29 de janeiro de 2011

Em Conversa com: Flávio 'Pitbull' Fernandes (Produtor áudio - Rádio Morabeza)


O que pensa da situação cultural de São Vicente em 2010?

Flávio Fernandes
Há falta de incentivos. O mecenato é feito em São Vicente é por padrinhagem. Por mais boa intenção que tiveres, eles não apoiam pela boa ideia mas pelos padrinhos que tenho ou não. Sem padrinhos não há apoios. O Carnaval que se quer vender como produto turístico infelizmente é muito principiante em termos de organização. Por exemplo, se criares um grupo carnavalesco tens que correr a procura de apoios para conseguir colocar o grupo na rua desfilando. Aparece, então, alguém com uma boa máquina de filmar, grava o desfile e não paga os direitos de imagem depois grava tudo em DVD e vende enquanto os grupos não ganham nada com isso. Também, a Televisão de Cabo Verde faz a cobertura do Carnaval e faz a sua transmissão, atraindo anunciantes e mais uma vez os grupos não lucram nada com isso. Por isso é muito complicado pensar-se em cultura com esse nível de amadorismo que temos presentemente. 


Espera um 2011 com novidades?

Em 2011 teremos mais do mesmo a nível cultural. Este será um ano eleitoral e nessa altura não esperamos muita coisa. Mas a esperança é que seja um ano positivo para agitar as coisas, se não continuaremos sempre estagnados. Vivemos numa ilha da mesmice. São Vicente são as mesmas pessoas, nos mesmos locais, nas mesmas actividades. São sempre as mesmas pessoas promovendo as mesmas coisas. 

Não espero muita coisa para este ano novo porque o povo de São Vicente é acomodado. Não há ninguém com capacidade de inovar. As pessoas falam em futuro em São Vicente mas o que se vê são pessoas a espera do Março Mês do Teatro, do Carnaval, das Festas Juninhas, do festival de Baía das gatas e do MindelAct. Depois do MindelAct já não há nada, é como se o ano cultural encerra-se depois desse festival, já não acontece mais nada. Hoje quase que não temos nenhum grupo de teatro em Mindelo e é uma pena. Temos que ser conscientes e admitir essa realidade. Há um grupo a dinamizar o teatro que é o Grupo do Centro Cultural Português que todo o ano faz formação de novos actores. Mas se repararmos, isso é incipiente pois ao longo dos quase vinte cursos ministrados não temos um grupo que tenha conseguido vincar.



Publicada (também) no Artiletra - Jornal-Revista de Educação, Ciência e Cultura de Dezembro/Janeiro de 2011 - Nº 108


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