23 de março de 2014

Há pessoas que precisam sair de Cabo Verde; João Branco é uma delas


João Branco
O espectáculo encenado por João Branco, “Quotidiamo – esta não é uma história de amor”, que vi este sábado (22) encheu-me de sensações fortes. Apesar de no início não ter conseguido acompanhar a narrativa da autoria de Rui Zink, José Mena Abrantes, Abraão Vicente e Ivam Cabral porque por vezes houve momento “non-sense”, o desenrolar da estória mostrou uma progressão ascendente dos actores que culminou num clímax espectacular.


Cenas do "Quotidiamo - esta não é uma história de amor". Foto: Helder Doca 

O pequeno público do auditório da Mediateca (Mindelo) deu palmas no final e quedou-se por infindáveis momentos nesta 50ª produção teatral do Grupo de Teatro do Centro Cultural Português do Mindelo. Talvez cada um reflectia sua estória, transpostas para fora de si através das personagens. O certo é que ficamos lá parados até que o João Branco disse “já acabou, gente” e nos despertou da introspecção.

Cenas do "Quotidiamo - esta não é uma história de amor". Foto: Helder Doca 

Mas também não era para menos. A sala pequena e o quase contacto com os actores, misturado com a carga dramática de Renato Lopes e Janaína Alves terá deixado a todos com uma mistura de vontades, desejos, medos e uma chamada de atenção ao espírito. 


Cenas do "Quotidiamo - esta não é uma história de amor". Foto: Helder Doca 

Se não era uma história de amor, talvez seja mais um motivo para cada um criar sua estória a partir do percurso das personagens que se revezavam no poder, domínio e quase amor. Desta forma cada um dos espectadores podia assumir o controlo ou deixar-se submeter, conforme a tara escondida da sociedade.

Cenas do "Quotidiamo - esta não é uma história de amor". Foto: Helder Doca 

A música conseguiu bom acasalamento com o desenrolar da trama mas a opção pela projecção do vídeo teve um efeito muito bom.

Mais um trabalho enorme de João Branco que pegou um texto feito por quatro escritores e moldou o barro para nos presentear com a obra de arte. É por isso que concordo quando dizem que ele precisa levar sua “mão-de-obra” lá fora também. Se há pessoas que precisam sair de Cabo Verde para mostrar o que de muito bom se faz por aqui, João Branco é uma delas. Vai e leva estes talentos das artes cénicas que abundam por aqui que nós saberemos lhe agradecer (espero).

FICHA ARTÍSTICA 

Texto original de: Rui Zink (Portugal) | José Mena Abrantes (Angola) | Abraão Vicente (Cabo Verde) | Ivam Cabral (Brasil) 
Encenação e Direção Artística: João Branco
Interpretação: Janaina Alves Lopes Renato
Música Original: Rui Rebelo
Iluminação e Vídeo: Paulo Cunha
Produção Executiva: Penélope de Melo
Produção: Centro Cultural Português - Pólo do Mindelo 

Duração: 60 minutos 
Para maiores de 16 anos 


PS: Deves ter aberto o artigo a pensar “Daivarela devé estod na guerra ma Jon Bronk” hahaahah
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2 comentários:

zito azevedo disse...

Porque será que o Dr. Lobo embirra com este homem de tanto merecimento?

Anónimo disse...

Temos jornalista!!!

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