1 de setembro de 2011

Inocêncio: O que correu mal em São Vicente?

Todos os candidatos às Presidenciais de 2011 têm ligação com São Vicente, mas Manuel Inocêncio Sousa (MIS) tem mais por ser “nascido e criado”, como gostam de dizer os ,mindelenses de sete costados. Mesmo assim, perdeu feio. Alguma coisa correu mal…
Manuel Inocêncio Sousa


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Além dos atributos acima apontados, MIS tinha ainda um outro trunfo, o de ter representado São Vicente como deputado da Nação desde 1991, fora o facto de nos últimos 10 anos ter sido sempre o braço direito de José Maria Neves. O certo é que diferentemente de Aristides Lima que na primeira volta esmagou a concorrência na Boa Vista, MIS não conseguiu igualar a proeza e foi derrotado no seu próprio chão natal mesmo depois de lembrar a todos que é “menine de sãocent”.

Jorge Carlos Fonseca (JCF) é, como todos sabemos, o novo Presidente da República de Cabo Verde. Lutou muito nesta campanha, especialmente em São Vicente onde na primeira volta não conseguiu ganhar a MIS. Mas bastaram-lhe duas semanas para reverter o quadro, convencendo os “sãovicentinos” que ele “representava a estabilidade” e por isso merecia seu voto. Um trabalho bem feito que veio provar que a máquina do MpD “está bem, obrigado” na ilha e que por isso venham os novos embates.

A HISTÓRIA DO LOBO MAU

Depois de identificar Aristides Lima como o alvo a abater para passar à segunda volta, MIS teve pouco tempo para desmontar uma bela história contada por JCF e seus apoiantes. Nesta narrativa, MIS aparecia como um “pau-mandado” de José Maria Neves e que ele como Presidente seria somente uma extensão do Governo, liderado por um “ditador” que queria impor seu candidato contra a maioria e colocar todos os ovos no mesmo cesto.

Como bónus, MIS ainda representava o papel do ministro das Infra-estruturas que, alegadamente, pouco ou nada fez por sua ilha, concentrando os recursos na ilha de Santiago, eterna rival dos mindelenses. Desta forma, quinze dias viriam revelar-se insuficientes para desmontar a história com bons atractivos para um eleitorado eternamente descontente com o poder central, por isso muito influenciável a esse tipo de argumento. De tal modo que, em duas semanas MIS passou de filho querido a filho ingrato.

INDICAÇÃO DE VOTO A CONTRAGOSTO

Neste xadrez é bem provável que os apoiantes de MIS tenham pensado que os 21,6%
MIS não conseguiu ganhar na sua ilha
(porcento) mobilizados por Aristides Lima em São Vicente iriam, automaticamente, voltar-se para o candidato apoiado pelo PAICV, à semelhança de Filesberto Vieira, Júlio Correia e Sidónio Monteiro, que, muito a contragosto, diga-se, sem qualquer ponta de entusiasmo, lá cumpriram a obrigação de indicar o voto no seu “camarada” Inocêncio. Se sim, muito mal fizeram, pois JCF deu a volta ao texto, conquistando na segunda volta o voto de 13509 eleitores (54,72%) contra os 11178 (45,28%) de MIS em São Vicente.

Muitos elementos da equipa de Inocêncio na ilha alegam que não podem ainda fazer uma leitura “a quente” do que se passou mas alguns apontam a “ingratidão” do povo de São Vicente e fazem comparação com a Boa Vista. “Aristides Lima foi acarinhado pela sua ilha e conseguiu uma extraordinária vitória de 74,2% na primeira volta. Enquanto isso, nós em São Vicente que nos achamos intelectualmente e culturalmente superiores temos dificuldades em votar numa pessoa da nossa ilha”, lamenta um dos elementos da equipa de campanha de MIS.


FACTOR UCID

Outro pormenor que terá pesado na derrota de MIS é o facto do presidente da UCID, António Monteiro, ter declarado apoio a JCF depois que o seu candidato AL ter ficado na primeira volta. A UCID, que tinha conseguido cerca de dez mil votos nas últimas Legislativas (de 6 de Janeiro), desde o inicio da campanha tinha declarado que o apoio a MIS estava fora de questão. Deu liberdade de voto aos seus militantes mas Monteiro foi logo avisando que iria votar JCF. Terá tido pouco ou muita influência?

Como foi dito por uma das nossas fontes, ainda a leitura está “a quente” para se ter uma resposta. Mas a verdade é que São Vicente mudou o sentido de voto em duas semanas e nem o domingo chuvoso que ajudou na abstenção de 45,6% pode explicar a rejeição a MIS. Resta esperar pela “análise serena” e que esta talvez mostre onde a estratégia de MIS errou na sua ilha natal em favor do seu adversário.


CERTEZA

Uma coisa é certa: tão cedo os mindelenses não vão ver um outro filho seu, “nascido e criado”, à beira de se instalar no Palácio do Platô.

Podem, se quiser, contentar-se com o seu outro filho, Jorge Carlos Fonseca, cujas raízes estão mais fincadas em Santiago. Para o gáudio dos mindelenses, pode ser que isso lhes sirva de consolo.

Ou, talvez, achem que isso é o que menos importa na hora de escolher o Presidente da República, já que “nós tud é criol”.



Publicada (também) no Jornal A NAÇÃO N.º 208




8 comentários:

Dario Livramento disse...

Então quer dizer que os são vicentinos teriam obrigatoriamente de votar no MIS só, e só, porque é nascido e criado em São Vicente e não todas as vezes que temos oportunidade de eleger um "filho" da ilha??
Política não é futebol ou preferências bairristas que estás aqui a querer, de forma subtil, dizer pá..... Estes gajos que elegemos vão trabalhar para nós e com esse intuito temos de contratar/eleger o melhor para o cargo.... Quero ver se numa empresa tua irias contractar um sao-vicentino em prol de um maior capacitado santiaguense ou foguense ou seja lá o raio que for..... Não sejas hipócrita rapaz.... Vai aprender meu caro, mantenha a cabeça aberta porque ninguém sabe tudo na vida.... Se continuares com esta arrogância que vens demonstrando (não apenas nesse blog) não tardas nada vais ser mais um Waldemar Pires nesta terra.... e acho que ambos concordamos que não precisamos de mais um medíocre como ele...

daivarela disse...

Oi Dario Livramento, tud dret?
Pelas tuas palavras pouco delicadas posso depreender o seguinte:
1) você acompanha meu blog e por isso agradeço;
2) você fala como se nós nos conhecemos. Tendo em conta que não conheço este nome, deduzo que "Dario Livramento" é inventado para poderes dar vazão a quaquer coisa entalada no pescoço. Seja mais corajoso e dê a cara, amig@.

Agora, para minha empresa quero o melhor sem importar de onde ele vem. O que não reparaste é que o texto reflecte a voz popular que foi contactada antes da sua elaboração e o facto de ser "filho da ilha" foi uma das coisas mais apontadas, tanto para o bem como para o mal.
Acredita... tento sempre aprender e se meus textos não reflectem uma pessoa de mente aberta, a culpa é toda minha.
'brigada pela visita e volte sempre

zito azevedo disse...

Inocencio: o que correu mal em S, Vicente?
Sobre este particular talvez não seja despiciendo relembrar aquela velha frase da Antiguidade Romana: "À mulher de César não basta ser honesta, tem que parecer!"

Anónimo disse...

Xenófobo.****** António Nunes Praia Capital.

daivarela disse...

Oi António Nunes, aqui vai uma pequena lição:

Xenofobia: [1] é o medo irracional, aversão ou a profunda antipatia em relação aos estrangeiros,[2] a desconfiança em relação a pessoas estranhas ao meio daquele que as julga ou que vêm de fora do seu país.

abraço

Amílcar Tavares disse...

Acho uma tontice votar num candidato presidencial tendo como motivo o facto dele ser "nascido e criado" num determinado local. Em minha opinião os únicos requisitos válidos são: competência, seriedade e honestidade.

daivarela disse...

Oi Amílcar Tavares
nem imaginas os requisitos que a população enumera para votar ou deixar de votar num candidato.
É que há cada coisa...
Esse só reflectiu uma fracção daquilo que as pessoas alegam para simpatizarem ou não com um candidato.
Abraço.

C.MR.86 disse...

ACHO QUE OS NOSSOS ELEITORES JÁ ESTÃO UM POUCO AMADURECIDOS, PORQUE QUEREM ELEGER UM CHEFE DE ESTADO QUE ARBITRE A NOSSA NAÇÃO COM FRANQUEZA E JUSTIÇA OU SEJA NÃO QUEREM UMA "EXTENÇÃO DO GOVERNO.

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