22 de agosto de 2010

Nascer, Sofrer e Morrer [Cap. 9]

Amanheceu. Minha angustia aumentava como os raios de sol que penetravam pelas frestas da janela como punhais afiados dilacerando meus olhos, trazendo-me à realidade nua como meu corpo – peso morto no chão duro e frio como meus pensamentos – crua como a noite mais tenebrosa da minha curta existência. Enquanto recobrava as forças para conseguir levantar o meu corpo esmagado pelo peso dos sentimentos de repúdio de mim mesma, não conseguia afastar da minha cabeça este repetitivo pensamento que um dia Ivo me disse e de que eu tinha-me rido: “entre a mentira e a verdade existe o silêncio dos maiores covardes”.


2 comentários:

leticia disse...

oh DAI essa historia me fiz chorar.

daivarela disse...

Oi leticia, fiquei comovido que minha estória conseguiu tocar-te.

A parte triste disso tudo é que a realidade é bem pior do que aqui contada e há situações mesmo degradantes para muitas meninas que sem condições para se defenderem são obrigadas a aceitar e calar.

Acredito que é preciso fazer algo para ajudá-las.

Por esses dias, numa viagem a Santo Antão, encontrei uma menina de 16 anos, grávida e sem saber se o paida criança é seu pai, seu tio, seu primo ou seu meio-irmão por parte do pai.

Quanta tristeza.

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