14 de julho de 2008

Um Crioulo n’Descontra [Capítulo 4]

… e lá estávamos nós no meu quarto sentados na cama, com as polpas todas molhadas – devo admitir que eu não estava gostando muito de deixar húmido o meu colchão (porra, que palavrão, ainda bem que tenho o Word, pois não tava a me lembrar como se escrevia esse palavrão). Perdeu-se o clima. Ela foi-se embora. Ainda bem, já imaginou como estariam aquelas entranhas cheias de areia?

Segui com a minha vida. Dias depois estava sentado numa lanchonete, sozinho, quando chegou uma senhora acompanhada por linda garota. Fizeram o pedido e viraram-se à procura duma mesa vaga. Não tinha. Convidei-as para sentarem comigo e elas se apresentaram. Era uma tia do Sal com sua sobrinha de Santo Antão. A tia era já uma cota bem vivida, das que gostam de dizer coisas com duplo (dúbio) sentido, mas a sobrinha, essa era muito da boa. Começámos a falar e percebi que a tia gostava de acompanhar o que dizia com as mãos. Enquanto falava, passava a mão pela minha perna enquanto eu roçava minha perna pelas pernas da sobrinha. Deram-me liberdades.

A tia me disse que tinha um namorado parecido comigo e que vinha de vez em quando do Sal para conferir o material e que gostava da juventude. Virou-se para mim e disse “mas você não gosta de mulheres mais velhas, não é?”, ao que eu pensei “e eu lá tenho gosto!”. Enquanto falava, passei a mão pela perna da sobrinha. Uma troca de olhares amigável... É de família!

Continuamos a falar e a minha mão ora na pizza ora nas pernas. A tia quis se encontrar comigo mais tarde. Aceitei. Apesar das mãos pelas pernas a sobrinha não se mostrava disponível, por isso foi com a tia mesmo. Ela me deu o seu número de móvel e marcamos a hora. Ela iria de autocarro e nos encontraríamos na praça de Cruz.

Enquanto esperava por ela passou por mim uma crioula que eu tinha conhecido a pouco no Centro de Juventude. Parou para falar comigo e não sei como já estávamos a descer para a casa dum amigo meu de que eu tinha a chave. Não pude avisar a tia porque eu não tinha móvel.

Estávamos deitados na cama a conversar. É a melhor posição para uma conversa. Não sei porquê, mas quando falo as minhas mãos gostam muito de se mexerem – sozinhas. O ambiente aqueceu. Ela disse que não queria e levantou-se porque ia embora. Pensei na tia e me lembrei do ditado “mas vale um pássaro na mão, do que dois a voar”. Mas ela ficou à frente do espelho sem pressa de se ir embora por isso levantei-me e abracei-a por trás. Falei-lhe junto ao pescoço. Ela semicerrou os olhos. Percebi que enquanto lhe falasse ao pé do ouvido podia percorreu todo – mesmo todo – o seu corpo. A “moral” levantou-se e numa voz profunda ela disse-me “dai, bó ê mogre ma bó tem um cosa goss…”.

“Sabes…”
- disse-lhe, - “… logo da primeira vez que te vi achei-te gostosa”, ao que ela me respondeu “pois eu, da primeira vez que te vi achei que eras pend’ler”. Aí a “moral” foi para raio que o parta. Não deu mais nada. De noite lá estava eu sozinho no quarto a pensar. Como era mesmo aquele ditado? “Mais vale qualquer coisa na mão…” dei play e fui ver um filme porno…

Ode à Flápau (14/02)

Tantas horas passadas
Quase sempre sentadas
Um desejo contido
Que num ápice é passado
Num tempo que dura um gemido
Um depois sofrido

Um olho no este
Numa mão o coração
O que perturba é uma peste
E a cabeça na outra… mão
Imagens projectados do leste
Aceleram a fricção

O abandono total
O mel branco triunfante
A satisfação parcial
Calmo como o elefante
Rápido como o chacal

O estado de negação
O dever da reacção
Creme, saliva, azeite ou sabão
Porque de todos pode cuidar o papel
De presente só te posso oferecer um anel
Minha querida mão


6 comentários:

Medary disse...

Gostei desse historia e do moral tb . 

Rui Filipe disse...

C*g*ei-me de tanto rir... É verdadeiramente impressionante como consegues mostrar o ridículo que há em ti, para todos e ainda assim seguir, literalmente,... na descontra... Boa,também não estava a espera desse final...

Rui Filipe disse...

Nunca uma Punheta foi tão poética...

dai varela disse...

Rui Filipe, a primeira nem reparei que isto era um elogio, hehehheheehh
Força lá

Rui Filipe disse...

É um elogio sim, pois consegues fazer algo que poucos conseguem, que é contar aquilo que de menos bom te acontece, de uma forma cómica e descontraída. quando digo ridículo, não me refiro a tua pessoa senão a forma como ridicularizas as situações caricatas que te acontecem e as expões para que todos as vejam e possam também rir com isso. É uma qualidade que acredito ser excepcional e se já te admirava pelo teu trabalho, também começo a admirar a pessoa que está por detrás do texto pois vejo que são a mesma pessoa. Não me Parece que a obra seja uma máscara do autor. Um abraço.

dai varela disse...

Agora sim, Rui Filipe, agora fiquei sem jeito porque sou mau mas sou tímido também. muito agradecido pelos elogios e espero não lhe decepcionar com meus textos.
Desde já agradeço-lhe por visitar meu blog e que continues porque é muito bom :D (hora de intxadura...)
Abraço

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