18 de fevereiro de 2012

Que pena. Abraão Vicente vai para o Inferno!

A pretensão não é fazer uma resenha como faz o Ricardo Riso ou algo parecido. Quero sim falar da sensação transmitida ao ler os primeiros poemas do livro de poesia “e de repente a noite” de Abraão Vicente. Da sensação que tive ao “tomar teus óculos e ver o mundo na mesma distorção que tu” fica aqui o que consegui passar para palavras. 

Abraão Vicente
Já sabem como é a sequência natural: pega-se o livro, lê-se o título, observa-se a capa e contracapa e passa-se os olhos pelo índice. Pois foi lá no índice que escolhi a primeira poesia “Nota Si em cio”. Não sei porquê mas este título captou minha atenção (eu nem sou destas coisas de cio, vocês sabem). 

Agora, Abraão Vicente, devo dizer que  “Nota Si em cio”  revela um momento de onanismo puro. Para quem não sabe o que é isso trata-se daquele momento em que damos prazer a nós próprios com as nossas mãos. 

Vê-se logo que a “ausência de rumor, revelação de momento do antes e do depois” é a solidão que se exige para um momento íntimo como este. O “corpo prenhe de versos” é um corpo cheio de desejos e vontades que termina num “grito abafado” porque o prazer por vezes pode ser ruidoso (e bom… muito bom). Neste momento brindo a um belo texto e ao onanismo com um Martini Rosato até que o “lenço branco limpa de manchas” seja usado no silêncio do Si [sem] cio

Passei então para a poesia “Don Narciso” e explico porquê. Foi por altura do MindelAct 2011 que conheci o Abraão Vicente. Aproveitei para dizer-lhe que gostava do seu blog mas que achava-o narcisista porque ele não tinha nenhuma ligação a outro blog crioulo. Ele disse-me que não era bem assim, que o problema era que não sabia como fazer estas ligações na plataforma Wordpress mas que ia ver isso. Não fiquei muito convencido mas aceitei. 

e de repente a noite
“Don Narciso” revela um poeta do tempo do esquecimento parcial que por isso resolveu ser pró-activo (quiçá polémico?). Um poeta que levantou, limpou e fez-se à vida. Ainda aproveitou para erguer seu próprio busto por ter notado a inexistência de heróis neste tempo novo e desatou a escrever suas memórias. Fez uso de seu blog, dos jornais e dos livros e também do Facebook (antes de abandonar a rede) deixando muitos perguntando-se por onde andaria nesse tempo. “Don Narciso” pode ser considerada uma pequena massagem ao ego do poeta mas é uma poesia profunda e sensível. 

O terceiro texto foi lido com um misto de tristeza e alegria pois, qual não foi minha surpresa ao ver que o poeta já tem seu lugar garantido no Inferno? Foi assim que pensei ao ler “Conversas com Deus”, aquele mesmo deus que ele pretende destruir com seu riso. Aquele que ele duvida da sua existência por não se revelar perante o poeta. Será por covardia?, pergunta num dos versos cheios de revolta e qualidade literária. Com esta é que não tens salvação mesmo, Abraão Vicente. 

É caso para dizer que somos colegas no mundo da blogosfera e depois seremos vizinhos no mundo do além. Meu quarto já está reservado e é o número 999. Quando passares por lá dá fala, vizinho. Enquanto isso vou continuar a ler “e de repente a noite” com suas belas poesias… 

PS: 'brigada pela dedicatória

Veja também:
Abraão Vicente - e de repente a noite (resenha do Ricardo Riso)

5 comentários:

Vicente disse...

Qué fuerte le tiraste! Te responderá?

Criola di terra disse...

Daivarela...Daivarela...

WTF disse...

Caraaaaamba, 2 kriolu na m*ma gran di kumpanhero em pleno público aberto?! WTF?!?!?!!?!

daivarela disse...

Acho k entendi o que quiseste dizer mas acho que quem não entendeu foi você :(

Anónimo disse...

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