6 de novembro de 2011

Vou escolher os melhores de São Vicente

São Vicente prepara-se para eleger os seus melhores em várias categorias e recebi o convite para ser uma das pessoas a eleger os nomeados do concurso Gala Mindel Prémio 2011. 


Este evento tem como objetivo galardoar e distinguir as pessoas, instituições e obras são vicentinos, no território mindelense, que se destacaram no seu âmbito profissional ou amador. A selecção dos vencedores dos prémios baseia-se na escolha de uma Comissão de Notáveis que distinguirão as revelações do ano nas várias categorias.

Todas as pessoas poderão votar nos nomeados escolhidos a partir de 22 de Novembro, seja através de mensagem móvel, telefone ou pelo site e os prémios serão entregues a 22 de Dezembro. 
Para ver o site click aqui ou visite: http://galamindelpremio2011.no.comunidades.net/

A minha maior dificuldade na escolha prende-se com as categorias de Grupo Musical (porque em São Vicente já quase que não existem grupos constituídos ficando somente por alguns artistas que se reúnem quando há um evento) e Grupo de Dança (só conheço um e esse ainda não tem qualidade para receber um prémio de mérito). Outra dificuldade é o “mundo da moda” na nossa cidade que não tem grande projecção pelo que fica difícil fazer esta nomeação. Mas vamos lá! 


Descrição das categorias da Gala Mindel Prémio 2011 

· Desporto 

Melhor Atleta Feminina 

Melhor Atleta Masculino 

Melhor Treinador de Futebol - época 2010/2011 

Melhor Futebolista do Ano - época 2010/2011 

· Moda 

Melhor Modelo Feminina 

Melhor Modelo Masculino, 

Melhor Estilista 

· Música 

Melhor Intérprete Individual Feminina 

Melhor Intérprete Individual Masculino 

Melhor Grupo 

Melhor Instrumentista 

Melhor Compositor, 

Melhor Música do Ano 2011 

· Teatro 

Melhor Actor 

Melhor Actriz 

Melhor Peça 

· Comunicação Social 

Melhor Locutor Radiofónico 

Melhor Programa Radiofónico 

Melhor Jornalista 

Melhor Programa Televisivo 

Melhor Programa Repórter 

· Melhor Casa Fotográfica 

· Melhor Empresa de Serviço Público 

- Prémio Espaço de Diversão Nocturna (Discoteca) 

· Melhor Grupo Dança 

· Melhor Entretenimento (DJ) 

· Melhor Artista (Pintura e Escultura) 

· Prémio Escola do Ensino Secundário 

Melhor Aluno (não votar, irá ser premiado por Mérito pela Delegação do Ministério da Educação) 

· Melhor Casa de Espectáculo 

· Melhor Instituição Social 

· Prémio Revelação/Criatividade (o que foi feito neste Ano em São Vicente que merece um prémio) 

· Prémio Melhor Casa/Empresa Comercial 

· Prémio Mérito e Excelência (Dr. Isaura Gomes ou Dr. Onésimo Silveira)

Queres dar-me uma ajudinha?

4 de novembro de 2011

Eu já votei nele

Pedro Pires
A Revista Forbes África já publicou a lista dos cinco concorrentes ao “Prémio Personalidade do Ano 2011”. Entre os nomeados está o antigo Presidente da República, Pedro Verona Pires e eu já votei nele. 

Uma das razões do meu voto é que este prémio pretende distinguir o “indivíduo que, para o melhor ou pior, tenha tido a maior influência nos eventos sobre este ano que finda”, como se pode ler na página oficial da Forbes África. A “escolha do público” representa 25 porcento do peso nos critérios de nomeação e se ele está lá nomeado o melhor que pode acontecer a Cabo Verde é que ganhe.


Neste momento Pedro Pires encontra-se na terceira posição na preferência dos votantes com 388 votos, o que representa 7,29 porcento. Recentemente Pedro Pires foi o vencedor do prémio Ibrahim que reconhece e premeia a excelência na liderança africana. O prémio é atribuído a um ex-Chefe de Estado de um governo africano eleito democraticamente, que tenha cumprido o seu mandato constitucionalmente definido e cessado funções nos últimos três anos. O Prémio Ibrahim consiste em 5 milhões de dólares, entregues ao longo de 10 anos e mais 200.000 dólares por ano, até ao fim da vida.


Nomeados pela Forbes África 2011  
Até agora a lista é comandada por Wangari Maathai (3825 votos), uma activista política do meio-ambiente queniana. Foi a primeira mulher africana a receber, em 2004, o Prémio Nobel da Paz. Em segundo lugar por enquanto está Aliko Dangote (514 votos), um empresário nigeriano e a pessoa mais rica do continente africano, com uma fortuna estimada em 13.8 bilhões de dólares segundo a revista Forbes de 2011. 

Na quarta posição está Ellen Johnson Sirleaf (333 votos), a presidente da Libéria, que venceu as eleições presidenciais de 8 de Novembro de 2005, nas quais derrotou o outro principal candidato, o ex-jogador de futebol George Weah. Em último lugar está Sanusi Lamido Sanusi (263 votos), Governador do Banco Central da Nigéria que já foi reconhecido com o prémio global para Governador do Banco Central do Ano, bem como para Governador do Banco Central do Ano para a África. A revista TIME também listou Sanusi em sua lista de “TIMES 100” como uma das pessoas mais influentes de 2011. 


A votação já fechou e o resultado será anunciado a 30 de Novembro: http://forbesafrica.com/personoftheyear/ 

Porque é que não votarias nele?


3 de novembro de 2011

Aventuras da Aninha [Capítulo 5]

Eles se entre olharam sem conseguirem conter e desataram à gargalhada. Papá tentou falar alguma coisa mas engasgou-se e começou a rir de novo enquanto mamã colocava o bebé na tina de água. 

- Como era possível que eles pudessem duvidar de mim? Dos meus poderes? Eu que já tinha dado tantas provas – pensava furiosa e já não ouvia o que eles me diziam ao abrir a porta para sair. 

Ainda senti a porta a espancar atrás de mim mas não me importei. Segui para meu quarto e com a cara no travesseiro deixei que os soluços sacudissem meu pequeno corpo. Quando desci para jantar só encontrei papá com um ar sombrio e pensativo. 

- Mamã não vem comer? – foi tão baixinho que pensei que não tivesse ouvido. 

- Já lhe levei o jantar ao quarto. 

- Porquê? 




- O bebé está um pouco fraco – e sem colocar os olhos em mim disse tristemente – porque é que tinhas de abrir a porta justamente quando o bebé estava no banho? 

- Mas… - respondi sem vontade nenhuma de comer - papá, eu precisava sair. 

- Está bem. Está bem. Vamos comer. 

Que noite mais estranha. Achei melhor ir directa para a cama depois desse jantar em que me sentia esquisita. Era como se tivesse sido posta de parte. Não sei por quanto tempo rolei na cama a tentar agarrar o sono. Quando já estava quase a cair no sono é que ouvi a porta a abrir-se. Fingi que dormia porque não sabia se ela estaria ali para me ralhar. Mas não, aconchegou-se perto e deu-me um beijo na testa. 

- Amo-te – disse baixinho. 


Que bela noite de sono que tive.








Aventuras da Aninha [Capítulo 4]

Não foi daqui a pouco como disse mas eles lá estavam em casa de novo. Corri para junto da minha mãe rodeando-a para provar como estava certa de que ganharia uma irmãzinha. Para minha surpresa o bebé não tinha cara de menina nem de menino. Todo ele estava enrolado e só aparecia uns olhinhos sem curiosidade. 

- Então… é uma menina como vos tinha dito, não? – quis confirmar. 

Meu pai sorriu e subiu as escadas para colocar as bolsas no quarto deles. 

- Só vais saber se é menina ou não quando me ajudares a dar-lhe banho – brincou ela com um sorriso cansado que não lhe tirava a beleza da sua pele negra. 

- Então vamos logo! – quase gritei, mas ainda tive que esperar mais um pouco antes de subirmos ao quarto deles. Papai colocou um pouco de água quente na tina. 

- Vai fechar a porta, Aninha – pediu-me a mamã – enquanto experimentava a temperatura da água com o dedo. Começou a desembrulhar o bebé devagarinho como uma prenda e eu só batia palmas e cantava: 




- Tira, tira… 

- Como é que ela se feriu? - com o dedo fui apontando para o umbigo dela. 

- Pergunta à tua mãe – riu-se e colocou o frasco de talco em cima da mesa. 

- Eu depois te explico – mamã foi logo dizendo quando sentiu meu olhar de expectativa sobre ela. 

- “Eu depois explico” – pensei -, traduzido é o mesmo que isso não é assunto para crianças. 

Assim que ela acabou de destapá-lo exclamei horrorizada: 

- Trocaram o bebé!






1 de novembro de 2011

Aventuras da Aninha [Capítulo 3]

- Quantos anos tens? – perguntou-me o porteiro do Hospital. 

- Nove anos e meio – respondi-lhe resoluta. 

- Nove anos e meio, né? – troçou aquele careca com olhos de peixe morto – então não podes subir porque lá não é lugar de crianças. 

- Como assim lá não é lugar de crianças se elas vão lá nascer? – disse-lhe tentando mostrar-lhe a patetice que acabara de dizer. 

- Sim… – retorquiu – mas eles não vêm para aqui com seus próprios pés, não é? 

- Até que tu não deixas de ter alguma razão, meu grandessíssimo idiota – pensei. 

- Aninha, até que enfim! – meu pai quase gritava nervoso enquanto descia as escadas. 

- Mas essa é tua filha, Zé? – perguntou o careca apontando para mim. 

- Há nove anos e meio – trocei. 



- Dá-me essa bolsa porque tua mãe já foi para a sala de parto e ela vai precisar destas coisas. 

- E o senhor não foi com ela? – estranhei. 

- Eu bem que tentei mas eles não me deixaram – disse chateado. 

- Porquê? – quis saber. 

- Disseram que não tinham o costume de deixar o pai entrar, por isso eu não podia entrar. 

- É o costume – disse o porteiro como se fosse uma fatalidade. 

- Mas como é que podem impedir-me de acompanhar o nascimento do meu bebé? – zangou-se o papá. Eu já estive em vários países onde os pais são incentivados a assistirem aos partos. Mas aqui como somos mais espertos… não é? 

- Mas Zé, eu não acho que aquilo seja algo que se devia ver – enquanto falava ia olhando de esguelha para mim -, aquilo tudo se rasgando e tudo mais… 

- Aí é que você se engana meu amigo – respondeu-lhe meu pai -, todos os homens deveriam ver o sofrimento da mulher ao dar à luz para que pudéssemos valorizar mais as nossas mães de filhos. 

- Pois… eu acho que se visse aquilo… - fez uma cara amarga – nunca mais podia estar com uma mulher. 

- Agora vai para casa Aninha – pediu-me papai enquanto passava a mão carinhosamente na minha cabeça – porque daqui a pouco já devemos estar em casa.




Aventuras da Aninha [Capítulo 2]

- Não acredito! – exclamei horrorizada – deixei o telefone mal sentado. Assim que coloquei o auscultador no lugar o telefone começou a vibrar: 

- Aninha o que é que aconteceu? – Ouvi a voz preocupada do meu pai no outro lado da linha – há muito tempo que estou tentando falar contigo. 

- Então meus poderes não me abandonaram – exclamei feliz. 

- O quê? – perguntou-me sem entender. 

- O problema era o telefone e não meus pod… nada não – achei melhor mudar rapidamente de assunto por isso perguntei se a minha irmã já tinha nascida. 

- Não… ainda não. Mas já lhe disse que não sabemos se é menina ou menino. 

- Vocês é que não sabem… - pensei. 




- Aninha, pega a bolsa azul que está em cima do sofá e traga-me ao hospital. 

- Está bem. 

- Ah, e pega cento e cinquenta escudos no cesto da cozinha para o táxi – e despediu-se. 

Saí com a bolsa a tiracolo a procura de um táxi. Estava uma linda manhã de Março e havia alunos a caminho da escola. Fiquei a espera junto à paragem do autocarro. Pelos meus cálculos, pensei, se fosse de autocarro sobrariam um bom dinheiro de troco. Tenho poderes mas não é por isso que sou rica. 

O problema é que tinha previsto a chegada do táxi antes do autocarro e como tinha saído para apanhar um, logo era de táxi mesmo que iria. Esperei mais um pouco e na esquina ele fez a curva. Bom… pelo menos amanhã terei dinheiro para comer na cantina da escola.



Aventuras da Aninha [Capítulo 1]

Ouvi o telefone a tocar novamente e tive que me levantar. Apesar de passar pouco das nove de uma manhã de terça-feira, eu já havia atendido a três chamadas: 

- Aninha, já está? - ouvi perguntar ansiosamente do outro lado da linha. 

- Bom-dia para você também, tia Lita. 

- Sim, sim! Bom-dia. Agora, diga-me, já está? Já nasceu? 

- Ainda não. Pelo menos ainda não me avisaram. - Despedi-me da tia Lita e fiquei indecisa entre voltar a deitar ou deixar-me estar junto ao telefone. 

Pus-me a imaginar que estaria alguém levantando o auscultador e a discar o número de telefone da nossa casa um por um. Conseguia sentir as vibrações a percorrerem a linha telefónica, poste por poste até chegar ao nosso telefone. Contei três, dois, um, zero, agora! Nada? 


Levantei-me para ir ao frigorífico e nisso a campainha da porta tocou. Era o rapaz falador que tira a conta de luz! Acho que meus poderes estão um pouco enferrujados. Sorri de mim mesma. Talvez se enchesse a barriga os meus poderes voltariam. De barriga cheia é-se mais poderosa. Sentei-me à frente da televisão, de telecomando na mão a praticar o meu desporto favorito: mudar de canal. Não que eu tenha montes de canais à minha disposição, bem entendido. Mas mesmo assim é divertido e às vezes até consigo formar frases engraçadas como: “…o Primeiro-ministro afirmou que…”, “…é um macho dominador que chega por trás…”, “…e mete a bola entre as pernas…”. Muito, muito engraçado. 

Ponho-me a rir dando mais uma dentada na maçã e colocando os pés na mesa. Sento-me sempre assim quando meus pais não estão em casa e hoje estou mesmo à vontade. É que eles foram de madrugada ao hospital porque rasgou-se a bolsa d’água da mamã. E é só por isso que não fui para a escola, tou na maior relax

Vou ganhar uma irmãzinha, sim, vai ser uma menina. Eles decidiram que fosse surpresa, mas eu com os meus poderes já havia descoberto há muito de que se tratava de uma menina. 

- Desculpem por lhes tirar o gostinho da surpresa, mas é uma menina! – é verdade que se riram e não acreditaram, mas sabem como é, quem ri por último…


 
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