1 de novembro de 2011

Aventuras da Aninha [Capítulo 1]

Ouvi o telefone a tocar novamente e tive que me levantar. Apesar de passar pouco das nove de uma manhã de terça-feira, eu já havia atendido a três chamadas: 

- Aninha, já está? - ouvi perguntar ansiosamente do outro lado da linha. 

- Bom-dia para você também, tia Lita. 

- Sim, sim! Bom-dia. Agora, diga-me, já está? Já nasceu? 

- Ainda não. Pelo menos ainda não me avisaram. - Despedi-me da tia Lita e fiquei indecisa entre voltar a deitar ou deixar-me estar junto ao telefone. 

Pus-me a imaginar que estaria alguém levantando o auscultador e a discar o número de telefone da nossa casa um por um. Conseguia sentir as vibrações a percorrerem a linha telefónica, poste por poste até chegar ao nosso telefone. Contei três, dois, um, zero, agora! Nada? 


Levantei-me para ir ao frigorífico e nisso a campainha da porta tocou. Era o rapaz falador que tira a conta de luz! Acho que meus poderes estão um pouco enferrujados. Sorri de mim mesma. Talvez se enchesse a barriga os meus poderes voltariam. De barriga cheia é-se mais poderosa. Sentei-me à frente da televisão, de telecomando na mão a praticar o meu desporto favorito: mudar de canal. Não que eu tenha montes de canais à minha disposição, bem entendido. Mas mesmo assim é divertido e às vezes até consigo formar frases engraçadas como: “…o Primeiro-ministro afirmou que…”, “…é um macho dominador que chega por trás…”, “…e mete a bola entre as pernas…”. Muito, muito engraçado. 

Ponho-me a rir dando mais uma dentada na maçã e colocando os pés na mesa. Sento-me sempre assim quando meus pais não estão em casa e hoje estou mesmo à vontade. É que eles foram de madrugada ao hospital porque rasgou-se a bolsa d’água da mamã. E é só por isso que não fui para a escola, tou na maior relax

Vou ganhar uma irmãzinha, sim, vai ser uma menina. Eles decidiram que fosse surpresa, mas eu com os meus poderes já havia descoberto há muito de que se tratava de uma menina. 

- Desculpem por lhes tirar o gostinho da surpresa, mas é uma menina! – é verdade que se riram e não acreditaram, mas sabem como é, quem ri por último…


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