qual há uma indefinição quanto à sua gestão.

Hamilton Jair Fernandes admite que não sabem
quem é o titular do Clube Náutico de Mindelo
No início deste mês de Maio, o IIPC reuniu-se com a CMSV para analisar as propostas arquitectónicas apresentadas pelos privados e públicos que serão construídas dentro da área considerada Património Nacional, mas também trabalhar o tempo do inventário. "A CMSV tem todo o interesse sobretudo agora que foi aprovado o Plano Director Municipal que poderá criar novos figurinos de gestão municipal", explica Fernandes, para quem no caso do Clube Náutico a CMSV "deve ter um papel preponderante".

"Queremos avançar com o Inventário Geral do Património antes de 16 de Junho, para evitar as eleições autárquicas, e assim que tivermos todos os dados iremos definir o uso e gestão destes espaços", anuncia o director da Salvaguarda do Património. Enquanto isso, o Clube Náutico do Mindelo continua sem tutela.


22 de Maio de 2012

Achômetro Nº14 - Facebook deve-me dinheiro

Quero minha parte deste dinheiro
Desde que vi a notícia de que os criadores do Facebook ganharam milhões de dólares com a venda das acções da empresa que sinto-me um idiota ao acessar o site da rede social. Isto porque desde que fiz a minha conta no maldito Facebook que tenho colocado lá mais coisas do que Mark (já sabem, o criador do site) e nem por isso vi sequer um tostão deste dinheiro. 

O Facebook não passa de uma página normal, sem nada de especial e o pior de tudo é que o Mark criou aquilo e enganou-nos de tal forma que estamos todos a trabalhar para ele. O gajo deve ser o maior empregador de mão-de-obra idiota não remunerada de todos os tempos. 

Cada um dos comentários, “gostos”, fotos e vídeos engraçados que vasculhamos na net para colocar lá é uma forma de atrair novos operários para a linha de montagem do face. Quanto mais coisas colocas, mais “amigos” podes ter, mais gente adere ao site e mais dinheiro os gajos fazem. 

E agora, só para mostrar a minha revolta vou colocar este texto lá no Facebook.

21 de Maio de 2012

Eu acredito no Grande Nada

Hoje quero falar daquilo que acredito. Todos querem definir um Deus como um homem ou uma força qualquer. Esse Deus é sempre algo, existe de uma forma finita: tanto dentro dos limites de um corpo como no infinito de uma força transcendental, conforme a filosofia escolhida. 

Mas, será que é possível este Deus ser um Grande Nada, que é a única forma que concebo para definir o infinito? Mas quando falo do “Grande Nada” não me assumo como ateu, antes pelo contrário. Reconheço que existe este ser superior só que na forma do nada. Não será o Nada uma forma de imortalidade? Não saber nada, não sentir nada nem aspirar coisa nenhuma. Imortalidade na sua forma real, entendendo “real” como algo que não existe. 

Sempre estivemos em contacto com o Grande Nada. Disto é prova que quando nascemos não trazemos qualquer lembrança porque nossa vida começa do Nada. Choramos ao nascer por afastarmos do nosso Deus Nada. E quando morremos não levamos coisa alguma porque nosso corpo e os bens que adquirimos durante esta passagem terrena não conseguem transformar-se em nada; sempre serão alguma outra coisa, nem que seja pó. Somente nossa “alma” tem esta possibilidade de transformar-se em Nada e tornar-se imortal a partir do tempo em que cair no esquecimento, porque até o pensamento tem a capacidade de fazer as coisas existirem. Enquanto houver lembrança de ti não poderás tornar-te Nada. 

Enquanto estamos vivos uma das formas de estar em contacto com o Grande Nada é quando dormimos e acordamos sem nenhum sonho nos ocorrer. Fechar os olhos e de manhã levantar sem nenhuma recordação é uma forma de prestar culto ao Grande Nada. Sempre que sonhamos (mesmo que seja o melhor dos sonhos) é uma forma do Tudo desviar-nos do nosso Deus Nada. Sempre que conseguimos dar forma, falar ou sentir durante o sono é porque não estamos em comunhão. 

Na essência, o Nada é maior que o Tudo.

20 de Maio de 2012

Que futuro para este blog?

Numa altura em que o blog daivarela: um crioulo n’descontra completa as 200 mil visualizações, é tempo de algumas considerações: 

daivarela em dúvida...
- tendo em conta que aqui publico material da minha autoria posso considerar-me um autor e se as visualizações são os meus leitores, logo sou um dos autores caboverdeanos mais lidos da actualidade. Não digo que este é o blog mais lido, mas sim que como autor de conteúdo original, sou dos mais lidos. Vivemos novos tempos e se há escritores de páginas imprensas em livros com leitores a folhearem seus escritos, hoje estamos a usar novas plataformas para expressar. As páginas transformaram-se em mais de 500 posts e o livro num blog. Já não é preciso uma editora para lançar meus trabalhos, tenho o blogger. Já não preciso de uma empresa de marketing para divulgar meus escritos; tenho o facebook e email. Mas ainda preciso de leitores daquilo que publico pelo que aproveito para os agradecer. 

Neste momento estou a repensar o blog. Aquilo que nasceu para colocar meus devaneios artísticos, depois transformou-se no meu portfólio dos meus primeiros trabalhos no jornalismo, depois tornou-se opinativo e algo cáustico para agora parecer mais com um jornal online. 

Cada transformação acarretou novos elementos. Perdi alguns leitores que gostavam de ler meus contos e poesias, ganhei leitores que gostavam de ler minha opinião depois ganhei leitores que queriam saber das novidades de São Vicente. Com este formato mais informativo perdi nos comentários e na interacção. 

Mas nesta altura em que exerço o jornalismo a todo vapor, o blog coloca-me certas questões que obriga-me a questionar a sua própria existência. Será que devo continuar? Ou então repensar o seu uso?

16 de Maio de 2012

Aluizio mostra "Episodio desh rua" de Mindelo

Aluizio Barros durante as filmagens
Estamos perante um vídeo forte que fala de uma das realidades de Mindelo, esta sociedade constituída por várias micro-sociedades. Quem pensa que Mindelo é só paródia, alegria, gente desocupada, jovens lindas, morabeza, crimes ou qualquer estereotipo isolado demonstra que não conhece esta cidade. Mindelo é tudo isso juntado e um pouco mais: de bom e de menos bom. 

E é como Aluízio “Poeta d’Rua” Barros fala nesta música: um episódio. Isto porque não é fácil conseguir misturar e conhecer as várias micro-sociedades desta cidade abençoada: desde a terceira idade e pessoas obesas ou não que levantam-se de manhã cedo para tratarem-se nas águas da praia da Laginha, passando pelos estudantes a caminho da escola, ao trabalhador que chega em casa e abre a televisão até cair no sono, aos que tem possibilidade de jantar em restaurantes, aos que saem de casa a partir da uma da madrugada a procura de sexo e assalto e as que não conheço. 

Pessoalmente conheço poucas pessoas que conseguem navegar com grande à-vontade entre estas várias micro-sociedades mindelense. Pessoas que são convidados para jantares com políticos com a mesma alegria que são recebidas entre os jovens integrantes de gangs. 





Talvez alguém diga que este vídeo (que até tem uma boa produção) dá uma visão violenta desta cidade e que as coisas não são bem assim. Talvez… mas com já disse, este é um episódio e nele não ouvi mentira. 

Grande vídeo, que conta com a participação de Expavi e Benk, para promover o lançamento do álbum de estreia de Aluizio Barros, “Realidade Contemporânea” que brevemente estará a circular para quem gosta. 

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