10 de fevereiro de 2012

Ensino Superior cabo-verdiano quer competir com outros países

O Ensino Superior (ES) cabo-verdiano deve ter mais qualidade, devendo para isso apostar também na sua sustentabilidade financeira. A ideia é através dessa “maior qualidade” levar Cabo Verde a competir com outros países em matéria de formação de quadros universitários. 

Novas formas de financiar o Ensino Superior em debate
Grosso modo, essa foi a preocupação do Encontro Nacional sobre o Ensino Superior que terminou esta quarta-feira (8) na Cidade da Praia ao fim de dois dias. O encontro resulta do levantamento dos problemas existentes no sector feito pelo Governo através de um apoio do Banco Mundial, solicitado em 2009. 

Para o Ministro do Ensino Superior, Ciências e Inovação, António Correia e Silva, este é o momento de consolidar o pensamento estratégico e operacional em relação à dinâmica do ensino superior nacional. Isso, deixa a entender aquele governante, passa pelo envolvimento da banca nacional através de “um sistema de taxas bancárias com garantia mútua para fomentar o acesso ao ensino superior”. 

Aliás, volvidos 10 anos da institucionalização do ES em Cabo Verde, há problemas que urgem resolver. Um deles, já identificado, é o desemprego dos licenciados, sendo esta uma situação considerada “preocupante” por Correia e Silva, porque, do seu ponto de vista, pode vir a comprometer a actual massificação do ensino superior. 

António Correia e Silva -
situação dos licenciados desempregados
pode colocar em causa a massificação
do Ensino Superior
Mesmo assim, o Primeiro-Ministro garante que se está a trabalhar para que os alunos cabo-verdianos possam “competir em pé de igualdade” com colegas de outros países. Por exemplo, neste momento, por cada 100 homens existem 137 mulheres integradas no ensino superior. Este aspecto é considerado por José Maria Neves como um efeito indutor na nova geração dos quadros e sobre a requalificação da família cabo-verdiana. “A escolarização da mulher a um nível superior indicia a grande mudança no paradigma da questão do género em Cabo Verde e reconfigura o campo social”, acredita. 

“Temos uma taxa de acesso ao ensino superior que ronda os 20 porcento, melhor que a da África que fica pelos 6% e superando os 17% das Ilhas Maurícias. Igualamos mesmo países com níveis de desenvolvimento superiores ao nosso como a China e a Indonésia”, aponta JMN que identifica como “crítica para o sucesso” do ES o nível de capacitação dos professores. E é por isso para eles que se viram também as apostas estratégicas para o sector. 




5 comentários:

dai varela disse...

Olá a todos. Depois de uns dias ausente por ter estado na cidade da Praia no Fórum Nacional do Ensino Superior e não conseguir ter acesso à Internet, regresso ao vosso convívio . Para já deixo um pequeno comentário:

A grande questão que se coloca ao Ensino Superior em Cabo Verde é como continuar a financiar a expansão da procura que já põem em causa a capacidade de resposta e do poder de financiamento até agora adoptado no país.

Na linha de mais qualidade do ensino superior é preciso ter provas de acesso que garantam as competências dos estudantes para acederem aos seus cursos, que terão que ser aplicadas a todas as Universidades cabo-verdianas.

Desta forma talvez consiga-se fazer uma melhor triagem dos alunos que não têm vocação para um determinado curso mas vão passando até ao fim.

O que achas disto?

Zepra disse...

Competir com o ensino superior lá fora? Como é que isso pode ser possível no estado em que isto se encontra?
Não é por termos ( e temos?!) mais condições de acesso ao ES, ou por termos índices que superam as do continente africano (!) que nós vamos nos vanguardear de estar a melhorar em termos de ensino.

Por exemplo, eu já estou farta de que nos comparem em tudo com os outros países africanos. Neste sentido até pergunto, que "franja" da realidade africana é que nós estamos a falar? É tipo estender duas camisolas velhas e sujas no varal: a primeira está demasiado encardida e pensa-se que, mediante as lavagens, se está a fazer de tudo para que o branco apareça e depois vem o consolo, que é encontrar uma camisola mais encardida ainda para estender no mesmo varal e assim disfarçar as coisas. E pronto, ficamos todos mais descansados, mais felizes (?!).

Um ensino vanguardista ou políticos vanguardistas?


Um Ensino Superior que não nos prepara de verdade para a realidade profissional; umas Universidades que abrem as portas sem as mínimas condições e o MES não faz nada; umas Universidades que, continuamente, fazem as mesmas asneiras que são abrir os mesmos cursos todos os anos (com predilecção para as áreas sociais, porque custam menos); que não fazem estudos de mercado (também, porque isso não existe em Cabo Verde. Aliás, no que toca a estudos, banco de dados, estatística nós somos praticamente ZERO)para saber o nível de procura e oferta. Depois é um amontoado de licenciados (que bonito: mais licenciados, mais desenvolvimento! nas mesmas áreas). Isto conduz a uma saturação em termo de oferta e da procura de emprego nessas áreas o que conduz, logicamente, a mais desemprego, a mais padeiros licenciados, vendedores nas lojas chinesas licenciados, mais assistentes administrativos licenciados e por ai adiante. Mas, o nosso Ensino Superior é "the best".

E depois temos o nosso brilhante sistema de ensino para piorar as coisas. Aliás, as coisas já chegam "deterioradas", porque o EBI e depois o Ensino Secundário, que são as bases dessa pirâmide "VANGUARDISTA" não funcionam como deveriam.

mrvadaz disse...

Dai,

Em 2009 o actual ministro do Ensino Superior era então Reitor da UniCV e esteve cá na Faculdade de Economia da Universidade do Porto. Disse que queria competir com estrangeiros, quando apresentou a estatística, quase tive um enfarte:

54% de docentes licenciados 4% de DOUTORES!! Não é preciso dizer mais nada!

Bitim disse...

Eu acho perfeitamente normal pensar num ES para competir com estrangeiros. Afinal vivemos num mundo cada vez mais globalizado, ainda mais com essa problemática do desemprego, de certeza que haverá necessidade de saídas profissionais para outros países. Mas para que o nosso ES possa competir com outros países é preciso antes de mais ter qualidade, o que na verdade está fazendo muita falta nas nossas universidades.

Porém, um aspecto importante que devemos clarificar quando se fala em ES, é não conectar o desemprego directamente com as universidades. Na minha opinião o desemprego é um problema estrutural e abrangente de ordem da economia do país num todo. Se hoje há licenciados no desemprego, não significa directamente que o ES vai mal, mas isto pode ser entendido como um sinal de competitividade e aumento da taxa de alfabetização, o que é positivo.

Universidades são acima de tudo instituições de ciência e cultura. A missão essencial de uma universidade pressupõe-se (como a própria palavra traduz) que o aluno seja formado de forma universal. Isto é, independentemente se vais tirar um curso de engenharia, economia, jornalismo, o aluno universitario tem que ter uma base de cultura geral, historia, filosofia, ética, moral, politica, entre outras areas que são importantissimos na formação humana e cívica do aluno.

Agora os cursos técnicos profissionalizantes, estes sim são programados para combater o desemprego de acordo com a especialidade pretendida.

Eu não compreendo porque tanto alarme sobre licenciados no desemprego!? Se repararmos bem na Europa ou America os desempregados são na sua maioria pessoas com formação superior, e mais pior do isso há quadros superiores que normalmente trabalham nos chamados serviços gerais, o que para o caboverdiano seria impensável.

Zepra disse...

Aceito sem problemas as opiniões das outras pessoas,o que não aceito é que interpretem mal aquilo que eu escrevo, neste caso, aquilo escrevi com tanta clareza. É a minha constatação, uma realidade inegável p mim. As pessoas sabem disso. Pena a maioria se coibir diante de microfones.

Não Bitim, não estou a " conectar o desemprego directamente com as universidades" da forma como o dizes. Não me refiro ao desemprego em geral. Refiro-me aos LICENCIADOS DESEMPREGADOS. E não falo apenas das Universidades. Falo do MES, do Governo.
E não estou a falar dos outros países, trata-se do meu país. Não se trata de "alaridos", trata-se de factos reais.
Como é possível que, em meio a tantos problemas, por que passa o ES, só se lembraram(!)de referir esses aspectos...

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