19 de agosto de 2011

BAIA DAS GATAS: Música, política e muitos atrasos

E lá se foi mais um Festival da Baia das Gatas deixando para trás a sensação de “mais do mesmo”, regredindo de qualidade relativamente a anos anteriores. Alvo de polémica desde o anúncio dos artistas confirmados onde muitos consideraram de “muito fraco” o leque de cantores que iria actuar, o XXVII Festival pecou também nos atrasos de mais de duas horas com que brindou o público em todos os dias do espectáculo. Alcione e Vlú foram os lideres destes três longos dias de shows. Pelo meio ficou o rasto da política, não estivéssemos nós em plena campanha Presidencial. 

Alcione na Baia das Gatas
Grandes actuações de músicos consagrados e jovens talentos no palco da Baia mas muita coisa parece ter ficado para a última da hora, e a confirmar isto foram os problemas técnicos com o sistema de som e a transmissão do espectáculo nas telas gigantes colocados na praia. Esses problemas foram reconhecidos pelo organizador do evento, Humberto Lélis: “Tivemos problemas técnicos neste primeiro dia mas a partir de hoje prometemos que os ecrãs estarão a funcionar. Também tivemos a informação dos técnicos de som que iríamos alcançar uma potência de som superior a 1000 Watts mas o que constatamos é que ainda não conseguiram atingir esta meta”, avançava ainda na sexta-feira o também Vereador da Cultura da Câmara Municipal de São Vicente que esperava conseguir resolver os problemas antes do início da música no sábado. Com o problema de som e ecrã resolvidos, ficaram os atrasos que provocaram a debandada de milhares de pessoas para Mindelo muito antes da actuação de Beto Dias que encerrou o certame. Antes, pode-se dizer, o momento alto ficara por conta da brasileira Alcione, que não escondeu a emoção de regressar a Cabo Verde depois de 25 anos. O público foi ao rubro quando começou a interpretar “Ess país”, do falecido Manuel d’Novas e quando Diva subiu ao palco para cantar com “Marron”. 

De realçar ainda que depois do Vereador da Cultura ter dito na sexta-feira, 12, que já estava tudo para a transmissão televisiva em directo pela TiVER, a mesma não se veio a registar. Ou seja, a TiVER deu o espectáculo em diferido, um dia depois de cada noite de show e com péssima qualidade de som e imagem. 



OS NÚMEROS DA POLÍCIA 

Não foram só os candidatos à Presidente da República que provocaram burburinho com a sua passagem pela praia da Baia das Gatas. Os 240 agentes da Policia Nacional (PN) tiveram muito trabalho para manterem a ordem num Festival que movimenta dezenas de milhares de pessoas. Já no cair da noite de domingo, dois grupos rivais entraram em confronto no meio da multidão criando algum pânico mas “a Polícia respondeu de imediato e conseguiu neutralizar o conflito e procedeu a detenção dos 23 implicados e estes foram apresentados ao Ministério Público (MP)”, afirma o Comandante da PN, Tito Barros. Ainda na madrugada de domingo, um segurança da Câmara Municipal de serviço na tenda electrónica “Backstage” improvisada para funcionar como discoteca agrediu à facada dois indivíduos. Um dos agredidos, um jovem de nome Anderson teve mesmo que parar na sala de operações do Hospital Baptista de Sousa mas já se encontra fora de perigo. O agressor foi detido em flagrante de delito e apresentado ao MP. No domínio de trânsito o destaque vai para uma colisão entre duas viaturas no dia 15 na zona de Pedra Rolada que resultou no ferimento de 17 ocupantes, quatro dos quais com alguma gravidade. 



O que pensa o público?



Voginha 

Voginha
Eu como músico sinto que esse Festival deixa muito a desejar. Primeiro é o atraso que se verifica desde o check-sound que não é feito à horas e que tem reflexo no inicio das actuações. Deveríamos ter um Festival de qualidade superior a esse que vivenciamos pois este teve muitas carências, desde organização, programação e escolha de grupos. É importante repensá-lo e acredito que é urgente retirar o Festival das mãos dos políticos e ser dirigido por pessoas que conhecem esse campo musical para dá-lo outro rumo. Se ficar nas mãos da Câmara Municipal ele não terá muito futuro. 




Titina 

Titina
De tudo o que vi gostei porque acho que a organização foi boa. Para mim é motivo de contentamento a escolha de homenagear o povo de São Vicente porque esta é minha terra. Claro que é possível fazer mais alguma coisa para melhorar, mas se não tiver mais que isso está bom assim.










Publicada (também) no Jornal A NAÇÃO Nº 207


E você, o que pensa do Festival da Baía das Gatas 2011?



2 comentários:

Felicia Ramos disse...

Like this.

Anónimo disse...

pouca música típica cabo verdiana
que pena!

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