14 de julho de 2008

Um Crioulo n’Descontra [Capítulo 3]

Continuando com o nosso Festival da Juventude que durou um mês, fomos fazer uma campanha de recolha de alimentos para ajudar os mais necessitados, foi aí que vi como a grande maioria das gentes de São Vicente é egoísta, mal-educada e que estão pouco se importando com a pobreza e necessidades dos outros. Passei horas a tentar que pessoas que aparentavam bom poder económico se dispusessem a oferecer um quilo de arroz por menos de 40 escudos ou algo parecido. Quanta insensibilidade deste povo da morabeza.

Mas nem tudo foi trabalho, havia também descontracção. Por exemplo, depois de limpar Laginha ficava-mos a jogar na praia e a nadar. Foi aí que recebi este convite duma mulher piquena, de pele clara e sempre de sorriso nos lábios: “Dai, bô crê no bai t’má bonhe ne aga quente?”. Não era preciso insistir mais do que uma vez. Afastamo-nos dos outros como quem vai procurar conchas – apesar de as conchas terem desaparecido há muito tempo de Laginha, vá se saber porquê – e nos deitámos naquela água morna e extremamente salinada.

Estava de maré-cheia e as vagas subiam até lá em cima. Com as ondas a nos revultiar, nossos corpos se remexiam e minhas mãos mexiam em tudo. Houve alguma resistência inicial (de praxe, para que o homem não pense que a mulher é tão fácil assim), mas depois ficamos mais à vontade. Muito mais à vontade. Mesmo muito. Já estão a entender, né?

Com as minhas mãos suaves e macias (publicidade à parte, mas foram precisos muitos anos a fazer coisa alguma e muito Nívea Body de chinês para as ter assim), percorria seu corpo, parando nos pontos estratégicos, observando prazer nos seus olhos (vermelhos da água cheia de sal) e na sua respiração (é preciso experiência para notar, mesmo que seja dos filmes pornô) e foi essa mesma experiência que me levou a estalar-lhe uma palmada no rabo (nenhuma alusão à inocente vaca). Pam! Em cheio. Seu corpo reagiu com uma demonstração de prazer e senti-me “o homem”. Nesse instante toda a sua resistência desceu com as ondas para o mar.

Mas, meus olhos já não aguentavam tanto sal e tivemos que terminar a brincadeira por aí. Separamo-nos e fomos ter com os outros. Por ter ficado um pouco afastada pensei que não íamos terminar aquilo que tínhamos começado. Mas na hora de irmos para casa, ela aproximou-se e perguntou se não havia almoço em minha casa. Bunzim li, bunzim lá.
Convidei-a para entrar e fomos para o meu quarto…

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