10 de agosto de 2010

Associações de Estudantes e as Universidades

Que estratégia adoptar para fazer com que um universitário tome consciência do seu próprio poder? Talvez pegá-lo pelos ombros e sacudi-lo? Talvez promover um discurso inflamado? Ou, talvez, apelar ao sentimentalismo? Acho que a melhor estratégia seria dar-lhe um safanão enquanto é-lhe feito uma dissertação sobre poesia.

Se vida de um universitário é estressante e cansativo, vida de universitário-trabalhador não tem comparação. Só assim se justifica a quase apatia dos universitários em questões que um simples finca-pé resolveria. É contraditório que aquele que mais se esforça para pagar seus estudos, seja aquele que menos se manifesta quando seus direitos parecem estar a serem lesados.

Conversas de corredor tem os efeitos que nós já conhecemos: efeito nulo. Povo de espírito passivo (há quem lhe chama de outra coisa), o crioulo aceita os mandos e desmandos sempre resmungando baixinho (ou transferindo a violência para dentro de casa). Mas revoltar-se, exigir a uma só voz? Disso a História não reza muitos casos. A princípio esperneia um pouco para rapidamente se resignar sob o facto consumado.

O universitário faz parte duma comunidade que demonstra necessitar de liderança. Mas quem se candidata a liderar um grupo que chega à noite depois de um dia cansativo sem energia nem vontade de reivindicar? Sem uma força credível e forte duma Associação de Estudantes a dar cara e corpo às reivindicações, quem avançar para liderar poderá logo ser tachado de trivid. Pior do que ser rotulado de trivid é não ter o apoio daqueles por quem se dá a voz.

Toda e qualquer instituição universitária deverá ter uma Associação de Estudante. Faz parte da credibilidade da própria Universidade. Uma Universidade deve ser um centro de conhecimentos, aonde se formam os futuros quadros de um país. Se os universitários não conseguem se organizar para se representarem, como esperar que farão um melhor trabalho quando estiverem à frente dos destinos do país?


Esperemos que a grande vaga de Universidades existentes no país consiga fazer nascer um espírito mais combativo nos jovens estudantes. Para além de outras qualidades, o universitário é (deve ser) reivindicativo. Lutar para a melhoria das condições dos estudantes é lutar para a melhoria das condições da própria Universidade. Por isso uma Associação de Estudantes deverá ser vista como parceira na elevação da qualidade (em todos os sentidos) das Universidades.


Publicada no Jornal NhaTerra Online

2 comentários:

Fredson da Luz (Balaov) disse...

A.E.U.
Associação de Estudantes em Cabo Verde! Alunos Cabo-verdianos não têm essa cultura, não sabem o que realmente significa uma "Associação de Estudantes". Pela nossa natureza, de um povo exigente,somente quando há conveniência, as associações deveriam funcionar como um órgão reivindicativo, um órgão com poder para ajudar a tomar certas decisões para o bom funcionamento da causa universitária, e ser ele o primeiro defensor dos direitos dos alunos, porque a primeira finalidade de uma associação de estudante é essa mesma, defender os alunos, exigir melhores condições, participar das reuniões dos conselhos pedagógicos das escolas, é marcar posição, porque afinal não há universidades sem alunos, e vice-versa. Mas o que é que se pode exigir a uma Associação de Estudantes universitários de Cabo Verde? que se vá debater em pé de igualdade com a direcção das escolas? que se vá armar-se em esperto e contradizer as leis, o regulamento interno das escolas, que muito se sabe são idealizados não a pensar nos alunos mas sim nas escolas? De facto, isso deveria ser o papel de uma associação de alunos, mas sabemos que quando se exige muito somos calados e ameaçados pelos directores e pelos professores, aí vem o que já foi referido acima o tal chamamento de "trivit" aos alunos. Isso acontece porque geralmente as pessoas que estão a frente das universidades não estão preparadas para a causa universitária, não sabem dar vida a sua voz, não sabem a força que uma associção de estudantes tem dentro de uma universidade, e acontece também pelo facto de sermos passivos perante as instâncias superiores das universidades, entende-se os reitores, os directores. Passividade esta que não se vê nos corredores, onde as pessoas que compõe as associações de estudante demonstram uma grande arrogância, que por muitas vezes afastam os alunos destas mesmas associações que foram elegidas por eles. Mas também há que se admitir que na maioria das vezes as ditas Associações de Estudantes, só reúnem com os alunos na altura de falar de festas, de actividades de angariação de fundos, mas para saberem das dificuldades que passam os alunos nas escolas, para receberem opiniões e propostas a serem apresentadas aos Reitores ou Presidentes das universidades isso geralmente não acontece, infelizmente é o que temos!!!
Fredson da Luz, Licenciado em Estudos Inglêses, Universidade de Cabo Verde

Danielson da Luz disse...

Um dos maiores problemas vividos pelas associações de estudantes, e talvez por outras, prende-se ao facto de todos demostrarem vontade de trabalhar, mas ninguem quer colocar maõs a obra.
Outro problema é que todos os alunos esperam que a associação faça alguma coisa por elas, mas ninguem faz nada para a associação.
Todos tem um opinião a dar, mas ninguem quer assumir o seu papel, muitos são aqueles que têm reivindicações mas poucos são aqueles que dão a cara na defesa dos interesses comuns.
No meu dia-a-dia de lider associativo universitario sou confrontado com uma apatia generalizada dos alunos, que mais não querem do que entrar nas salas e sair das aulas e irem para casa, esquecendo que estão a serem preparados para serem futuros profissionais (pelo menos a ideia é essa).
Muitos são aqueles que nos corredores me perguntam: O que a associação tem feito em defesa dos interesses dos alunos? E sempre eu respondo com a mesma pergunta: O que é que os alunos tem feito para dar corpo a associação.
No meu entender, todos os alunos estão preocupados com o desempenho da associação, mas sempre se esqueçam que a associação só existe, e existirá, se os alunos juntos tiverem a coragem para trabalharem em prol de um bem comum.
Danielson da luz, Presidente da Associação de Estudantes do ISCEE - Mindelo

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