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| Cartaz de "Desabafo" |
Pode ser que seja porque tive que esperar mais de quarenta minutos para ver uma peça de cinquenta, mas o certo é que não gostei do que vi. Reconheço que se deve valorizar jovens empenhados na promoção amadora do Teatro, mas é obra quando dois grupos se juntam para co-produzirem algo de tão fraca qualidade como foi “Desabafo” do grupo teatral Craq’Otchod e do Atelier TeatraKacia. Apresentado esta quarta-feira (17) no Centro Cultural do Mindelo, a peça procurou retratar “Vera Lúcia, uma mulher moderna e independente financeiramente que num belo dia acorda sem vontade de ir trabalhar, e quase que num monólogo interactivo com um personagem imaginário, ela relembra o seu primeiro amor”.
| Idalétson "Idá" Delgado |
A verdade é que “Desabafo” deveria rever seu conceito de “musical” porque corre o risco de descaracterizar este género de arte. Nem de longe esta peça poderia se auto-intitular como tal só porque a Ivone Santos (Vera Lúcia) canta uma música e o outro actor toca guitarra nalgumas cenas. Para ser considerado um musical teria que ter estas características:
Um musical tem normalmente por volta de vinte a trinta canções de vários tamanhos (incluindo uma reprise e adaptação para coral) entre as cenas com diálogos. Alguns musicais, entretanto, têm canções entrelaçadas e não tem diálogos falados.
Existem três componentes para um musical: a música, interpretação teatral e o enredo. O enredo de um musical refere-se a parte falada (não cantada) da peça; entretanto, o "enredo" pode também se referir a parte dramática do espectáculo. Interpretação teatral se relaciona as performances de dança, encenação e canto. A música e a letra juntas formam o escopo do musical; as letras e o enredo são frequentemente impressos como um libreto.
Outra coisa. Porque é que caracterizam a peça como um monólogo quando existem duas personagens que contracenam, dançam e falam entre si? Isto não está certo quando:
Em teatro ou oratória, um monólogo é uma longa fala ou discurso pronunciado por uma única pessoa ou enunciador. O nome é composto pelos radicais gregos monos (um) + logos (palavra, ou idéia), por oposição a dia (dois, ou através de) + logos.
Monólogo é a forma do discurso em que o personagem extravasa de maneira razoavelmente ordenada seus pensamentos e emoções, sem dirigir-se a um ouvinte específico.
No Monólogo é comum que os atores rebusquem pensamentos profundos psicologicamente, expondo ideias que podem até transparecer que há mais de um actor em cena, mas que no real exijam somente uma pessoa durante a cena. Enfim, monólogo está associado a um conflito psicológico que não necessariamente é individual.
Pode-se, então, considerar “Desabafo” como um trabalho de interpretação muito sofrível da Ivone Santos (Vera Lúcia) que representa os vários estados de espírito da personagem sem muita emoção e brilho. As paragens para mudança de figurino são excessivas e muito aborrecidas. O segundo actor, Luís Baptista (Cantor), deixa muito a desejar quando larga a guitarra para interpretar sem à-vontade no palco.
A encenação de “Idá” não foi bem conseguida ao permitir que os actores tivessem uma performance daquelas no palco.
Em poucas palavras: não gostei. Mesmo sabendo que esta peça será interpretada no FESTLUSO – Festival de Teatro Lusófono, no Brasil.
FICHA TÉCNICA
Co-produção: Grupo Teatral Craq’Otchod & Atelier Teatrakácia
Dramaturgia: Idalétson Delgado & Ivone Santos
Encenação: Idalétson Delgado
Elenco: Ivone Santos & Luís Baptista
Música ao vivo: Luís Baptista
Direcção Musical: Luís Baptista & Idalétson Delgado
Técnica de Luz: Abdulay Santos
Coreógrafo; Rudson
Figurinos: Colectivo
Cenografia: Colectivo
Iluminação: Abdulay Santos
Sonoplastia: Idalétson Delgado & Luís Baptista
Duração: 50 mn


agosto 18, 2011
Dai Varela










