10 de agosto de 2010

Cárcere em Mente [Cap. 7]

Capítulo 7: [Cão que muito ladra…]

Até que essa sopa está boa! Mas com essa fome que estou qualquer coisa saberia bem. Achei melhor sentar-me e comer a sopa que o velho tinha preparado mas não gosto de comer sozinha. Sempre tive companhia para as refeições, tinha a do meu pai antes dele morrer e depois a do meu amor quando me mudei para o seu apartamento num prédio cheio de vizinhança simpática. Por isso resolvi convidar o velho barbudo para comer comigo. Como é que ele se chamava mesmo? Não importa, mais um pouco de sopa, perguntei-lhe. Acho que não queria mais, pois mantinha-se com dificuldade na cadeira com a cabeça pendida para trás escorrendo postas de sangue sobre os vómitos que tinham se espalhado pelo chão sem me responder. Que mal-educado! Sim, é malcriado mas faz uma boa sopa.
Terminada a refeição resolvi inspeccionar a casa melhor. A divisão onde eu estava tinha uma caminha de ferro enferrujada com alguma tinta a descascar encostada à parede com um minúsculo colchão imundo que devia ter pedras no interior, tamanha era a dor que me havia causado às costas. Junto a cama, uma mala enorme de madeira que deveria conter todas as riquezas desse velho miserável. Encostada na parede junto a janela estava um bidão de plástico que deveria conter água. Uma pequena mesa já quase toda tomada pelos carunchos sobre a qual estava um candeeiro de petróleo, dois pratos de esmalte, dois colheres e uma enorme faca. Eu estava sentada na cadeira de pernas de metal e assento de madeira e o velho estava sentado na outra com descanso para as costas. Na parede estava pregada uma imagem de Jesus crucificado que parecia ter sido arrancada de um calendário antigo. Levantei-me e fui para a outra divisão da casa.
Era um quartinho ainda mais minúsculo de que o outro que era utilizado para cozinhar. Tinha as paredes completamente enegrecidas e cheias de fuligem. No chão, três pedras dispostas de forma a suportarem a panela com uma pequena grade de ferro em cima onde ainda se podia ver umas pequenas brasas vivas no meio das cinzas. Encostado à outra parede estava um amontoamento de lenhas das acácias a espera de serem utilizadas. Ali não havia comida que eu pudesse fazer um farnel e levar comigo. Somente restos de couves e cascas de batatas que estavam sobre dois blocos com um plástico a fazer de mesa. Pelo menos eu já tinha descansado e comido e o pé não me doía tanto como antes. Eu precisava continuar se queria escapar. Abri a porta para enfrentar esse mato de acácias quando de repente um cão enorme salta em direcção ao meu pescoço...

Capítulo 6 ... Capítulo 8

1 comentários:

Criola di terra disse...

Vou respeitar o teu desejo, fiz um copy paste dos teus contos para o meu computador, mas não te preocupes que eu não tenho a ausadia de mudar nada e nem de esconder o autor, porque este autor precisa de ser divulgado. Apesar de muitas pessoas já conhecerem o teu trabalho ainda muitos outros deveriam conhecer pela tua forma simples mas audáz de escrever. Se eu tivesse possibilidade patrocinaria o seu livro, mas como sou 'crebród nem Djosa' torço para que alguém o faça. Continuação de boas inspirações e boa escrita. Amo bué este blog. Amo bué as coisas que escreves e amo bué a forma como a escreves.

Enviar um comentário

 
Design by Wordpress Theme | Bloggerized by Free Blogger Templates | coupon codes