17 de setembro de 2011

MINDELACT’2011: Teatro em grande no Mindelo e na Praia


Mindelo respira teatro por todos os poros, que é como quem diz, por todas as salas de espectáculos da cidade. Desde o palco principal, o Centro Cultural do Mindelo (CCM), passando pela Academia de Música do JotaMonte (AMJ) ao Centro Social de Ribeira de Craquinha ou então pelas várias artérias da cidade, tudo é teatro. Estamos em Setembro. Estamos no Festival do Mindelact’2011. Artistas, técnicos, produtores e público, todos se misturam num fazer para ver teatro que este ano mais uma vez trás a extensão para a cidade da Praia com vários espectáculos em carteira.

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Bodas de Sangue - Mindelact 2011
A 17ª edição do Mindelact teve uma abertura soberba com uma apresentação de encher os sentidos fazendo antever um festival recheado de qualidade. Encenada pelo Grupo do Centro Cultural Português – IC, do Mindelo a partir de textos inspirados nas reportagens jornalísticas de Federico Garcia Lorca, os dezasseis personagens conseguiram mostrar que “todo mundo cabe num palco” no Mindelact. Considerado “digno do historial do grupo e do festival” pelo seu encenador e director artístico, João Branco, esta 46ª produção deu o arranque da festa do teatro no palco principal. 




Festa que foi dada continuidade com “Frederico Garcia Lorca: Pequeno Poema Infinito”, onde José Mauro Brant revela as mais marcante experiências de Lorca como artista e cidadão numa dramaturgia construída exclusivamente por palavras do próprio artista. De seguida subiu ao palco “Papirus” de Iolanda Llanso, que lhe valeu este comentário de Abraão Vicente que assistiu ao espectáculo “ninguém pode­ria esperar tanto. Somos fatalmente sempre traídos pelas expectativas. Uma noite memorável e esplêndida ao som de um teatro parco em palavras mas exuberante na linguagem, no conteúdo, na essência, na mensagem. Fantasia deliciosa ver o próprio cenário da peça a crescer durante a representação.” O grupo espanhol Xirriquiteula Teatre trouxe para Mindelo um mundo de papel. Utilizando os gestos, a imaginação e o papel, estes dois personagens fizeram o público participar, durante uma hora, nos seus sonhos, medos e desejos. Um espectáculo singular em que os gestos, o humor e a criatividade foram protagonistas. Ainda ao palco principal subiram os grupos de Teatro Dja d’Sal com a peça “Água”, o Tanztheater Global com “Sonho em Movimento” e Jackie Star de Charlotte Saliou com “L’Élegance el la Beauté”. Para esta quinta-feira o Teatro Art’Imagem apresenta “Por um punhado de Terra” no Auditório do CCM.



Mas o Mindelact faz-se também para os pequeninos. São os espectáculos da Teatrolândia que nesta edição abriram com uma estreia absoluta do inédito musical infantil “Os Saltimbancos” que esgotaram rapidamente os bilhetes. Um momento ímpar para as centenas de crianças que encheram o AMJ para aplaudirem e cantarem com o Burro, a Galinha, o Cachorro e a Gata ao som da música do mestre brasileiro, Chico Buarque, e suporte do talentoso coro da Escola Secundária Jorge Barbosa. De seguida, o TIM – Teatro Infantil do Mindelo encenou “Katiuska & Chatonilda”, uma dupla de palhaças numa peça recheada de emoções, alegrias e muitas palhaçadas mas também de pedagogia que, como escreveu Abraão Vicente sobre a peça, “isso é pedagogia de marca ou então um dedo apontado para o contributo positivo que o teatro educativo pode dar na educação das crianças e na criação de novas mentalidades, de novos cidadão.” Para este domingo está agendado o “Teatro Con Classe” do grupo espanhol Delirium no AMJ pelas 17 horas.


Espectáculos na Praia


Depois “Papirus” ter subido esta terça-feira ao palco do Centro Cultural da Praia, é a vez de, na segunda-feira (19), o Projecto Aquarium apresentar “Closer”, um espectáculo para maiores de 18 anos. No dia 21 o grupo cabo-verdiano Skinada encena “O Psicanalista”, seguido de uma performance de som e movimento da dupla crioula Bety Fernandes & Ndu Carlos. Para encerrar a extensão, “Ñaque, piolhos & Actores do grupo de Teatro do IC-CCP do Mindelo. Todos os espectáculos acontecem no Auditório do Centro Cultural da Praia.


“Mindelact está a funcionar bem”, afirma o Director de Produção 

O director de produção do Mindelact, Daniel Monteiro, avança que tiveram alguns problemas de última hora mas que já foram todos ultrapassados, onde a maior dificuldade é na parte financeira. “Isto é normal”, diz Daniel, “quando temos um festival sustentado no voluntariado mas a máquina está andando normalmente”. Até agora fica difícil apontar um ponto alto do festival porque “cada momento teve suas histórias” e revela que até agora ainda não houve problemas em termos de público, com “salas sempre cheias” onde um dos maiores problemas é referente a falta de um “local maior” para receber as pessoas que querem apreciar teatro.

Daniel garante que a extensão para a Praia está a “funcionar bem” e a seguir o seu ritmo normal. “Temos esse ano uma parceria mais estreita com o Centro Cultural Português da Praia que está no apoio logístico e organização dos espectáculos.”Outra aposta que quer ver ganha brevemente é outras extensões para além da capital para, de certa forma, “desmistificar uma certa preocupação” de algumas pessoas. O certo é que estando aqui os artistas e havendo o empenho de Câmaras Municipais ou empresas de outras ilhas o Mindelact afirma-se sempre disposto a fazer extensões. “É só uma questão de planificar e organizar conjuntamente antes da chegada dos artistas para que haja teatro em qualquer concelho do país”, termina o director de produção.


Publicada (também) no Jornal A NAÇÃO

13 de setembro de 2011

"Água" desilude pela fraca qualidade

Para verem o quanto gostei do espectáculo “Água” de Luciano Brandão apresentado esta segunda-feira vou logo dizendo que nunca a cadeira do Centro Cultural do Mindelo foi mais incomodativa durante uma apresentação. Foram dos 60 minutos mais longos até agora no Festival do Mindelact com o Grupo de Teatro Dja d’Sal a testar a minha capacidade de auto-punição para assistir a um trabalho de fraca qualidade teatral. É que ninguém tem pachorra para pagar seu dinheiro para ver um grupo a tentar interpretar um texto repleto de falas banais e sem uma história consistente, sem nenhum momento de clímax, etc. É, deu pra ver que não gostei nem um pouco.

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SINOPSE DO GRUPO
Cartaz do "Água"

“Água, é um espectáculo feito em coprodução Brasil/Cabo Verde. Montado pelo diretor de teatro Luciano Brandão - PI/BR, é resultado de uma formação teatral na vila de Santa Maria, Ilha do Sal - CV. Propõe valorizar a auto-estima do povo cabo-verdiano a partr de histórias colectadas dos moradores mais antigos da região, re-visitando os costumes, a musica a dança e promovendo uma Integração Social com os moradores de hoje. Água, é uma viagem a partr do modo de vida de um povo. Conta a história de pessoas que buscam a sobrevivência e para isso saem à procura do bem mais necessário para vida, a água. Sem perderem a fé, incansavelmente olham para o céu e seguem seus caminhos com perseverança e firmeza. Tem como interpretes os atores do grupo D’já de Sal, grupo de tradição teatral de longa data na Ilha do Sal.”

Durante o espectáculo ia perguntando-me como foi que esse grupo passou nos critérios de qualidade da direcção artística do Festival mas depois li no texto que nos entregaram antes do inicio da peça que este trabalho tinha sido preparado propositadamente para o Mindelact. Ah, agora entendi – pensei - quando foram escolhidos ainda não havia um vídeo do ensaio geral para que fosse possível reparar que esta peça não tem, nem de longe, a qualidade para estar no palco principal. Só pelo facto desta produção resultar de uma formação teatral na vila de Santa Maria (ilha do Sal), é ela que poderia fazer uma perninha no Off do Festival, mas palco principal, jamais. 




Outro sinal da qualidade do espectáculo é que do lugar onde estava consegui (quando ainda não estava a dormir) ver duas pessoas a abandonarem a sala. E olha que lá tinha outra saída que não conseguia ver. A primeira a sair ainda fingiu que ia atender o telemóvel e foi-se para não mais voltar. Já o segundo saiu na maior cara podre sem se preocupar com quem o observava. Foi nesta altura que temi uma debandada geral do Auditório do Centro Cultural do Mindelo. Teve alturas que pensei em seguir o exemplo mas tive que me conter por razões que nada tem a ver com a vontade de ver o final da peça e por isso fui daqueles que saíram frustrados com a falta de criatividade, dinâmica entre outras coisas.

Quando no final ouvi umas palmas mais fortes vindos das cadeiras atrás de mim, perguntei se eram familiares dos actores.

- Não – respondeu a pessoa ao meu lado – é uma claque que trouxeram do Sal com eles.

- Agora entendi.
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FICHA TÉCNICA

ENCENAÇÃO: Luciano Brandão (Brasil)

CENOGRAFIA: João Lima

DIREÇÃO SONORA: Luciano Brandão / Coletvo

DESENHO DE LUZ: César Fortes

OPERADOR DE LUZ: Odayr Delgado

OPERADOR DE SOM: Kykas

INTERPRETES / CRIADORES: Aldir Duarte, Carlos Fortes,

Lizzi Alves, Nelson Brandão, Sheila Fortes,

Stéfânia Duarte, Victor Silva

PRODUÇÃO: Victor Silva / Coletvo

CLASSIFICAÇÃO ETÁRIA: M/12

DURAÇÃO: 60 minutos, sem intervalo

IDIOMA: Cabo-verdiano e Português


10 de setembro de 2011

"Bodas de Sangue" enche os sentidos no arranque do Mindelact

Cartaz do "Bodas de Sangue"
A peça teatral “Bodas de Sangue” fez esta sexta-feira a abertura em grande do Festival Internacional de Teatro – Mindelact’2011. Com casa cheia, muita gente não se importou de ficar em pé para assistir no palco um texto inspirado nas reportagens jornalísticas de Federico Garcia Lorca encenado pelo experiente Grupo do Centro Cultural Português – IC, do Mindelo. O local escolhido para a abertura foi o Auditório do Centro Cultural do Mindelo que recebeu uma peça com nada menos do que dezasseis personagens que durante uma hora e meia demonstraram que “todo mundo cabe num teatro” e isso lhes valeu rasgados elogios dos espectadores presentes.



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Apesar de João Branco afirmar que não acredita que o público crioulo só goste de rir no teatro, nem mesmo ele se atreveu a encenar esta peça somente pela vertente tragédia grega. Mesmo as situações sérias do texto são entrecortadas por tiradas de humor que criam uma “onda de alegria” nos espectadores. É que o encenador, amante e conhecedor das artes cénicas, sabe por onde agarrar seu público e não deixou uma tragédia grega esticar por demais o poder de concentração da plateia. Mesmo sendo Mindelact uma escola de público com dezassete anos a apresentar qualidade o Grupo de Teatro do Centro Cultural Português soube explorar esta pitada de humor crioulo e representar uma adaptação de um dos maiores dramaturgos de todos os tempos e autor de várias obras.

João Branco
Mas este humor também pode ser considerado sorte, sorte por poder trabalhar um texto numa terra considerada bilingue. E esta possibilidade de um personagem falar 95% de uma frase em português e terminá-lo em crioulo cria esse humor que nem precisa ser forçado. Esta particularidade foi bem explorada para conseguir criar uma simbiose com o público.

Uma palavra de apreço a jovens talentosos actores que, não sendo revelações, demonstraram que há um manancial de prodígios nas artes cénicas para deixar qualquer crioulo com orgulho. Actores como Odair 'Bic' Fortes que possui um porte de galã de Hollywood e uma presença que enche o palco mostram toda a qualidade crioula no palco. Com outras oportunidades para tentar uma carreira no mundo da arte, hoje teríamos um ídolo ou um modelo que a nossa juventude se encheria de orgulho ao identificar-se. Claro que isso iria exigir-lhe mais trabalho a nível da dicção e alguma sintonia entre a mensagem e a postura corporal, porque, projecção de voz é com ele mesmo.

Luana Jardim (a empregada) ganhou logo a simpatia do público por abordar com bom humor o tema que mais nos faz rir no escuro: a sexualidade. Um trabalho bem conseguido tanto na expressão corporal como na representação das suas tiradas engraçadas. Muito boa actriz que espero ver num papel principal – se for de comédia melhor ainda. Outra grande interpretação da noite foi a da Maria 'Ducha' da Luz Faria (mãe do noivo) que conseguiu comunicar toda a intensidade da perda e a interpretou de forma esplêndida. Como se isso já não fosse habitual, diriam. Grande actriz e uma escola para os mais novos, inclusive os que estavam em palco nesta peça que demonstram potencialidades dignas de nota. Mas nem todos estiveram à altura. Amílcar 'Micau' Zacarias (o noivo), experiente actor, não conseguiu transmitir toda a carga dramática desta tragédia e não conseguiu convencer no seu papel.

Francisca Lima
Esta produção ainda contou com a participação da actriz portuguesa Francisca Lima (Mestre em Representação pela Escola de Teatro e Cinema de Portugal) que representou – e bem - o papel da noiva e que considerou esta uma grande oportunidade de trocar experiências com os actores crioulos e que fala da sua “surpresa agradável” por ver teatro, quase todas as semanas, no verão de Mindelo, algo fora do comum na Europa. “Vi que se faz coisas muito boas e vi também que a ideia que se tem de fora é um bocado errada porque há muita coisa que não passa nos meios de comunicação no meu país. Agora vou com a intenção de partilhar esta experiência com muitas pessoas de lá.”

Objectos cenográficos simples sem serem simplórios compõem um cenário limpo da peça. Quem não conseguiu o efeito pretendido foi o abat-jour de sangue que deveria dar um maior efeito ao drama. O trabalho de luz, apesar de ser feito pelo experientíssimo César Fortes, teve momentos que não foi bem conseguido com os actores a contracenarem num ambiente muito escuro, que podia desviar a atenção do público. Numa próxima oportunidade talvez veremos a peça com maior uso das luzes pontuais.

Di Fortes
A aposta na música ao vivo é contraditória. Se por um lado é inédito a presença dos músicos tocando clarinete e violoncelo e que trouxe um quê de diferente, por outro, a execução dos instrumentos não foi potencializada e explorada para criar um melhor ambiente cénico. Um desafio para Di Fortes para investir mais na direcção musical para a próxima apresentação.

Ainda na parte acústica, o Auditório do Centro Cultural do Mindelo tem deixado muito a desejar na qualidade sonora desde que foi remodelado. Claro que alguns actores mostram dificuldades na projecção da voz mas já deu para notar a fraca propagação do som para que o público possa entender todas as falas. 

Mais um excelente trabalho do Grupo de Teatro do Centro Cultural Português – IC que já vai na sua 46ª produção e que veio comprovar – se isso fosse necessário - o amadurecimento do público do Mindelact. Começámos bem!


9 de setembro de 2011

João Branco: Mindelact renova-se pela sua própria existência

João Branco
O coordenador geral do Mindelact - Festival Internacional de Teatro, João Branco, revela os segredos do sucesso de um dos maiores eventos teatrais da África e que já vai na sua 17ª edição. A capacidade de se recriar, digna da natureza do teatro, permitiu que o Mindelact torna-se numa escola dos agentes teatrais e do público que hoje é muito mais exigente. João Branco deixa em aberto a possibilidade do festival estender-se para outras ilhas e termina: “o Mindelact continuará de pedra e cal se eu sair”.


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O Festival Mindelact já vai na sua 17ª edição. O que esta nos traz de especial?

Em primeiro lugar e em especial é o facto de termos mais um Mindelact. Porque cada ano que se consegue manter um festival com estas características é uma grande vitória para nós. Esta é a única grande actividade cultural com dimensão internacional no país que não é organizada por uma empresa ou pelo Estado, mas sim por pessoas que estão simplesmente ligadas a uma associação. Para nós o destaque é continuarmos a resistir e a realizar o Mindelact de forma contínua e sem interrupções desde 1995 até esta data. Destaco também para as cinco co-produções em que o festival produz os espectáculos que estreiam no evento e o Ciclo Internacional de Contadores de Estórias.

Porquê esta extensão do Mindelact para a cidade da Praia?

Acreditamos que há um investimento muito grande para trazer determinadas companhias e que é preciso aproveitar a presença destas pessoas em Cabo Verde para se apresentarem noutros pontos do país. Conseguimos esta extensão porque o Centro Cultural Português/Instituto Camões decidiu abraçar este projecto de receber os espectáculos na capital e dar a oportunidade às pessoas que vivem na Praia de apreciarem teatro. Por outro lado, hoje em dia é desejável que se aproveite ao máximo a deslocação das companhias teatrais porque é muito complicado fazê-los chegarem ao país com todas as despesas próprias e disponibilidade de agenda e no fim ficarem somente por uma ilha.

Esta extensão foi uma aposta ganha?

Obviamente que sim ou não a teríamos repetido este ano.

Pretendem alargar o Mindelact para outras ilhas?

Tudo depende daquilo que chamamos de gestão de oportunidades: se um Município, instituição ou uma empresa mostrar disponibilidade em suportar os custos da realização dos espectáculos localmente, nós não temos problemas nenhuns com isso. Mas a iniciativa tem que partir desses locais e não do Mindelact.

O Mindelact é um festival elitista?

Não, porque um dos elementos fundamentais na escolha dos grupos e das peças a serem apresentadas é haver teatro para todos os gostos. Na programação deste ano encontra-se desde uma tragédia clássica, até uma comédia gestual ou um espectáculo que mistura todas as chamadas “artes do palco”, passando por um monólogo. Enfim, a nossa preocupação é que o público tenha uma espécie de caleidoscópio daquilo que se está a fazer um pouco por todo mundo. Quem estima o teatro vai certamente gostar de todos os espectáculos, porque no fundo só há o bom e o mau teatro. Nada mais.

Nesta edição temos um Centro Cultural do Mindelo de cara lavada…

Realmente a sala está muito mais agradável e acolhedora, mas também com alguns problemas técnicos. Por exemplo, a teia técnica que suporta as luzes sobre o palco foi modificada e isto dificulta mais o trabalho da iluminação das cenas. Recomendamos que ela seja revista numa próxima oportunidade porque não é a ideal para a execução de um bom desenho de luz para o teatro e para a dança.

Sentiram um maior engajamento do Ministério da Cultura no Mindelact agora com Mário Lúcio a tutelar a pasta?

Sem dúvida. Este governante já tinha dito uma vez – antes de ser ministro – que o Mindelact deveria ser considerado pelo Estado de Cabo Verde como património da nação pela sua importância e pelo que tem dado ao país, principalmente no domínio das artes cénicas. Este é o festival que coloca o teatro em Cabo Verde e de Cabo Verde no mapa-múndi e por isso acredito que Mário Lúcio está absolutamente engajado para - dentro daquilo que são as políticas públicas que têm que ser aplicadas no terreno - dar a devida atenção ao festival. Não conseguimos tê-lo aqui na abertura por motivos de agenda mas ele certamente só não virá cá fazer-nos uma visita se não puder. Aliás, em outras edições, ele já participou directamente no festival como dramaturgo e como nosso convidado, mas importa frisar que não esperamos qualquer tratamento privilegiado por conta disso.

Em Cabo Verde as associações nascem e morrem com muita frequência. Qual o segredo da longevidade do Mindelact?

O segredo é existir enquanto associação, ou seja, todos os nossos corpos sociais são eleitos e funcionam e as contas são apresentadas e avaliadas publicamente em sede de assembleia-geral. Esta forma de funcionar que deveria ser a natural, mas que é quase uma excepção, cria uma imagem que reflecte uma realidade de seriedade e comprometimento e este é um dos factores para mantermo-nos durante tanto tempo e conseguirmos várias parcerias.

E como surge este espírito de voluntariado das pessoas que trabalham no Mindelact?

A maior parte das pessoas que trabalham no Mindelact são aquelas que fazem ou que já fizeram teatro. Uma das principais razões para as pessoas se voluntariarem está relacionada com a grande festa das artes cénicas que este festival representa. São motivadas ainda porque desta forma podem ter livre acesso a todos os espectáculos e contacto directo com os artistas. Devo salientar que hoje vestir a camisola do Mindelact é um motivo de orgulho para quem o faz porque sabe o que isso trouxe para o teatro cabo-verdiano. Para muitos isto serve também para abrir-lhes portas e contactos e adquirir referenciais que de outra forma não teriam porque, acima de tudo, Mindelact é uma grande escola.

 
Porquê essa aposta na formação durante o festival?

Queremos potenciar ao máximo a presença das pessoas que aqui se apresentam. É um desafio aos agentes teatrais que tem um outro tipo de preparação e escola de poderem partilhar esta componente da formação que é muito importante para o desenvolvimento do nosso teatro. E a partilha para nós é fundamental por isso as oficinas foram pensadas como um outro canal para esta troca de experiências.


Ao fim de dezassete anos o Mindelact não corre o risco de tornar-se repetitivo?

Não, porque todos os anos temos essa preocupação de ter um espírito de inovação constante. O Mindelact renova-se pela sua própria existência porque essa é a natureza do teatro.

O Mindelact conseguiu criar um público mais exigente?

Certamente. Quando digo que ele é uma aprendizagem é porque é sobretudo uma escola do público. Os grupos locais nunca mais se podem apresentar em palco trabalhando mal ou pouco porque irão sofrer na pele as consequências disso através da crítica ou da ausência da assistência nas suas apresentações. Podemos constatar que o nível de exigência do público no Mindelo é incomparavelmente maior do que era antes de existir o festival. Isto é inquestionável.

Vai manter-se na coordenação geral do Mindelact? 
Até ao final deste festival, sim. Depois logo se vê. Já prometi a mim mesmo muitas vezes que não o faria mais por causa do sacrifício que é organizar este festival, mas obviamente a paixão acabou sempre por falar mais alto. Mas não sou só eu, há muita gente que trabalha comigo e que está nisso desde a sua fundação pelo que o Mindelact continuará de pedra e cal se eu sair.


Publicada (também) no Jornal A NAÇÃO N.º 210


8 de setembro de 2011

Paródia de São Vicente


ATENÇÃO: esta é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com a realidade é pura... realidade.

NOTA: este texto é uma paródia com o objectivo de ter humor...


História

Mindelo é uma das cidades (que se acha) historicamente mais importante de Cabo Verde porque em 1907 na passagem do príncipe real D. Luiz Filipe por estas ilhas deu-lhe uma real volta nas tripas e ele teve que vir de urgência para esta cidade a fim de fazer suas necessidades porque desde aquele tempo “Saocent ê sab pâ cagâ” (Em português arcaico traduz-se “São Vicent é bom para cagar”). Logo, se entende o porquê da escolha do príncipe. Enquanto isso, e porque (dizem) badio gosta de trabalhar mais do que as pessoas de São Vicente, lá aproveitaram para publicar na Praia um número único, especial, do Jornal de Cabo Verde para assinalar essa passagem.

Um crioulo muito preocupado com a situação da ilha
Mindelo também é muito conhecido por ficar entre concelhos menos importantes, como é o caso de Porto Novo (Santo Antão) e Tarrafal (São Nicolau), o que a faz parecer mais importante do que ela é na realidade. Ao contrário da ladainha dos mindelenses, a história da cidade é bem diferente da contada. A maior fonte de riqueza não provinha do Porto Grande, mas sim das (centenas de) prostitutas que a frequentavam. A prostituição era uma profissão assumida e legal onde todas as profissionais do sexo tinham que ser inspeccionadas pelas autoridades da ilha e só poderiam trabalhar mediante apresentação de uma licença.

Prostituição era também fonte de inspiração para grandes escritores da época como é o caso de Baltasar Lopes da Silva que se inspirou nas piranhas de ponta de cais para escrever “A Caderneta”, uma obra de ficção lançada em 1987 contendo 19 páginas. Algumas dessas prostitutas tornaram-se famosas na sociedade crioula.



Tradição

Existe uma estranha e misteriosa tradição das meninas de Mindelo que procuram marido de ficarem horas rodando a Praça Nova (Praça Amílcar Cabral) durante a noite e principalmente nos fins-de-semana. Ficam por semanas, meses ou anos dependendo da qualidade dos seus atributos (polpa e mama) a fazer o tradicional grogue num ir e vir interminável em volta da praça. Este costume que é passado de geração em geração está correndo sérios riscos de perder-se no tempo por causa dos gangs (grupos de desocupados violentos) que ameaçam deixar muita mulher para “titia”. Algumas solteiras já falam em se manifestarem.


Economia

Antigamente os gatos engordavam na gemada mas hoje os pobres felinos foram feitos cabritos à moda da Praia e por isso muitos jovens empresários só querem saber de fixarem-se na capital, a cidade da Praia.

A economia de São Vicente é muito baseada no tinha. A ilha tinha o maior complexo de frio do país onde armazenava peixes e outros congelados mas este pegou fogo e nunca mais foi reconstruído. Tinha fábricas de sapato e vestuário que fecharam e hoje os operários estão no desemprego. Tinha a intenção de receber grande número de embarcações no seu Porto Grande que já foi muito frequentado mas que hoje recebe poucos navios anualmente. Tinha o desejo de incrementar o turismo com vários vôos no Aeroporto de São Pedro mas na verdade recebe escassos voos internacionais por semana.

A única agricultura que o mindelense conhece é a de colher os enlatados das prateleiras das lojas. A ilha não vive do turismo porque os poucos brancos que se poderiam confundir com turistas europeus ou americanos em férias são uns crioulos mulatos que não gostam de apanhar sol. O comércio é insignificante porque falta uma parte essencial de uma transacção comercial: dinheiro.

Até agora tem sido um mistério da Humanidade descobrir como é que São Vicente consegue sobreviver.


Exportações

São Vicente é famosa por exportar gajos de caçubody para as outras ilhas e furacões para os Estados Unidos da América.

População

A população de São Vicente é composta por 40% de pessoas oriundas de Santo Antão e por 40% de pessoas de São Nicolau, que são as duas ilhas vizinhas. As restantes são os filhos destas pessoas que por causa desta peculiar mistura são conhecidos como “mascrinhas”. A Câmara Municipal e sua Assembleia Municipal, bem como todos os órgãos de poder local são governados na sua maioria por pessoas destas duas ilhas vizinhas mas enquanto isso os “mascrinhas” acham-se os mais espertos dos caboverdeanos.


Local de Diversão

Temos uma avenida, a Avenida Marginal (ou Calçadão das Banhas) que se tornou a última moda da cidade. É possível encontrar todas as pessoas gordas com umas gorduras para queimar nesta avenida depois do expediente fazendo fofoca exercício.

Mindelo ainda tem a maior concentração de bares e lojinhas (para vender grogue) do país. A distribuição é feita assim: uma casa, um bar…

Olha o tuba...! na Laginha.
A praia da Laginha é a mais amada e frequentada pelas gentes de Mindelo apesar de poucas pessoas das outras ilhas conseguirem encontrar beleza nela. O certo é que quem quiser que aproveite enquanto pode porque o ritmo de agressões que ela sofre e o roubo de espaço que irá sofrer deixará pouca margem para dar umas braçadas num futuro bem próximo.

A praia da Laginha é conhecida por ter muitos tubarões, mas não te preocupes que esses são daqueles que ficam na areia e só mordem as polpas das crioulas novinhas.

Nas zonas periféricas não há limite para música de mau gosto e todos os DJ’s experimentam suas músicas com as colunas de som ao máximo e colocadas na rua para todo mundo ouvir. E isso inclui acordar-te numa manhã de domingo as oito horas ao som de “Já Bo Kré Mas” de Dénis Graça.

A toda a hora tem um carro circulando com altifalantes enormes aos berros anunciando uma propaganda qualquer acompanhado da música do momento para o caso de quereres dançar nos passeios das ruas. E, como o centro da cidade leva cerca de cinco minutos para percorrer tens tempo suficiente para dar uns pés de dança. Em tempo de eleição então é pior.


Política

O último que acreditou nos políticos em São Vicente.
Todo o sãovicentino tem um parente na política ou conhece a família de algum político por isso as discussões governativas são literalmente guerras de comadres. Ter uma visão política diferente é sinónimo de ser do partido A ou B e os debates acabam quase sempre em briga.

O slogan de campanha preferido dos mindelenses é “Praia é capital, mas São Vicente é principal”, usado somente para competir com os santiaguenses.

 
Transportes

Autocarros com cadeiras apertadas, chinelas havaianas falsificadas e táxis que cobram frete dependendo do humor são os meios de transporte para conhecer a cidade do Mindelo em dez minutos. Se estiveres com pressa podes armar confusão que o 132 é chamado e o Serviço de Piquete da Polícia Nacional pode levar-te mais rápido. De sirene e tudo.


Curiosidades

Mindelo é considerado a Meca dos gays em Cabo Verde e todo o homossexual que se quer assumir vem primeiro aqui para ser aprovado pelos seus pares. Estatísticas demonstram que a zona de Fonte Filipe (arredores de Morada) produz 95% dos gays da ilha.

É no Carnaval de São Vicente que fica difícil distinguir quem realmente é gay de quem está somente fantasiado de mulher porque quase todo o ser do sexo masculino resolve vestir-se de mulher e passear de forma esquisita no meio das pessoas.

A Praça Amílcar Cabral, a principal da cidade, tem esse nome em honra ao maior herói nacional que lutou contra o regime colonial português mas curiosamente a praça só tem dois bustos e são de dois portugueses.

Todos gostam de passear nesta praça achando-se gente importante.

As pessoas de São Vicente demonstram grandes amizades e alegrias para com os visitantes na rua mas é melhor não esperar convite para conhecer sua casa. O motivo é segredo!


Cultura
As gentes de São Vicente acham-se os únicos donos da genuína cultura caboverdeana e todo mundo pensa que é artista.

Com os cortes de energia da ELECTRA...
A última invenção da ilha são os Mandingas que saem a dançar para anunciarem o Carnaval. O problema é que alguns desses mandingas gostam das coisas dos outros e por isso quando aparecem na zona os proprietários dos minimercados fecham logo as portas e esperam que termine a confusão.

O Carnaval de São Vicente é muito famoso e comparado com o do Brasil, onde os grupos percorrem o nosso sambódrome duas vezes. A primeira cheia de energia e beleza para o júri classificar e a segunda já ninguém tá nem aí para o público que foi ver a festa. Pelo menos no Mindelo o Carnaval começa só com quatro horas de atraso, bem diferente do Entrudo de São Nicolau que começa com um dia de atraso.


Educação

São Vicente é considerada a ilha universitária por causa dos seus vários estabelecimentos universitários, incluindo uma universidade que tem quatro salas e tem uma casa de banho unisex que é também o armário do guarda.

Os cursos são frequentados na sua maioria por jovens oriundos de Santo Antão, São Nicolau, Sal e Boa Vista. Os “mascrinhas” são a minoria nas universidades da sua ilha mas acham-se sempre os mais espertos de todos.


Culinária

Pratos típicos: pão com chá, bolacha com chá e bife de caneca (bolacha com chá e pão).


Heróis

Capitão Ambrósio – um assaltante (que nem capitão era) de armazéns que a 7 de Junho de 1934 liderou vários assaltos aos armazéns da Alfândega e de outras tantas casas comerciais e que apesar da Policia estar no seu encalço conseguiu rodar o Sambódrome de Morada com uma bandeira negra, como se fosse uma rainha de bateria das escolas de samba do Brasil. Daí a ficar imoratlizado num poema do poeta Gabriel Mariano de nome “Capitão Ambrósio” foi um passo.


Mi ê dod n'Saocent!!!
  



5 de setembro de 2011

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1 de setembro de 2011

Inocêncio: O que correu mal em São Vicente?

Todos os candidatos às Presidenciais de 2011 têm ligação com São Vicente, mas Manuel Inocêncio Sousa (MIS) tem mais por ser “nascido e criado”, como gostam de dizer os ,mindelenses de sete costados. Mesmo assim, perdeu feio. Alguma coisa correu mal…
Manuel Inocêncio Sousa


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Além dos atributos acima apontados, MIS tinha ainda um outro trunfo, o de ter representado São Vicente como deputado da Nação desde 1991, fora o facto de nos últimos 10 anos ter sido sempre o braço direito de José Maria Neves. O certo é que diferentemente de Aristides Lima que na primeira volta esmagou a concorrência na Boa Vista, MIS não conseguiu igualar a proeza e foi derrotado no seu próprio chão natal mesmo depois de lembrar a todos que é “menine de sãocent”.

Jorge Carlos Fonseca (JCF) é, como todos sabemos, o novo Presidente da República de Cabo Verde. Lutou muito nesta campanha, especialmente em São Vicente onde na primeira volta não conseguiu ganhar a MIS. Mas bastaram-lhe duas semanas para reverter o quadro, convencendo os “sãovicentinos” que ele “representava a estabilidade” e por isso merecia seu voto. Um trabalho bem feito que veio provar que a máquina do MpD “está bem, obrigado” na ilha e que por isso venham os novos embates.

A HISTÓRIA DO LOBO MAU

Depois de identificar Aristides Lima como o alvo a abater para passar à segunda volta, MIS teve pouco tempo para desmontar uma bela história contada por JCF e seus apoiantes. Nesta narrativa, MIS aparecia como um “pau-mandado” de José Maria Neves e que ele como Presidente seria somente uma extensão do Governo, liderado por um “ditador” que queria impor seu candidato contra a maioria e colocar todos os ovos no mesmo cesto.

Como bónus, MIS ainda representava o papel do ministro das Infra-estruturas que, alegadamente, pouco ou nada fez por sua ilha, concentrando os recursos na ilha de Santiago, eterna rival dos mindelenses. Desta forma, quinze dias viriam revelar-se insuficientes para desmontar a história com bons atractivos para um eleitorado eternamente descontente com o poder central, por isso muito influenciável a esse tipo de argumento. De tal modo que, em duas semanas MIS passou de filho querido a filho ingrato.

INDICAÇÃO DE VOTO A CONTRAGOSTO

Neste xadrez é bem provável que os apoiantes de MIS tenham pensado que os 21,6%
MIS não conseguiu ganhar na sua ilha
(porcento) mobilizados por Aristides Lima em São Vicente iriam, automaticamente, voltar-se para o candidato apoiado pelo PAICV, à semelhança de Filesberto Vieira, Júlio Correia e Sidónio Monteiro, que, muito a contragosto, diga-se, sem qualquer ponta de entusiasmo, lá cumpriram a obrigação de indicar o voto no seu “camarada” Inocêncio. Se sim, muito mal fizeram, pois JCF deu a volta ao texto, conquistando na segunda volta o voto de 13509 eleitores (54,72%) contra os 11178 (45,28%) de MIS em São Vicente.

Muitos elementos da equipa de Inocêncio na ilha alegam que não podem ainda fazer uma leitura “a quente” do que se passou mas alguns apontam a “ingratidão” do povo de São Vicente e fazem comparação com a Boa Vista. “Aristides Lima foi acarinhado pela sua ilha e conseguiu uma extraordinária vitória de 74,2% na primeira volta. Enquanto isso, nós em São Vicente que nos achamos intelectualmente e culturalmente superiores temos dificuldades em votar numa pessoa da nossa ilha”, lamenta um dos elementos da equipa de campanha de MIS.


FACTOR UCID

Outro pormenor que terá pesado na derrota de MIS é o facto do presidente da UCID, António Monteiro, ter declarado apoio a JCF depois que o seu candidato AL ter ficado na primeira volta. A UCID, que tinha conseguido cerca de dez mil votos nas últimas Legislativas (de 6 de Janeiro), desde o inicio da campanha tinha declarado que o apoio a MIS estava fora de questão. Deu liberdade de voto aos seus militantes mas Monteiro foi logo avisando que iria votar JCF. Terá tido pouco ou muita influência?

Como foi dito por uma das nossas fontes, ainda a leitura está “a quente” para se ter uma resposta. Mas a verdade é que São Vicente mudou o sentido de voto em duas semanas e nem o domingo chuvoso que ajudou na abstenção de 45,6% pode explicar a rejeição a MIS. Resta esperar pela “análise serena” e que esta talvez mostre onde a estratégia de MIS errou na sua ilha natal em favor do seu adversário.


CERTEZA

Uma coisa é certa: tão cedo os mindelenses não vão ver um outro filho seu, “nascido e criado”, à beira de se instalar no Palácio do Platô.

Podem, se quiser, contentar-se com o seu outro filho, Jorge Carlos Fonseca, cujas raízes estão mais fincadas em Santiago. Para o gáudio dos mindelenses, pode ser que isso lhes sirva de consolo.

Ou, talvez, achem que isso é o que menos importa na hora de escolher o Presidente da República, já que “nós tud é criol”.



Publicada (também) no Jornal A NAÇÃO N.º 208




 
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