22 de outubro de 2011

Monte Trigo: ainda existem lugares assim em Cabo Verde?



Queres conhecer um lugar em Cabo Verde onde ainda as pessoas deixam a porta aberta e um vizinho entra para atender o telefone sem levar nada consigo ao sair? Ou onde se coloca o colchão na rua para dormir nas noites quentes e a subida da maré é a maior preocupação? Se já estás a preparar as malas para o conhecer, saiba que para alcançar a aldeia piscatória de Monte Trigo é preciso levantar-se bem cedo antes de se fazer à estrada.

Tarrafal de Monte Trigo (vista de cima) - ainda só faltam
45 minutos de bote pelo mar até Monte Trigo
Partindo do centro de Porto Novo é preciso cerca de duas horas de carro. Primeiro, uma estrada asfaltada interligada com outra calcetada e por fim a maior parte do percurso é feito por caminhos de terra e pedras que desafiam os motores mais potentes dos carros no alto das montanhas, ou não estaríamos nós na Ilha das Montanhas. No final da viagem ainda é preciso fazer-se ao mar num bote para completar a ligação entre a localidade de Tarrafal de Monte Trigo e Monte Trigo. Este trajecto dura quase quarenta e cinco minutos sobre o mar onde está um dos maiores bancos de pesca do país. Nesta altura a decisão de deixar o telemóvel ligado é irrelevante pois nenhum dos serviços das operadoras móveis estão disponíveis. Telefonar aqui só é possível pela rede fixa. 





Pedro Pires, o padeiro dos pescadores 

Pedro Pires mostra com orgulho 
o forno da sua padaria
Numa aldeia piscatória composta por cerca de duzentas e oitenta e quatro pessoas o mais provável é que fossem todos pescadores ou dependentes da pesca. Mas, Pedro Pires, de 57 anos e morador local, foge à regra e é padeiro. Dono da única “indústria” da zona, a sua padaria produz pães e bolachas com os cerca de dezoito quilos de farinha que levam dois dias para serem vendidos à população. O curioso é que Pedro Pires vende um pão de 100 gramas por sete escudos quando o preço máximo que se pode aplicar é de doze escudos. “Os sacos de farinha e açúcar são trazidos pelos pescadores nos botes e eles não me cobram nada. Por isso vendo a um preço justo à comunidade”, explica o padeiro que já criou sete filhos com os lucros deste negócio que “não o deixa dormir sem jantar”, como conta orgulhoso. 


Divertir-se em Monte Trigo 


Crianças descansando em 
um colchão na praia
Monte Trigo não tem muitas formas de diversão. A pequena praia de seixos e alguma areia preta e fina que serve para chegada e partida dos pescadores e visitantes é o local de eleição das suas gentes. Na sua orla encontram-se sempre crianças semi-nuas queimadas pelo sol que com pequenas canas de pesca vão apanhando peixes de pequeno porte. Cada peixe trazido para terra é motivo de discussão e risos de exibição entre as crianças. Se as possibilidades não derem para seguirem com os estudos já estarão a treinar naquele que poderá vir a ser seu futuro ofício e sustento da família. 

Após a faina no mar os fins-de-semana são habitualmente dedicados ao futebol. No minúsculo campo de terra batida que fica junto à praia defronta-se Marítimos e Natchok, as duas únicas equipas locais. Durante o jogo o grito “bola ao mar” faz parar a partida até que alguém vença as ondas e traga o esférico para terra debaixo dos braços. Que recomeçe o jogo. 

Os serões das noites são passados em família à frente da televisão. A localidade recebe os sinais dos canais RTP1, RTP-África, SIC, SportTV, Record Cabo Verde e Record, mas do canal da Televisão de Cabo Verde (TCV) nem sinal. O mesmo acontece com a Rádio de Cabo Verde (RCV) que não é sintonizada em Monte Trigo. 


Electricidade das 18:30 até 23:30 

Graciete Fortes
Em Monte Trigo as pessoas conservam os alimentos em frigoríficos a gás. Isto porque a energia eléctrica só está disponível no final da tarde até antes da meia-noite, como nos conta Graciete Fortes, uma moradora da localidade de 28 anos. “Aqui só temos electricidade durante todo o dia na festa de Santo António [3 de Junho] e no fim do ano”, explica Graciete e avança que todas as casas pagam 710 escudos mensais à Câmara Municipal pela energia eléctrica. Enquanto isso afirma que não pagam a água fornecida pelo Serviço Autónomo de Águas do Porto Novo porque a empresa espera que todas as casas estejam ligadas à rede antes de começar a cobrar. “Mesmo assim aqueles que não têm água canalizada podem comprar uma lata de vinte litros por um escudo na santina local. Eu, por exemplo, com duzentos escudos tenho água para cerca de três meses aqui em casa”, diz sorrindo. 

Por causa do isolamento os serviços de saúde são assegurados por um Agente Sanitário. As mulheres grávidas têm que fazer todo o percurso pela estrada para terem os filhos em Porto Novo ou então pela via marítima para darem à luz na ilha vizinha, São Vicente. 


A despedida… 

Durante a nossa viajem por Monte Trigo paramos numa casa para almoçar. Jorge, o “guia” que nos acompanhava durante a visita deixou sua bolsa com alguns litros de feijão e peixe seco no passeio da estrada e subiu ao terraço connosco para comer. Perguntámos-lhe se não tinha medo que alguém lhe roubasse as coisas ao que ele respondeu: “quem é que vai apanhar a bolsa se não lhes pertence?” e terminou sua refeição sem grandes preocupações. Na hora da partida despedimo-nos e Jorge apanhou sua bolsa e seguiu para casa. Ainda há lugares assim em Cabo Verde? 








19 de outubro de 2011

Estes vão ganhar o CV Music Awards 2012


Agora que já foi constituída a Comissão que irá escolher os nomeados para o Cabo Verde Music Award 2012 quero aqui dizer umas coisas: 

PRIMEIRO – espero que desta vez não misturem categorias musicais que nada tem haver umas com as outras. Como é que conseguiram – em consciência – escolher o melhor Rap / Hip Hop – Reggae & R'n'B entre os concorrentes apresentados. Ainda gostaria de saber em que categoria foi enquadrada a música “Bo é boa” do Rei Assassino




SEGUNDO – pelo que li os artistas terão novamente que se inscreverem para participarem. Compreende-se até certo ponto esta opção por causa das dificuldades logísticas e financeiras, mas devem concordar comigo que fica até esquisito para um artista estar a inscrever-se para mostrar que é melhor que outro. É preciso passar-se para a fase de nomeação porque os discos estão editados e disponíveis no mercado discográfico. 

TERCEIROé preciso ser criada a categoria de melhor Compositor/Autor. Porque na verdade como é possível falar de um álbum musical sem falar da pessoa que compõe as músicas? 


Esses aqui vão ganhar! 

Já agora aqui vão uns daqueles que de certeza irão ganhar o CVMA’2012 – caso decidam inscrever-se: 


Artista: Expavi 

Álbum: Historia Knunka esh kontop 

Género: Rap 

Expavi revelou-se com este mais recente álbum como um dos maiores rappers do cenário crioulo. Músicas com maturidade e mensagens perspicazes aliadas a um grande trabalho nos beats, este é claramente o melhor álbum Rap lançado este ano. O seu talento já está sendo reconhecido nacional e internacionalmente onde o jovem rapper venceu este ano o concurso de procura de talentos “Vis-a-Vis” que lhe tem permitido pisar palcos das Canárias, Sevilha, Granada e Madrid e o Festival da Baía das Gatas, em São Vicente. 
Cick aqui e veja um vídeo do Expavi


Artista: Ilo Ferreira 

Álbum: Gather People Together 

Género: Country/Pop Rock 

Ilo esteve nomeado como Artista Revelação no CVMA’2011 com o álbum “Ilo” mas acabaria por não vencer. Recentemente lançou "Gather People Together" onde contou com a participação de produtores e músicos que já trabalharam com Bob Marley, U2, Pink Floyd ou Dire Straits. O músico apresenta um estilo musical pioneiro no cenário crioulo o que o poderá dificultar em conseguir os votos do público. Outro problema vai ser enquadrá-lo nas categorias do CVMA que se esqueceu de deixar uma categoria em aberto para um caso como este. 
Cick aqui e veja um vídeo do Ilo


Artista: Diva Barros 

Álbum: Palco d'Vida 

Género: Morna/Coladeira 

A cantora que maravilhou o público no Festival de Baía das Gatas ao cantar juntamente com a brasileira Alcione lançou seu primeiro CD depois de vários anos a actuar nas noites de Mindelo. “Palco d'Vida” nasce, nas palavras da cantora no seu site oficial, “de uma sedução minha pelos diferentes palcos que percorri e das palavras de todos quantos me acompanharam e, logo, segue com bom vibe.” Uma voz potente e gostosa de se ouvir que já marcou o seu espaço no panorama musical crioulo.
Click aqui e veja o vídeo da Diva


E você, conhece algum artista que irá ganhar algum prémio no Cabo Verde Music Award 2012?


AUTÁRQUICAS’2012: Amadeu Cruz admite terceira candidatura no Porto Novo

Amadeu Cruz
Amadeu Cruz admitiu ao A NAÇÃO concorrer a um terceiro mandato, à Câmara Municipal do Porto Novo (em Santo Antão), "caso o MpD quiser". Esta eventualidade deixa os pré-candidatos do seu partido e adversários em suspenso. No PAICV vários são, neste momento, os posicionados na grelha de partida.

Com o aproximar das eleições autárquicas, no Porto Novo, está para breve a definição das águas dentro do MpD, a começar por Amadeu Cruz, que meses atrás manifestou a intenção de se retirar ao cabo de dois mandatos consecutivos. Esta simples eventualidade mexeu, como não podia deixar de ser, em sectores dentro do próprio MpD.




Em conversa com o colectivo de A NAÇÃO, na Cidade do Porto Novo, aquele autarca fez saber que a decisão "está para breve" e que na balança estão "razões pessoais e familiares", 
Amadeu Cruz
fora a sua "amizade" com o presidente do MpD, Carlos Veiga. A isso juntam-se as "pressões" do seu partido e populares no sentido de não abandonar o barco numa altura em que o PAICV está em clara subida na ilha.

Nos pratos dessa balança não deixará de pesar o facto de os tambarinas terem conseguido vencer no Porto Novo as eleições legislativas de 6 de Fevereiro último com uma diferença de mais de mil votos. Isto para não falar do passado em que o PAICV esteve, mais de uma vez, à beira de abocanhar aquela Câmara Municipal.


DE OLHO

É, pois, diante disso e numa altura em que são visíveis os investimentos do Governo na ilha que Cruz pondera colocar as suas razões pessoais em segundo plano e avançar para as Autárquicas’2012.

Valter Silva
Apesar de colocarem as suas decisões em banho-maria e à espera da Comissão Política do MpD, alguns nomes já manifestaram o seu desejo de concorrerem, caso Amadeu Cruz desistir de tentar um terceiro mandato. E um dos nomes de que se fala com alguma insistência é o do coordenador do MpD no concelho, Valter Silva, que apesar da sua pouca experiência política é um dos colaboradores mais directos do edil.

O jovem de 33 anos e que é técnico da Câmara do Porto Novo declarou ao A NAÇÃO que caso Amadeu Cruz avance terá todo o apoio da estrutura local mas também não nega a possibilidade de se apresentar a votos perante os portonovenses. "A decisão de escolher um candidato cabe à Comissão Política do partido, pelo que ainda temos que esperar antes de qualquer anúncio", declara.

Outro nome ventilado é o de Aníbal Fonseca, economista e vereador no pelouro da Administração Financeira e Controlo da Gestão Interna da Câmara do Porto Novo que já confirmou sua disponibilidade para representar o MpD nas Autárquicas 2012. A sua decisão está também dependente da resposta de Amadeu Cruz, pois este afirma que não avança se o edil der luz verde à sua recandidatura.


PAICV COM EXCESSO DE CANDIDATOS

Pelos lados do PAICV as contas também estão por fazer. Estas passam por saber quem será o candidato e depois a estratégia política a adoptar face ao adversário. Isto porque ninguém nas hostes tambarinas nega que uma coisa é defrontar um candidato que se apresenta com dois mandatos e à procura de mais um, e outra bem diferente é defrontar um adversário sem capital ou passado político.

Carlos Alberto Delgado
O presidente da Comissão Política Regional do PAICV em Santo Antão, Carlos Alberto Delgado, avança ao A NAÇÃO que, apesar do seu partido ainda não ter candidato, está-se a trabalhar para ganhar a Câmara do Porto Novo. "Nestes vinte anos de gestão municipal do MpD, estes quatro anos são os piores de todos, tendo em conta a gestão desastrosa de Amadeu Cruz", afirma, sem porém deixar de apontar alguma "estabilidade social" no concelho.

Apontado como o "homem de confiança" de José Maria Neves na ilha, Kakay conta ainda com o apoio do secretário-geral do PAICV e seu conterrâneo, Armindo Maurício, pelo que se diz ter o apoio da cúpula do partido mas o mesmo já não se passa nas bases com os militantes. Delgado é considerado um dos grandes obreiros da vitória do PAICV nas últimas Legislativas em Santo Antão pelo que pode usar este factor para negociar um possível apoio. Contactado pelo A NAÇÃO, ele prefere no entanto não se assumir como candidato, mas também não descarta esta possibilidade.


COM APOIO DAS BASES

Rosa Rocha
Quem pode vir a mostrar-se como seu maior concorrente é Rosa Rocha que, ao contrário de Delgado, parece ter o apoio das bases. Para isso muito pode ter contribuído o facto de ela ter sido delegada da Agricultura em Santo Antão e depois secretária de Estado dessa pasta e conhecer a realidade de uma ilha que tem como motor de economia o sector primário (agricultura, pecuária e pescas).

Este apoio das bases terá sido uma das razões que levaram a uma subscrição que conseguiu recolher cerca de três mil assinaturas para propor o nome de Rosa Rocha como candidata do PAICV, apesar deste acto não ter caído muito bem nos lados desse partido no Porto Novo.

Outros nomes também são avançados como é o caso de Emitério Ramos, candidato derrotado em 2008. Diante dos cenários que se desejam o mesmo já manifestou, desde Março, em carta dirigida ao primeiro-secretário do PAICV no Porto Novo, a sua intenção de voltar a lutar pela edilidade.


ETERNO CANDIDATO

Alberto Josefá Barbosa
Alberto Josefá Barbosa é outra eterna possibilidade. Tal como a maioria dos outros possíveis candidatos fizeram durante a segunda volta das Presidenciais, ele foi sondando a população para saber qual o nível de aceitação caso decidir concorrer. De todo o modo, hoje está mais ligado ao mundo empresarial do concelho do que da política activa, propriamente.

O certo é que havendo vários candidatos dentro do PAICV, esta formação poderá ter que recorrer à eleições primárias onde as bases irão decidir quem deverá merecer o apoio dos tambarinas no Porto Novo. E, pela experiência de outros lugares, a disputa poderá não ser fácil nem tranquila.


Publicada (também) no Jornal A NAÇÃO N. 215



18 de outubro de 2011

Quem controla a qualidade da nossa comida?

A qualidade dos produtos alimentares que consumimos está na ordem do dia, o que significa que o consumidor deve estar atento aos males que ainda ameaçam a sua segurança alimentar, entre eles, os produtos fora de prazo, mal conservados e com rótulos em língua estrangeira, ou até mesmo no sentido de se precaverem contra o facto de ainda existirem dificuldades na inspecção, nomeadamente a inexistência de laboratórios para o efeito, como é o caso de São Vicente. 



Nesta primeira grande reportagem sobre esta matéria, seguimos o percurso dos produtos alimentares, desde a chegada nos nossos portos e aeroportos, passando pelas estantes das lojas até chegar à sua mesa. 

Ainda há muito por fazer na Segurança Alimentar
O processo de inspecção alimentar inicia-se quando o operador económico faz o pedido de importação num prazo de quinze dias ao Ministério do Desenvolvimento Rural (MDR). Esta é a entidade que tem a responsabilidade de fazer a inspecção dos produtos nos pontos de entrada do país tais como portos e aeroportos. Trata-se da fase documental com a apresentação de um certificado sanitário do produto com assinatura de um veterinário do Ministério da Agricultura daquele país e com carimbo do consulado ou embaixada de Cabo Verde. A partir deste momento começa a inspecção onde o MDR irá verificar se entre nossos países há relações comerciais. A análise de risco do produto no seu país de origem é feita através da Internet. Por exemplo, se for carne de vaca verifica-se se há registo de problemas sanitários como o vulgarmente conhecido “doença das vacas loucas” ou outras que afectam alguns países e que Cabo Verde tem que se proteger. “Quando verificamos que não há nenhum risco para o país, autorizamos a importação”, garante a delegada do MDR em São Vicente, Francisca Fortes. 





Inspecção com luvas e termómetros 


Francisca Fortes - Delegada MDR/SV
A chegada do produto nos portos ou aeroportos deve ser comunicada pelo operador económico aos inspectores que procederão à fiscalização da mercadoria antes de ser comercializada. É nesta fase que começam as dificuldades porque os inspectores não dispõem mais do que “luvas e termómetros”, como nos conta a delegada do MDR. “Trata-se de uma inspecção organoléptica, ou seja, é inspeccionado a embalagem, o lote, sua apresentação e temperatura ideal porque infelizmente ainda não temos laboratórios”, justifica Francisca Fortes que até 2010 só tinha dois inspectores mas que desde de Janeiro a ilha conta com sete a prestarem serviços. “Neste momento não temos problemas de recursos humanos para inspeccionar os cerca de noventa operadores económicos de São Vicente”, afirma a delegada que também fala na destruição de produtos quando não estão aptos para o consumo, mas “quando há dúvidas” recolhe-se amostras que são enviados para laboratório e só após o resultado é que se decide o seu destino. O facto é que não há laboratório na ilha pelo que as amostras são enviadas para Praia ou então ao Senegal. “Nunca deixamos um produto duvidoso entrar no mercado e os que são autorizados pelos nossos inspectores são de boa qualidade”, garante. 


Inspecção nas Estantes das Lojas 

Lucy Karelia Ochoa
Depois de autorizados pelo MDR os produtos alimentares entram no mercado de consumo e o controlo de qualidade agora é feito por uma equipa composta por técnicos da Delegacia de Saúde de SV, Policia Nacional, fiscal da Câmara Municipal e pelos inspectores da Inspecção Geral das Actividades Económicas (IGAE). “Dificilmente encontra-se produtos fora de prazo e esses casos acontecem tanto na periferia como no centro da cidade”, garante Lucy Karelia Ochoa que trabalha há dezoito anos como técnica de Higiene e Epidemiologia na inspecção de produtos na ilha e que afirma que “as coisas melhoraram muito” em termos de qualidade dos produtos colocados para consumo. “Creio que os comerciantes já tomaram consciência do que representa a venda de produtos fora de prazo e mesmo a população tornou-se mais consciente e já evitam comprar”, conta a técnica sanitária. 


Prazos 

O trabalho consiste em verificar os prazos de validade, estado de conservação do produto, higiene e aspecto. “Quando entramos num estabelecimento”, afiança Ochoa “inspeccionamos praticamente tudo” e são feitas recomendações aos comerciantes que têm prazos para as cumprirem. Dependendo da gravidade da infracção a equipa pode inutilizar um produto no acto da inspecção ou decidir deixar apreendido para posterior destruição na lixeira municipal. Vale realçar que este trabalho de inspecção não é feito com muita regularidade e uma das razões apontadas pela técnica é a necessidade de “uma equipa de trabalho fixa” de forma a poder-se fazer inspecções diárias. 


ADECO: “há mais reclamações na Praia…” 

António Pedro Silva - Presidente ADECO
A associação de defesa do consumidor, ADECO, avança que nos últimos tempos não tem entrado muita denúncia em São Vicente quanto a qualidade dos alimentos, tendo a registar somente uma reclamação por causa de produtos fora de prazo de validade e outra com a data alterada. Por outro lado garante que na cidade da Praia há reclamações. “O problema é que as pessoas não formalizam com dados suficientes para que a ADECO possa confirmar o facto”, afirma António Pedro Silva, presidente da direcção da ADECO, que aponta a falta de envolvimento activo das pessoas na capital nesta actividade de protecção do consumidor. “Quando um consumidor faz uma queixa o que procuramos é adquirir provas através da compra do produto em causa e apresentá-las às autoridades”, diz o presidente da ADECO que considera a imprensa como um bom meio para fazer a denúncia pública quando a saúde da população estiver em risco, mas que a qualidade dos produtos alimentares comercializados “melhorou” nos últimos tempos. 



Publicada (também) no Jornal A NAÇÃO Nº 215






17 de outubro de 2011

Como Conquistar uma Crioula: Quanto mais NÃO, melhor!

Prepara-se para receber NÃO!
Este texto faz parte de uma série de capítulos. Para ver o primeiro capítulo click aqui.


Hoje vou falar de uma técnica especial porque na verdade o seu objectivo é conseguir uma crioula, só que recebendo um NÃO como resposta. Explico: quanto mais respostas negativas receberes de outras mulheres, melhores serão as tuas chances de conseguires um SIM da crioula que queres. 







Deves encarar esses NÃOS como um aprendizado e não como uma derrota para te frustrares e desistires. Já deves ter consciência que isso não é só chegar e mandar umas frases e já está. É preciso ter uma “cara podre” na hora da conquista e esta auto-confiança só é ganha através da vivência das várias situações possíveis. A meta é conseguires uma média de 10 NÃOS por dia. 

Escolha todo o tipo de mulheres: novas, quarentonas, solteiras, casadas, expansivas ou tímidas. O importante é aumentares o teu poder de encaixe com negativas de crioulas que (aparentemente) não te interessam. Assim, quando estiveres a fazer uma investida à serio terás um melhor jogo de cintura no caso daquela que tu queres não se mostrar muito interessada na tua conquista. 

Por isso esqueça a tua timidez e começa a meter falas ao maior número de crioulas que encontrares pela frente. O bom desta técnica é que sais de casa convencido de que não irás conseguir nada e como já dizia o ditado: “quem nada espera não se decepciona”, logo, no fim do dia podes dormir descansado e sem pesadelos. 

O problema que se coloca é se conseguires um SIM nestas tuas tentativas. Bom… disso falamos depois. 



16 de outubro de 2011

15 de outubro de 2011

Fases de uma Catchupa

Até que a cachupa esteja saborosamente pronta no teu prato ela passa por várias fases. Tudo começa com pauladas firmes no p'lon [pilão] até conseguir separar a película do milho no processo que se chama cutxi midje. Deve-se bater com o pau durante cerca de meia hora. Enquanto isso vai-se falando das últimas fofocas da vizinhança.



Depois do milho cutxide é preciso separar a película dos grãos que irão para a panela. Este processo é feito com a ajuda de um balaio e chama-se tent-té midje.



 

Com o milho pronto é altura de cozinhar juntamente com carne de porco, peixe, feijão, mandioca, batata-inglesa, batata-doce, inhame, abóbora, repolho, couve, cenoura, toucinho para comer ao almoço ou jantar. Logo de manhã cedo coloca-se somente o milho – sem o caldo – na frigideira e faz-se cachupa guizada. Bom apetite.



Queres um pouco?



 
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