14 de setembro de 2013

Porquê Cabo Verde teve o que merecia


Este é um texto da jornalista Firdose Moonda, correspondente em África da ESPNcricinfo e ESPNFC e publicado aqui.

Fiz uma tradução livre por considerar o artigo interessante e importante. 

Fernando Varela foi o jogador utilizado que originou toda a polémica

"Porquê Cabo Verde teve o que merecia

Compaixão é dispensada muitas vezes mais facilmente do que raiva, e esta pode ser o sentimento que tenhamos quando os “peixinhos africanos” de Cabo Verde foram jogados fora da disputa para a Copa do Mundo de 2014. Eles eram uma história de sucesso e ver como se desmoronaram foi suficiente para evocar piedade. Mas, após uma análise mais aprofundada, as circunstâncias que levaram à sua queda em desgraça só deve resultar em irritação. 

Ponha de lado a emoção por alguns minutos. Esquece que Cabo Verde é uma pequena nação insular com uma população de pouco mais de 500 mil e que eram os “Cinderelas” do Campeonato Africano das Nações, em 2013. Ignora que Lúcio Antunes é um treinador carismático que é amigo pessoal de José Mourinho e ponha de parte os pensamentos acerca do talento promissor de Ryan Mendes, Platini e Heldon . 

Faça de conta que esta é apenas mais uma associação de futebol que tem acesso ao mesmo conjunto de informações como qualquer outro. Agora leia isto: 

Em 24 de Março de 2013, pelas eliminatórias da Copa do Mundo entre Cabo Verde e da Guiné Equatorial, o defesa Fernando Varela foi expulso por conduta antidesportiva numa partida oficial. As regras da FIFA definem na Cláusula 49.1 que quem recebe um cartão vermelho por um infracção dessa natureza será banido por, pelo menos, quatro partidas. 

Isso significava que Varela teria que perder o resto da qualificação - os três jogos que restavam e, em seguida, mais um jogo. 

Cabo Verde perdeu aquele jogo e parecia fora da disputa para o Brasil’2014 até que a CAF anulou os resultados de ambos os jogos contra a Guiné Equatorial. Os equatorianos tinham alinhado um jogador inelegível. O jogador de origem espanhola, Emilio Nsue, jogou nessas partidas e marcou um hat-trick, mas tinha sido apenas inscrito no país no início de Março. 

Os relatórios não explicam exactamente por que Nsue foi considerado indevidamente inscrito. Dado o curto espaço de tempo em que ele tinha sido associado à Guiné Equatorial, a sua representação nas camadas jovens da Espanha e a propensão do país africano para a naturalização apressada, pareciam somar para que Nsue não tivesse passado o tempo necessário em seu lar adoptivo para jogar pela Guiné Equatorial. 

O erro da Guiné Equatorial colocou Cabo Verde com uma chance . A decisão foi tomada depois que os “Tubarões Azuis” bateram a Serra Leoa por 1-0 em casa e deixou Cabo Verde precisando de uma vitória sobre a Tunísia, em Rades - um tarefa difícil, mas, como se provou, não era impossível. 

Eles deveriam ter que fazê-lo sem Varela, porque, como você se lembra, ele estava obrigado a cumprir uma suspensão de quatro jogos. No entanto, Varela entrou em campo quando Cabo Verde bateu a Tunísia por 2-0. Quando foi trazido à atenção da FIFA, eles tinham que considerar o resultado inválido, atribuir uma vitória para a Tunísia e multar Cabo Verde. 

A desculpa que chegou dos ilhéus foi que eles pensaram que a sanção de Varela tinha sido anulada porque o jogo contra a Guiné Equatorial foi anulado. Varela não tinha jogado contra Gabão ou Serra Leoa, em Junho, porque ele e a equipa técnica acreditavam que ele estava cumprindo uma suspensão. No mês seguinte, quando os resultados contra a Guiné Equatorial foram modificados, Cabo Verde considerou que o cartão vermelho de Varela também tinha sido anulado e é aí que eles entenderam tudo errado. 

A única explicação plausível para Cabo Verde pensar que Varela estava apto para jogar é que não leu as regras. A Cláusula 18.4 afirma claramente "uma expulsão acarreta automaticamente a suspensão da partida subsequente, mesmo se imposta em uma partida que depois é abandonada, anulada e/ou perdida." Isso sugere que um apelo da parte deles será sem sucesso. 

Por isso não, Cabo Verde - só porque a Guiné Equatorial cometeu o erro de não saber o que era ou não permitido, não significa que você pode fazer a mesma coisa. A suspensão de Varela permaneceu uma suspensão, e ele não deveria ter jogado. 

Porque ele jogou, Cabo Verde teve o que merecia, mesmo que todos nós queríamos que eles não sofressem as consequências. Pode deixar-nos um pouco triste, mas foi o resultado correto. E deve continuar a acontecer a outras equipes que quebram as regras também. 

Uma análise do porquê das equipes africanas continuam a cair em desgraça com a FIFA - Cabo Verde é o sétimo na qualificação à Copa do Mundo - já foi feito nestas páginas. Em alguns casos, parece possível que a falta de know-how ou apenas simples negligência podem ser responsáveis por algumas delas não terem certeza das condições de elegibilidade mais complicados. Para isso, é preciso haver educação e informação suficiente para ajudá-los. 

O inverso é que algumas equipas podem esperar sair bem ao falsificar o sistema, e alguns exemplos sugerem que é mais do que apenas descuido que leva a situações como estas. Tudo o que os dirigentes podem fazer é continuar a reprimir a ilegalidade da maneira mais dura possível e espero que sirva como um impedimento. 

Para Cabo Verde, o sonho acabou. Se eles vão ter os jogadores e a raça para tentar novamente só o futuro dirá. Até então, é melhor que eles aprendem as leis."

Sobre a autora do texto

Firdose Moonda é correspondente na África da ESPNcricinfo e ESPNFC . Ela cobriu Copas do Mundo, em ambos os desportos, bem como vários torneios multi-equipa e séries. Ela também escreve para a revista Forbes África e tem uma coluna semanal na versão Sul-Africano do jornal Times.


13 comentários:

Elsa Fonseca disse...

Pois, como é que foram capazes de acabar com o nosso sonho?

RFreire Freire disse...

pois, sima Firdose Moonda fla, falta de falta de know-how ou apenas simples negligência ......nu coba nôs coba.......

Tubarão Orson Lopes disse...

Mut triste poxa

Stephan Gomes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anónimo disse...

sim ,ha que ficar triste, mas temos que dar espaco a resposta, foi erro de acordo ao artigo 18, e 49, acaba nao sendo de acordo com o 19,enfim, sim se erramos temos que ser punidos, por inocencia ou nao. mas se nao merecemos continuar, ja provamos que nao somos cinderelas ,como mencionado, ja provamos que trabalhamos ,ha muito que batalhamos contra ,adversidades, chegar umas horas antes do jogo ,etc, so de salientar que nas vesperas do ultimo jogo de grupos em Africa, a al jazeera fez alusao a quem tinha chances de ira ao play off, e CV nem contou, pq para eles a Tunisia tinha ja tudo garantido, ..enfim, qual o caboverdiano que nao sabe a expressao contra mar e vent, entao, vamos , com erros aprendemos e crescemos ,agora vamos ver ,mas orgulhoso desse povo, nao terminamos ,estamos a comecar...

Adérito Sander Silva Tavares Adérito disse...

Uma coisa so: chamar ao meu país de "peixinhos africanos", "cinderelas" da Can ou até de "ilhéus", para mim (espero que seja erro de tradução) já é pura falta de respeito e considero esta jornalista uma falsa. Fico curioso para saber o que ela chegou a falar, quando a a selecção do seu país ficou fora da CAN de 2012 (após ter feito toda a festa da qualificação) por não terem feito bem as contas da qualificação. Bem, vendo isto, se nós não lemos bem a lei da FIFA, já os seus compatriotas mostraram ser bem ruins em matemática. haja respeito pelos outros.

Anónimo disse...

E porque é que deixaram tudo acontecer para depois castigar? Não devem analisar tudo antes do jogo acontecer? Pode a FCF ter cometido um erro, mas essas irregularidades acontecem no mundo do desporto todos os dias. E se a Tunísia tivesse ganho, deixavam o erro da nossa selecção passar em branco? não me conformo com essa situação.

Anónimo disse...

A FIFA é uma instituição não CREDIVEL

Anónimo disse...

E isso mesmo os inteligentes cabecudos se tivessem alguma duvida que pegassem no telefone chamassem a FIFA e perguntassem...mas sao "inteligentes" sabem tudo. Isso so mostra o amadorismo com que faz tudo por essas bandas. Ninguem sera responsabizado e tudo vai continuar na mesma, onde reina o amiguismo todos se pactuam...um autentico atestado de incompetencia uma vergonha.

Anónimo disse...

Se ao menos Cabo Verde perdesse no play-off, não ficava tão zangado como estou. Diria fogo tentamos mas não conseguimos. Agora estar fora por BURRICE! Isto é inaceitável!


F.P

Anónimo disse...

Sera um foi um erro mesmo. Ja tinhamos contestado antes e tinhamos tido direito aos 3 ponto logo entendemos as regras. Fico muito triste pelos jogadores por tosso esse esforço, mas tenho as minhas duvidas se foi por inocencia ou se " vendemos" a nossa participação. Mas uma vez fique muito triste pelos jogadores que empenharam bastante para chegar-mos ate onde chegados, sou uma mulher não entendo muito de futebol mas temos uma federação que ao meu ver tinha o direito de saber as regras e tinham tempo para impedi-lo pode ser que estou enganada mas para mim parece mais corrupção do que outra coisa.

Anónimo disse...

Essa jornalista deveria ter mais atenção ao conotar um povo de "peixinhos africanos" "ilhéus" “Cinderelas” porque se fosse tão conceituada como o artigo a descreve nunca, mas nunca escreveria isto.... a mim mas parece uma contadora de "estoria"de papel de saquinha.... Cinderelas, peixinhos africanos provavelmente é a sua mãe e o seu filho sua ignorante... vem dizer isto aqui no nosso país... aí verias os dentinhos dos peixinhos...

Daniel Sanches disse...

Tamanha falta de respeito apelidar nosso pais desses nomes, vindo da fifa nao me espanto com nada e tenho 100% de certeza que se fossemos derrotados essa tal erro de interpretacao nao estaria a ser discutida e sem duvida que aqui falau a lei do mais forte...enfim é a fifa

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