17 de janeiro de 2011

Artista visual César Scofield mostra Utopia em Mindelo

César Schofield Cardoso define-se como um artista visual amador. Começou a trabalhar com fotografias desde 1992 mas o grande incentivo para mostrar o seu trabalho aconteceu após vencer um concurso fotográfico, em 2005, no Centro Cultural Francês na Praia. Aproveitei para conversar com o artista que procura questionar o seu tempo com um trabalho de intervenção nos campos da política, sociedade e cidade.

César Schofield Cardoso
Neste momento estás a expor UTOPIA em São Vicente, és de cá mas não tens nenhum trabalho sobre a ilha. Porquê?

Mindelo é algo engraçado porque sou daqui mas não vivo cá há muito tempo. Tenho procurado arranjar algum gancho para começar a trabalhar com São Vicente que é a minha ilha e que quero muito. Mas desconheço esta ilha. Passa-se alguma coisa que não consigo perceber. Existe aqui uma depressão que é sensível. Ela acontece mais a nível mental mas que depois irá repercutir nas pessoas, interesses e atividades.
São Vicente está uma realidade que ainda não consegui entrar e não quero entrar de uma forma cliché. Quero perceber o que realmente mudou antes de começar a trabalhar. Mas sim, tenho muita vontade de conhecer o paralelo de São Vicente daquela imagem que faço dela na cidade da Praia. Mas confesso que não estou a conseguir perceber esta nova realidade.



Mindelo… temos Cultura?

Sim. Cultura temos em toda parte. Pelo simples fato de sermos uma civilização, temos cultura. Existe cultura em São Vicente como na Praia ou em qualquer outra parte. Agora, o que acho é se existe um assumir de uma nova cultura. Se há um acompanhamento de o que é a cultura agora em Mindelo. Parece-me, posso estar errado, é que em São Vicente vivemos uma reminiscência do passado, de uma época e que não queremos largar mão. E não queremos reconhecer que em São Vicente está acontecendo outras coisas, que há outros pontos de interesse, outra geração. Que é uma cidade que se expandiu. Parece-me que isso está bem escondido e que precisamos fazer algum movimento para ir buscá-lo e aceitá-lo.



UTOPIA – A Liberdade É Como O Vento, Voa – é uma instalação audiovisual que agora apresentas no Mindelo. Como surgiu o convite?

Esse trabalho, UTOPIA, que começou desde 2009 foi um convite que partiu por causa da Independência Nacional. Quando fui convidado quis fugir um pouco daquilo que é mostrado normalmente sobre Independência: luta, heróis. Eu quis explorar outra visão. O antes e o depois da Independência. Por isso que há imagens mais de origem, natureza e religião mas também existe imagens de Hip-Hop que é uma linguagem que escolhi trabalhar na atualidade. São imagens que recolhi e também imagens de arquivos como as da luta na Guiné-Bissau que são do arquivo da Fundação Amílcar Cabral.
UTOPIA estará em exibição de 14 a 21 de Janeiro no M_EIA . Mindelo (Ex-Liceu Jorge Barbosa) e conta com o apoio do Centro Cultural Português do Mindelo e Centro Cultural do Mindelo.


Considera-se um artista de intervenção?

Acho que seria muita pretensão da minha parte considerar-me um artista de intervenção. Embora deva reconhecer que o meu trabalho tem sido percebido pelas pessoas como isso. Ou seja, as reações das pessoas é de que estou fazendo intervenção. Mas esse não é minha motivação. O meu mote é questionar a cultura, imagens e sonoridades do meu tempo. A minha motivação principal é questionar o meu tempo. Devo reconhecer que da maneira que venho-o fazendo, estou fazendo-o para mim mas vou dizendo às pessoas para prestarem atenção também. Nesse sentido pode ser considerado intervenção, sim.



Que projetos futuros?

Até agora tem sido um percurso sem parar. Em 2006 comecei um projeto que tem sido o meu grande projeto até agora. É sobre a cidade, a arte urbana e arte contemporânea na nossa realidade. São temas em que tenho trabalhado muito. Interesso-me pela politica, sociedade e cidade e esse tem sido o meu trabalho até hoje.
Estou com vontade de fazer trabalho em dois lugares diferentes. São Vicente e Sal. Sal é uma ilha que conhecia muito mal mas que depois de me aproximar um pouco pude ver que afinal é uma ilha onde existe uma vida e uma sociedade que está completamente escondida por esta capa de turismo. É isso que quero mostrar: aquilo que está escondido. Estou interessado em fazer este trabalho.

Para acompanhar os trabalhos de César Schofield Cardoso, viste: www.bianda.blogspot.com


Publicada (também) no jornal NhaTerra Online

2 comentários:

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