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| Ninjas - Embrião da Brigada Anti-Crime BAC |
Depois de seis meses de actuação dos polícias “Ninjas” e mais de oito mil e 886 suspeitos abordados e revistados na via pública, as noites do Mindelo (em São Vicente) parecem bem mais calmas. Para comprovar isso acompanhei o embrião da Brigada Anti-Crime (BAC) na ilha do Porto Grande em mais uma operação para manter a ordem e a tranquilidade.
Para sair nas actividades operacionais, a segurança de todos é uma questão levada a sério . Até mesmo o repórter é obrigado a usar colete à prova de balas porque, durante as operações, já foram apreendidas armas de fogo e armas brancas. Nalguns casos até já foi preciso disparar rajadas de metralhadora para o ar para intimidar os bandidos.
“Chegámos a este extremo porque estávamos a ser atacados com pedras e garrafas na zona de Cova (Monte Sossego), onde está identificada uma gang”, diz o Subcomissário da PN, Roberto Fernandes, o único membro do grupo autorizado a mostrar a cara.
Este avança ainda que os tais disparos aconteceram logo nos primeiros tempos com a intenção de amedrontar os meliantes mas que agora quase que não encontram gente armada na rua. “Infelizmente para os delinquentes, não nos ensinaram a temer mas sim a enfrentar o perigo”, diz Fernandes, orgulhoso dos resultados conseguidos pelos Ninjas, forma como a população passou a conhecer os elementos da BAC.
PRESERVAR A IDENTIDADE COM MÁSCARAS
Equipados com bastões que colocam nas costas atrás dos coletes e máscaras para protegerem as suas identidades, os “Ninjas” nunca começam suas actividades sem antes darem seu grito de guerra. Ao contrário dos seus colegas da BAC na capital, a esses elementos não é permitido revelarem que fazem parte desta Unidade.
O Subcomissário justifica que São Vicente é um meio pequeno e é preciso proteger os polícias e seus familiares, evitando qualquer possível tentativa de intimidação. “Se tivessem adoptado esta estratégia na Praia talvez a BAC teria conseguido melhores resultados pois o ser humano teme tudo aquilo que desconhece”, diz Fernandes que reconhece que a intenção era colocar a máscara apenas no início mas como está dando bons resultados vão mantê-lo por mais algum tempo.
O “CÃO NINJA” AJUDA NAS OPERAÇÕES
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Cão Ninja ajuda na apreensão de cerca de 135 pequenas porções de estupefacientes (marijuana, cocaína, pedra de craque e haxixe) |
A táctica de actuação dos “Ninjas” é eficaz: identifica as zonas consideradas “pontos negros” por serem focos de vários problemas e pela presença de gangs, como os casos de Ilha de Madeira, Ribeirinha, Cova, Passarão e Fonte Inês/Espia, a abordagem é feita sempre em alta velocidade. Os carros param bem longe do local e as equipas de “Ninjas” saem em coluna em marcha acelerada. Para aproveitarem ao máximo o efeito surpresa, os agentes muitas vezes percorrem rochas íngremes na maior escuridão até conseguirem alcançar o suspeito. É então que começa o “pente fino”, ou seja, todos os suspeitos são colocados com as mãos na parede e revistados. Nem mesmo mochilas ou bolsas escapam. No caso de haver indícios de consumo ou tráfico de drogas no local, entra em acção o “cão ninja”, para farejar a presença de estupefacientes, com provas dadas da sua eficiência.
MAIOR SENSAÇÃO DE SEGURANÇA
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968 indivíduos conduzidos às Unidades Policiais para identificação e 80 detenções em flagrante delito |
“O resultado desta estratégia é visível quando podemos comparar que no início da nossa actividade fazíamos até 200 detenções numa noite e agora chegamos a ter vários dias sem nenhuma”, afirma o Subcomissário.
É esta atitude mais pró-activa que Fernandes aponta como uma das razões para a diminuição do número de pessoas encontradas armadas e para o aumento da sensação de segurança entre os mindelenses. “É possível constatar a diminuição da actividade dos gangs e também do número de pessoas vítimas de “caçubody” ou assaltos desde o início das operações”.
Este combate à criminalidade feito tendo em conta “uma nova realidade” e que resultou na detenção em flagrante de delito de oitenta indivíduos. Também foram apreendidas 135 pequenas porções de estupefacientes (marijuana, cocaína, pedra de craque e haxixe) e vários outros artigos durante as operações. Fora as armas de fogo e brancas recolhidas ao longo destes meses.
“É PRECISO OUTROS INCENTIVOS!”
Mas na realidade os “Ninjas” ainda não são uma Brigada Anti-Crime como acontece na Praia, mas apenas um “embrião”. Foi criado com os recursos do Comando da PN em São Vicente, sendo composto por agentes com treino específico e que estão de forma provisória até que sejam criadas as condições efectivas.
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Mais de 8886 suspeitos abordados e revistados na via pública em seis meses |
Apesar de trabalharem cerca de dez horas diárias e de ainda não receberem o subsídio de risco, os Ninjas dizem-se motivados para restabelecerem a sensação de segurança na ilha. “Em termos de meios, hoje estamos melhores, apesar de ser necessário algum aumento mas agora é preciso outros incentivos”, explica Fernandes que garante a “total motivação” da Unidade para continuar a luta contra a criminalidade em São Vicente.
O resultado disso tudo é uma Polícia bem vista pela população e uma ilha, São Vicente, que hoje dorme bem mais tranquila que há algum tempo atrás.