7 de fevereiro de 2013

Resultados da Caracterização da Blogosfera Cabo-Verdiana


NOTA: Este texto faz parte da minha Monografia “Problemas Associados à Credibilidade do Jornalista/Blogueiro: estudo exploratório do blogue ‘Kriol Rádio’”, apresentada na Universidade Lusófona de Cabo Verde (01/01/2013).

Estes são os resultados do questionário. Para ver o enquadramento do mesmo click aqui






IV.2.1. Género

O estudo prova que o fenómeno dos blogues foi assumido pelos jornalistas quase de igual forma: a divisão entre géneros mostra que as mulheres sentem-se ligeiramente mais atraídas por esta ferramenta com 53.3 porcento (%) enquanto os homens ficam com 46,7%.


IV.2.3. Faixa etária

Os jornalistas/blogueiros estão, grosso modo, divididos em dois grandes grupos: entre 23 anos e 30 anos estão seis profissionais – representando 40,0% da amostra – e entre os 31 anos e 40 anos estão sete indivíduos (46,7%). Os dados são melhores compreendidos na tabela abaixo:

Figura 5: distribuição das percentagens dos inquiridos por idade


IV.2.4. Área de acção predominante nos media

Os jornalistas/blogueiros cabo-verdianos são profissionais que actuam predominantemente na rádio, com cinco indivíduos (33,3%), seguidos do online com quatro (26,7%), e no fim estão o impresso e a televisão, ambos com três indivíduos (20%) cada.


IV.2.5. Tempo de criação do blogue

Apesar de recente, o fenómeno dos blogues criados pelos jornalistas cabo-verdianos aconteceu há mais de dois anos como mostram os nove blogues (60,0%) que foram criados dentro deste período. Segue-se os quatro (26,7%) criados há um ano e por fim os dois (13,3%) criados há dois anos.


IV.2.6. Primeiro contacto com os blogues

A maioria dos inquiridos deu-se conta do fenómeno dos blogues através de alguém, como demonstram os sete respondentes (46,7%) e de seguida foram cinco (33,3%) que tiveram o primeiro contacto através da pesquisa na Internet. Artigo ou programa dos media foi referido por dois indivíduos (13,3%) e houve um (6,7%) que se apercebeu desta ferramenta através de correio electrónico.


IV.2.7. Categoria dos blogues

Oito jornalistas inquiridos afirmam terem criado o blogue simplesmente como um espaço pessoal (53,3% das respostas). Mas, outros encaram seus blogues como uma extensão das suas actividades jornalísticas. É por isso que três inquiridos (20,0%) responderam que inserem o blogue na categoria de jornalismo. Por fim um inquirido (6,7%) afirma que seu blogue é de cultura e outro respondente (6,7%) diz que o usa para o ensino.


IV.2.8. Frequência de actualização

O estudo demonstra que a maioria dos inquiridos (53,3%) já não actualiza os seus blogues e que 40,0% actualiza-o uma vez por semana. Só foi encontrado um único caso (6,7%) que actualiza a sua página pessoal várias vezes por semana. No quadro abaixo mostra-se o número de actualizações apontadas pelos inquiridos:

Figura 6: frequência de actualização dos blogues

  
IV.2.9. Motivo para criar o blogue

São, basicamente, dois motivos apontados pelos jornalistas cabo-verdianos para criarem um blogue: a expressão individual é o principal com 13 respondentes (86,7%) seguido de partilha de ideias, apontado por dois indivíduos (13,3%).


IV.2.10. Liberdade de expressão do jornalista nos media tradicionais

Foram onze os jornalistas/blogueiros cabo-verdianos inquiridos (73,3%), que consideram que a sua liberdade de expressão nos media tradicionais é parcial porque com controlo. Os restantes distribuíram as suas respostas em números iguais. Um respondeu que a liberdade é total, outro afirma que é parcial sem controlo e outro ainda diz que esta liberdade de expressão é nula. Cada uma destas respostas corresponde a 6,7 porcento do total.


IV.2.11. Liberdade de expressão do jornalista nos blogues

A situação muda radicalmente de figura quando se procura saber qual a liberdade do jornalista recorre a um blogue. Prova disto é que 10 (66,7%) responderam que ela é total, quatro inquiridos (26,7%) consideram que ela é parcial com controlo e um jornalista/blogueiro (6,7%) entende que ela é parcial sem controlo. Nenhum dos inquiridos considerou esta liberdade nula nos blogues.


IV.2.12. Publicação de direito de resposta no blogue

A maioria dos inquiridos (66,7%) admite a publicação do direito de resposta no seu blogue. É assim que pensam dez dos indivíduos que responderam ao questionário. Enquanto isso, quatro respondentes (26,7%) são contra esta opção e por fim um jornalista/blogueiro (6,7%) não sabe ou não responde a esta questão.



IV.2.13. Responsabilidade Criminal

Quando questionados quem deveria ser responsabilizado criminalmente por um comentário anónimo com conteúdo ilegal publicado no blogue, sete dos respondentes (46,7%) afirmam que deveria ser o autor do blogue a arcar com a responsabilidade. Mas para três inquiridos (20,0%) a responsabilidade é do autor do blogue e do autor do comentário, simultaneamente. Por fim há quatro jornalistas/blogueiros (33,4%) que não sabem ou não respondem a esta questão.


IV.2.14. Um blogue afecta negativamente a credibilidade do jornalista?

Para dez dos jornalistas/blogueiros (66,7%) um blogue não afecta negativamente a credibilidade do jornalista. Enquanto isso, quatro dos inquiridos (26,7%) consideram que afecta pouco e um respondente (6,7%) não sabe ou não responde esta questão.


IV.2.15. Um blogue afecta positivamente a credibilidade de um jornalista?

Seis dos inquiridos (40,0%) consideram que um blogue afecta positivamente a credibilidade do jornalista mas que isto acontece numa fraca proporção enquanto cinco jornalistas/blogueiros (33,3%) acreditam que isto acontece numa grande proporção. Para um dos inquiridos (6,7%), um blogue não afecta positivamente a credibilidade do jornalista e por fim, três respondentes (20,0%) não sabem ou não respondem a esta questão.



IV.2.16. O seu próprio blogue já afectou a sua credibilidade?

Na sua maioria os inquiridos acreditam que o seu blogue não os afectou na credibilidade. São oito respondentes (53,3%) que responderam que o seu blogue nunca os afectou, enquanto seis jornalistas/blogueiros (40,0%) consideram que já foram afectados positivamente pelo seu próprio blogue. Somente um inquirido (6,7%) não sabe ou não responde esta questão.


IV.3. Cruzamentos e análise dos dados do questionário

Os dados mostram que da maioria dos jornalistas estudados os que criaram seus blogues há mais tempo são também aqueles que mais abandonam esta ferramenta. Esta situação pode demonstrar que os blogues tendem a ser considerados como um modismo e que poderiam não estar a servir os intentos para que foram criados por esses profissionais.  
Nota-se que, maioritariamente, são aqueles jornalistas que consideram que o seu blogue afecta positivamente a sua credibilidade (40,0%) que já não actualizam os seus espaços virtuais (53,3%). Este é um dado surpreendente, tendo em conta que se admitiria que os jornalistas ao receberem um estímulo positivo deveriam manter o seu espaço virtual. 

Figura 7: frequência de actualização dos blogues

  
Os 40% dos jornalistas/blogueiros que mais sentiram que o seu blogue afectou, positivamente, são aqueles que têm o espaço virtual há mais de dois anos (60,0%). Este dado é revelador de que é preciso um percurso até que o blogue seja conhecido e reconhecido como um agregador de valor para a audiência.

Figura 8: tempo de criação do blogue e afectação da credibilidade


 Entretanto, são os 60,0 % dos jornalistas/blogueiros que criaram o blogue há mais de dois anos, aqueles que mais abandonam este espaço (53,3%). Este dado pode indicar o “modismo” ou uma característica passageira de utilização dos blogues. Com a popularização de novos ambientes de interacção (Facebook e Twitter) que permitem maior comunicação, os blogues poderão estar a perder adeptos e isto poderá estar relacionado com o abandono dos jornalistas/blogueiros.

Figura 9: tempo de vida do blogue e o seu nível de actualização


O estudo demonstrou que as mulheres abandonam mais os seus blogues do que os homens e que somente as jornalistas actualizam seus blogues mais do que uma vez por semana, como pode-se ver pela seguinte tabela:

Figura 10: actualização do blogue tendo em conta o sexo do blogueiro


 Outro dado que notório é o facto de os 10 blogueiros (66,7%) que considerarem a liberdade de expressão nos blogues como total, mostram uma maior tendência para parar de actualizar as suas páginas. São seguidos daqueles que consideram a liberdade de expressão como parcial com controlo, enquanto aqueles que consideram-na parcial sem controlo ainda continuam a actualizar o blogue.

Figura 11: liberdade de expressão nos blogues e sua actualização

          
Pelos dados recolhidos pode-se aferir que a blogosfera cabo-verdiana perde regularmente jornalistas/blogueiros que a partir de um certo período deixam de actualizar os seus blogues; mas, esse estudo mostrou também que há uma renovação constante com a entrada de novos actores neste espaço por causa da atracção natural dos jornalistas em expressarem as suas opiniões.


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