29 de março de 2012

[Desafio Criativo Nº1] - Ftur !?!? ... uábaaaaaaa

Condomínio Planalto do Bié, 5:32 am, 21 de Janeiro de 2084, mensagem via Telefone Mental é recebido na casa de Djôn Ban-Dêja, empregado da Câmara Municipal da Grande Praia. 

- Sim, sta fala Djôn, impregadu di Serviços Municipal di Tratamentu di Resíduos Sólidos de Mindelo
- Daqui é Humberto, eu gostaria de saber se posso puxar o autoclismo neste momento. 

- Creeeedu. Queli go de nhô e troça propi! Mas senhor... acorda-me para fazer uma pergunta destas, dizia Djon Ban-Deja na sua voz monocórdica deixando transparecer a sua mal disfarçada irritação. 

- É que... é que... repetia Humberto enquanto pensava rapidamente numa desculpa tive que ir à casa de banho, não consegui aguentar até às 8 horas. 

- Pronto, vá lá vou desbloquear o seu autoclismo a partir daqui do nosso sistema Central de Esgotos e poderá usar a sua WC à vontade. Mas que isto não volte a repetir ahhh. 

O Sr. Humberto todo feliz lá foi usar a casa de banho. Ai começou mais uma vez a lembrar e relembrar os tempos de glória de S. Vicente. Ele, um dos poucos que ainda falava criol de S.Vicente em toda a ilha era sempre alvo de chacota geral quando dizia ser bisneto de um empregado da filial da Shell Corporation. Mas quem é que ainda se lembrava disso? Somente o lunático do Ti Beto - diziam todos com ar de compaixão. 

Mas porém, sempre que ele fazia tal referência, ainda haviam alguns a lamentar esse fatídico dia 5 de Julho do ano 2028 quando foi desmantelado por completo as instalações da Shell, então já com o nome de VIVO Energy e transferidos por inteiro para Cidade de Assomada na Ilha da Santiago. 

A maior mágoa que todos ficaram foi ver o Sr. Mixibioti o então Presidente do Governo Regional de S.Vicente a elogiar a transferência da Shell para a ilha do Maio dizendo que a vocação de S.Vicente era outra. E que nos terrenos ocupados pela Shell iria nascer em pouco mais de dois meses uma Discoteca Digital. 

Discoteca Digital começa então a ser a moda que estava em voga nos grandes espaços de lazer por este mundo fora. Desde Ibiza, Albufeira, Zanziabar, Miami Lunar este era o último grito em entretenimento. 

E pois é, a partir desse dia o Sr. Mixibioti resolveu que iria devolver os grandes espaços da cidade do Mindelo à verdadeira vocação da ilha: Paródia em Banda Larga !! 

Se ele pensou, não levou uma quinzena e tinha já seu plano pronto. E plano este que de pronto teve o aplauso de todos. Todas as chamadas "forças vivas" de S.Vicente. 

E assim ele foi "enviado" tudu para Praia, Assomada, ora Assomada depois de Praia ora Praia e depois Assomada... enfim... para variar... 

E de cada vez que era desmantelado alguma indústria, alguma fábrica, alguma obra demolida, era sempre seguido de "Batucada de Home ou Amdjer" dando vivas e gritando num som perturbador: Soncent e sab, e sabe pa cagá op!!! De vez em quando Iá ia um espécime de S.Vicente para a Praia e não parava de contar as maravilhas da Ilha, e das Discotecas Digitais que estavam por todo o lado. E sempre que alguém com mais insistência queria saber mais era como se a pessoa entrasse em transe e repetia minutos a fio a frase: "S.Vicente tava sabe... sabe pa cagá..." 

Tempos houve que inspirado numa estória que Sr. Mixibioti leu sobre autos da fé ele resolveu criar um Tribunal para julgar os que se tentavam opor à Transformação de S. Vicente na ilha Maravilha. 

Passaram pouco mais de dois anos e tudo o que havia em S.Vicente que não estivesse DIRECTAMENTE ligado a novel conceito de "Sab pa cagá ao quadrado" ou "Sabura em Banda Larga", era transferido para onde fosse mais vocacionado... mas aí não ficava. 

Até que chegaram ao absurdo de tirar todo o Sistema de Esgotos da ilha e transferir para Praia, instalando um intrincado sistema que acabou por avariar. E naqueles tempos só era permitido usar a casa de banho com uma autorização emitida pelo Palácio da Várzea que depois era Certificado por uma Entidade da Câmara da Grande Praia. 

E nesse mar de lembranças Sr. Humberto terá passado mais de duas horas na casa de banho quando lembrou que deveria despachar-se senão atrasaria para o trabalho. Ele era um RESPEITÁVEL funcionário de "Plurim de Pêxe", uma das poucas estruturas que ainda existiam em S.Vicente... 


(Continua... um dia desses!) 



OBS: este texto é da autoria de Paulo dos Santos Silva e faz parte do Concurso de Escrita Criativa

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