22 de agosto de 2010

Nascer, Sofrer e Morrer [Cap. 2]

Sentei-me na rua, em cima de uma pedra a fazer de banco. Mesmo à minha frente os meninos daqui da zona jogavam matas. Pareciam não estar a chegar a um entendimento sobre quem tinha a bolinha mais perto do buraco. O mais alto, um pretinho com uns enormes dentes amarelos e pés suados cheios de terra parecia querer levar vantagem pela força. Toda a discussão poderia ser resumida à muitas obscenidades e algumas palavras.
Virei-me devagarinho e meu coração deu um pulo tão grande que quase entupiu-me a respiração. Ele acabava de atravessar a esquina da loja de nhã Bela. Logo agora que estou desarrumada. O meu coração batia desalmadamente. Quando viu-me abrandou a marcha e sorrindo continuou na minha direcção. Achegou-se perto de mim e fingindo-se zangado, disse:
– Agora é assim, né? Já não queres ver-me mais? Fiquei observando-o sem responder, a admirar seus ombros largos, seu corpo atlético, seus olhos negros, negros...
– Já nem me respondes!? O que foi que te fiz? Agora falava com muita tristeza.
– Não, nada não – respondi-lhe – eu só estava a… deixa prá lá. Levantei-me lentamente e fiquei de frente para ele e olhando-o nos olhos, sorri. Estava uma tarde solarenga. Havia poucas nuvens no céu e não corria nenhum ar fresco. Sentia-me com mais calor ao pé dele.
– Então, meu filósofo querido, sempre a escrever?
– Triste, eu não sabia que tinha diminuído tanto na tua consideração. Já não gostas dos meus poemas?
– Não, não. Nada disso. Tu és meu filosofe e poeta mais querido.
– Ah bom! Assim melhorou. Que é que fazes agora?


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