22 de agosto de 2010

Nascer, Sofrer e Morrer [Cap. 6]

Já passava das onze horas. Mamãe tinha adormecido à muito tempo, assim como Nunin. Não sei porquê papai regressava a casa mais cedo hoje. Qualquer coisa impedia-o de estar mais tempo na rua. Podia-se sentir que andava com muito cuidado para não fazer barulho ao bater nas coisas. Talvez estivesse mesmo tentando mudar.
Nisso senti ranger a porta do meu quarto. Mesmo estando escuro, pude perceber que era ele. Sorri um pouco. Talvez ele estivesse mesmo mudando. Havia muito tempo que ele nem se incomodava de dizer bom dia a quem quer que fosse. Era como se quisesse dar as boas noites, como antigamente. Como estava escuro, fiquei parada, fingindo dormir, mas ele entrou e fechou a porta. Fiquei imóvel seguindo-o com os olhos. Caminhou até ao outro lado da cama e parou. Não me virei logo de início. Não conseguia aperceber-me do que é que ele fazia. Fiquei intrigada, por isso rolei o corpo devagarinho na cama. Papai estava de lado para mim a tirar as calças.
Senti-me desiludida. Talvez ele não estivesse tão sóbrio assim. Parecia ter-se confundido de quarto outra vez – mamãe não gostava nem um pouco quando ele acordava no meu quarto.
- Papai, você está no meu quarto – disse-o tão inesperadamente, que ele apanhou um susto e quase caiu com a perna no ar, tentando tirar uma perna de calça.
- Não, estou no quarto de minha mulher. Agora não és tu quem cozinha, cuida de todos e até sustenta a casa? Então tu és minha mulher agora! Enquanto falava, tirou rapidamente as cuecas e saltou para cima de mim. Eu não compreendi o que ele estava fazendo. Não consegui evitá-lo. Ele parecia um louco. Tentei empurrá-lo com as poucas forças que me restavam, mas era inútil. Tentei gritar mas ele deu-me um soco na boca que fez descer uma enorme quantidade de lágrimas dos olhos. Mas gritar seria inútil também: quem me acudiria, minha mãe doente ou meu irmãozinho? Tinha que livrar-me sozinha. Eu debatia-me como uma doida, mas apesar de tudo ele era mais forte e tinha deixado cair todo o peso do seu corpo em cima de mim. Passava as mãos nos meus seios, fazendo-me arrepiar. Sentia-me sufocar, mas ele não parava, continuava passando suas mãos pelo meu corpo. Eu tinha-me encolhido e chorava pedindo-lhe para parar com esta loucura porque eu era sua filha. Mas ele só dizia, és minha mulher, és minha mulher.
Ele agora tentava abrir-me as pernas. Comecei a ficar mais aflita. Eu tentava por todos os meios, manter as pernas cruzadas, mas ele enraiveceu-se com isso e deu-me outro soco que me desnorteou. Abriu-me as pernas rapidamente e pôs-se entre elas. Por mais que me debatesse não conseguia sair dessa posição. Eu continuava chorando e implorando para parar, para parar porque era meu pai. Mas ele não queria parar. Agarrou-me as mãos e levou a outra mão à boca. Cuspiu nela e passou-o naquilo. Senti meu coração apertar. Levou a mão à boca outra vez, cuspiu de novo, mas agora passo-o entre as minhas pernas. Senti uma enorme vontade de vomitar mas não consegui. Eu continuava a implorá-lo para parar, eu só desejava um milagre para parar tudo, para que não tivesse de perder o meu bem mais precioso com o meu próprio pai. Mas nada poderia eu fazer. Ele parecia possuído por este macabro desejo de me possuir. Senti que não conseguiria resistir mais, entre soluços, implorei-lhe:
- Por favor, não. Ainda sou virgem.
- Não tu és minha mulher, e de uma só vez senti minhas entranhas rasgarem-se, ardendo como brasa. Não consegui nem mesmo gritar. Meu corpo tremia, tremia ainda mais quando eu abria os olhos e via confirmada que era meu próprio pai que estava em cima de mi. Mas ele continuava, cada vez mais rápido e com mais violência. Eu só chorava. Nem debater mais eu conseguia de tanto era a dor, o nojo de mim, do meu corpo, dele. Ele começou a mexer-se mais rápido, contorcendo-se todo sobre mim. Gemia como um cachorro doente, percorrendo meu corpo com a sua mão grossa de lixa, esfregando meus seios, metendo os dedos na minha boca, e eu só chorava. Não sei porquê mas ele começou a gemer mais alto e a mexer-se mais rápido sobre mim. Eu nem queria acreditar que aquilo era meu próprio pai. Era como se fosse um pesadelo em que eu desejava acordar e não conseguia. Ele gemia mais alto ainda, mas eu só chorava. De repente o quarto iluminou-se. A porta estava aberta e Nunin estava ali parado no meio da porta, de frente para a cama esfregando os olhos fechados:
- Dôdô?


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