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4 de junho de 2014

Meu livro "A fita cor-de-rosa" na imprensa


A notícia sobre o meu livro "A fita cor-de-rosa" "correu o Mundo" através de jornais onlines e outras plataformas digitais, rádios (Rádio Nacional de Cabo Verde, Rádio Educativa e também RCVMais) e Televisão de Cabo Verde.









































Ana Cordeiro: É na ambiguidade e humor retorcido que reside originalidade e qualidade de "A fita cor-de-rosa"


Durante o lançamento do meu livro infanto-juvenil convidei duas pessoas queridas: Ana Cordeiro e Neu Lopes para fazerem a apresentação da obra e do autor.

Agora coloco aqui o discurso da Dra. Ana Cordeiro, proferido no Auditório do Centro Cultural do Mindelo, na terça-feira (3), e que me deixou muito feliz. Muito agradecido pela interpretação da obra:


(da esquerda) Neu Lopes, Daivarela e Ana Cordeiro no lançamento do livro "A fita cor-de-rosa"

Quero começar por agradecer ao autor o convite que me fez para participar nesta sessão de lançamento e para o felicitar. Felicitá-lo em primeiro lugar por ter escrito este conto, já internacionalmente reconhecido, mas, sobretudo, felicitá-lo por ter conseguido trazer a bom porto aquilo que é a tarefa mais difícil para um autor, a publicação do seu livro. É verdade que com uma pequena tiragem, mas aqui está ele, em papel couché, a cores e ao vivo. Esta dificuldade não é de agora, parece ser a sina de todos ou praticamente de todos os escritores cabo-verdianos nos últimos dois séculos.

Nem a introdução da imprensa em meados de oitocentos, a criação do Instituto Cabo-Verdiano do Livro no pós independência ou, mais recentemente, a edição digital e o sistema de print on demand, conseguiram pôr um fim às enormes dificuldades que se apresentam à edição em Cabo Verde.

Em Agosto de 1884, Guilherme Dantas, em anúncio saído no Boletim Oficial de CV, anuncia ter à venda por 240 réis, o primeiro folheto da obra Embriões. Em Outubro, faz uma nova tentativa repetindo a publicação do anúncio. Em Maio de 1886 surge um novo anúncio mas, desta vez, pedindo apoio para a edição do livro Noites de Cabo Verde. Poesias. Só 120 anos depois, o seu livro de poemas é editado, mas infelizmente o primeiro título desapareceu tal como desapareceram obras de Joaquim Maria Augusto Barreto, Luís Medina e Vasconcelos e Maria Luísa Sena Barcelos que se sabe terem deixado manuscritos prontos para serem publicados mas que, por tal não ter acontecido, até hoje estão perdidos. Apenas quem tinha dinheiro para financiar a impressão das suas obras, em Portugal, conseguia vê-las publicadas. Os outros, ou guardavam os seus trabalhos no fundo de uma gaveta ou, na melhor das hipóteses, lá iam publicando em jornais e almanaques.

Só no séc. XX, em 1916, se publicam as primeiras obras literárias em Cabo Verde, por sinal, poemas de Eugénio Tavares (Amor que Salva e O Mal de Amor). Depois e até praticamente finais do século, contam-se pelos dedos os livros impressos aqui nas ilhas. Entre o início dos anos 90 do séc. XX e finais da primeira década deste século, o panorama editorial parece mudar, surgem editoras privadas, há interesse dos leitores e até algum apoio público à edição, mas nos últimos anos parece que voltamos às dificuldades de antigamente. Para se publicar um livro, editoras e autores necessitam recolher apoios e boas vontades, pedir subsídios empresa a empresa, fazer venda prévia a amigos e desconhecidos. Felizmente os nossos jovens escritores não baixam os braços. Usam as redes sociais, fazem como neste caso a impressão de um reduzido número de exemplares e usam as livrarias digitais, como a Amazon para vender os seus livros. Por isso, mais uma vez as minhas felicitações ao Odair Varela Rodrigues, por não ter baixado os braços.

"A fita cor-de-rosa" é uma fábula, um dos géneros literários mais antigos, presente em todas as culturas humanas e em todos os períodos históricos. São obras profundamente enraizadas numa antiga sabedoria popular e na tradição oral. Por isso mesmo, é do verbo latino fabulare, que significa conversar, narrar, que provém a palavra fábula, tal como o substantivo fala e o verbo falar. E foi assim, através da fala, transmitidas de geração em geração, que as fábulas chegaram até nós, reavaliadas, adaptadas, reescritas, por diferentes gerações de escritores.

Como com certeza se lembram, a grande maioria das fábulas tem como personagens animais que falam e que representam/encarnam as características mais marcantes da natureza humana. São pequenas narrativas que servem para ilustrar os nossos humanos vícios e virtudes, e que sempre terminam com uma lição de moral. É desta tradição que nos vem o hábito de querer buscar uma explicação ou uma causa para as coisas que acontecem em nossa vida ou na vida dos outros, ou de tentar tirar delas algum ensinamento útil, alguma lição prática.

Embora as fábulas não tenham sido criadas para crianças, mas sim para um público alargado, são hoje obras fulcrais da chamada literatura infantil. Em parte, porque respondem às exigências didáticas da educação das crianças mas também, pela grande recetividade que sempre tiveram junto delas. De facto, enquanto histórias exemplares, que apelam ao imaginário da criança, possuidoras de um ensinamento moral claro e facilmente assimilável por elas, têm-se revelado um elemento essencial na literatura infanto-juvenil.

Esta ideia de uma literatura, feita especialmente para crianças, é muito recente na história da literatura em geral. Só a partir do século XVII, mais exatamente com a publicação de Fábulas e As Aventuras de Telémaco, escritas por Fénelon, tem início uma produção literária dirigida a crianças. Isto é resultado de uma nova forma de ver a criança, que deixa de ser considerada um adulto em miniatura para começar a ser vista como um ser com características diferentes. Surge a conceção de criança como um ser inocente que precisa ser protegido do mal que existe no mundo adulto e precisa ser educada para se poder integrar nesse mundo.


Ora a pergunta que vos coloco é a seguinte: a quem se destina o conto de Odair Varela Rodrigues? Estamos perante um livro para crianças, para jovens, para adultos, para todos?

À primeira vista, diríamos sem qualquer hesitação, que se trata de uma obra destinada a crianças. Se folhearmos o livro, encontramos os elementos habituais na literatura infantil. Temos as ilustrações, as belíssimas ilustrações de Rogério Rocha, temos o tamanho e o tipo de letra, temos o ritmo e a musicalidade das frases que provêm da repetição de sons, da rima variada, temos o nome dos personagens, temos o imaginário, temos a ação...

Depois, numa segunda vista, começamos a encontrar alguns elementos não infantis. A temática da morte, da traição, da luta pela sobrevivência, são, por norma, assuntos que não consideramos adequados a crianças e contudo, as histórias infantis tradicionais assentam nestas temáticas: a bela adormecida mandada matar pela madrasta, as crianças engordadas com chocolate para serem comidas pela velha bruxa, o Capuchinho Vermelho comido pelo lobo mau. Mais próximo do conto A fita cor-de-rosa, encontramos na tradição oral das ilhas a história de Blimundo, boi valente que enfrentou o poder do rei e que acabou morto, traído por inocente criança.

A alegria e o bom-humor foram constantes na apresentação 

Mas afinal não estará neste livro tudo o que gostaríamos de ensinar aos nossos filhos? Não precisam - e logo quando entram na escola primária - de saber como enfrentar o abuso de poder que os mais fortes exercem sobre os mais fracos? Não precisam estar preparados para a crueldade com que as crianças troçam umas das outras?

Não precisamos prepará-los para a necessidade e inevitabilidade da morte?

Não é verdade que temos de lhes ensinar que as aparências são enganadoras? Que devem desconfiar de tudo, mesmo ou sobretudo quando a realidade se cobre de fragilidade e beleza?

Não precisamos ensinar-lhes que a nossa necessidade de amar e ser amados é também a nossa maior vulnerabilidade? Uma fragilidade que tal como escreve o autor nos deixa a alma exposta?

Não gostaríamos de ensinar às nossas filhas que não devem deixar-se enganar por gatos de lindo e empertigado ronronar que lhes dizem tudo o que o seu coração deseja ouvir mas que não passam de miados de ladrão?

Não gostaríamos de ensinar os nossos filhos a desconfiarem de mulheres frágeis e belas, quais pombas coloridas, caça desejada que deixa um vazio no estômago de sentir dor, mas que afinal são capazes de urdir teias de engano e traição?

Acima de tudo, não precisamos de os ensinar a estar de sobreaviso em relação aos poliglotas? Homens e mulheres que sabem falar à nossa vaidade e ao nosso coração, dizendo as palavras que mais desejamos ouvir? Pô-los de sobreaviso em relação a políticos e iluminados que nos fazem sonhar com maravilhosas utopias?

Na verdade, se a modalidade de escrita utilizada – fábula – parece apontar para um público infantil, a falta ou a ambiguidade de um claro ensinamento moral a ser retirado no final do conto parece apontar para um público jovem ou adulto.

A história tem uma conclusão, sim. E passo a ler:

Agora na nossa ilhota sem gente
Reina um cão poliglota e valente


Mas será o final claro, fechado? Que aconteceu à gata Li-Rau? Foi apenas o seu reinado que terminou ou também a sua vida?


E qual a moral da história? É ela evidente para uma criança? Que ensinamento daqui retiramos? Que o tempo em que os descobridores chegavam às ilhas desertas já terminou? Que os ratos, gordos de tanto pensar e mancos de tanto descansar têm os seus dias contados? Que devemos desconfiar de pombos belos e coloridos? Que não nos devemos apaixonar por desconhecidos? Que devemos fugir de cães poliglotas?

Como há pouco referi, não são os temas tratados nas histórias exemplares que fazem a distinção entre públicos. O que verdadeiramente os distingue é a clareza do ensinamento e da conclusão que deles se pode retirar. Mas este é um conto sobre a natureza humana. Haverá assunto mais complexo e mais ambíguo do que este? Como explicar a natureza simultaneamente predadora e solidária do ser humano? Como explicar que a atração que temos pelo belo e a capacidade que temos de amar convivem no mesmo coração que é capaz de trair, atropelar e enganar os que se atravessam no nosso caminho?

E que dizer dos versos que piscam o olho à literatura das ilhas?:

E o mar... ah, o mar lá perto a farfalhar,
como que a lembrar que da ilhota
não havia forma de escapar


É nesta ambiguidade e no humor um pouco retorcido do autor que reside a originalidade e qualidade do livro. É nesta aparente inocência e simplicidade com que retrata a natureza humana e com que ao de leve aflora e história e a cultura desta ilhota deserta que está a beleza, a complexidade, e o mistério que encerra. E se este livro for capaz de despertar a curiosidade e as perguntas das crianças e dos jovens, e se obrigar os adultos a refletir antes de responder, terá cumprido integralmente a sua missão junto do seu público que, afinal, somos todos nós.


É isso que o Neu Lopes pensa de mim - apresentação do meu livro "A fita cor-de-rosa"


Durante o lançamento do meu livro infanto-juvenil convidei duas pessoas queridas: Ana Cordeiro e Neu Lopes para fazerem a apresentação da obra e do autor.

Agora coloco aqui o discurso do Neu Lopes, proferido no Auditório do Centro Cultural do Mindelo, na terça-feira (3), e que me deixou muito feliz. Muito agradecido nha broda:


(da esquerda) Neu Lopes; Dai Varela e Ana Cordeiro na apresentação do livro "A fita cor-de-rosa"

Sinto-me honrado por ter sido escolhido pelo meu amigo e colega Odair, Dai Varela para fazer parte deste momento importante da vida dele. 

Na verdade sinto-me duplamente honrado porque se trata de uma obra com a assinatura de dois amigos meus; o Odair, Dai, que conheci na Universidade Lusófona de Cabo Verde mas que para mim é como se fosse um amigo de longa data e o Rogério, o Roger, que é um velho amigo, desde os tempos de trocas dos livros de banda desenhada que armazenávamos em caixotes guardados geralmente em baixo de nossas camas.

O Rogério foi desde sempre um grande desenhador, criativo e com veia de designer, ou não seria ele, na minha humilde opinião, um dos maiores designers que conheço. Num país em que a B.D. é ainda uma aventura e as publicações infanto-juvenis podem ser contadas a dedos, a ilustração é uma saída inteligente, sobretudo no domínio desse género literário. Daí o meu respeito e admiração para o meu amigo e artista Rogério Rocha que ainda tem à frente um futuro brilhante. Aliás, o conto de Odair Varela é inteligentemente ilustrado pelo Rogério, com personagens bem caraterizadas e expressivas, para além de ambientes e cores bem definidos, como manda o figurino.

Mas no presente, hoje, é momento de falar deste outro meu amigo aqui a meu lado, Dai Varela. Digo que é digno da minha admiração e respeito aquele que se juntava a mim na universidade para reivindicar os nossos direitos, chamar a atenção dos colegas para que fôssemos referência dentro e fora da universidade. Unidos também pela paixão pela escrita e pela blogosfera num momento em que se atiçavam as opiniões críticas às questões sociais culturais e outras demais criamos o nosso blog universitário que, durante muito tempo, era querido por alguns e temidos por outros. Paralelamente assegurávamos matéria para os nossos blogs pessoais; eu com o “Boca de Tubarão” e o Odair Varela com o “Dai Varela – Crioulo n’Descontra”, ao lado de resistentes e desistentes entre Café Margoso, Blog do Hiena, Bianda, Esquina do Tempo, Plurim, entre outros.

Quanto mais não seja, a vontade de escrever de Odair Varela, aliada à sua preocupação com factos da vida real mindelense e cabo-verdiana, também a um humor e, por vezes, sarcasmo caraterístico fizeram de “Crioulo n’Descontra” um dos mais acessados blogs de Cabo Verde, contendo artigos com centenas e milhares de visualizações, reações e comentários. 

“Crioulo n’Descontra” é um fenómeno que desafiou cabo-verdianos aqui e na diáspora a escreverem ficção. Uma aventura que só corajosos como Dai Varela conseguem levar a bom porto.

O público parece concordar com todos os elogios, kkkkkk

E agora mais um atrevimento: o lançamento de um livro infantojuvenil, como obra de apresentação – uma grande responsabilidade para com um público-leitor muito exigente – as crianças. 

Contudo, não se trata do primeiro conto de Odair Varela e nem do único género que escreve. Dai Varela é um cronista com um humor refinado e atento a muitos males sociais. Por outro lado sabe reconhecer o trabalho dos outros fazendo com que as obras sejam conhecidas através do seu blog em artigos bem estruturados. 

Lembro-me do Odair ter-me enviado uma vez uma peça de teatro, cheio de humor, é claro, para analisar. Lembro-me também de vários contos, alguns publicados no seu blog.

Portanto não me surpreende que o autor tenha escrito este conto que temos agora o prazer de ler. Um conto infantil fora do comum, sem uma moral final e bem definida e sem o clássico de Grimm “e viveram felizes para sempre”. Um final cru e definitivo que deixa no ar muitas perguntas: o que aconteceu depois? Será o conto um círculo da vida? Será que o autor queria mostrar às crianças que a vida não é um conto de fadas? É um alerta sobre a nossa dura realidade oportunista e cruel? Bom isso fica ao critério das crianças, dos pais, dos leitores. 

E numa época em que as novas tecnologias, não substituem mas tomam conta dos espaços outrora ocupados apenas por livros, Odair Varela joga pelo seguro, pondo seu livro à venda na Amazon. Assim, os leitores poderão escolher entre uma versão digital para plataformas digitais e uma impressa que será entregue no domicílio.

Mindelo agradece, Cabo Verde agradece, as crianças agradecem. A partir de agora sei mais uma história para contar minha filha ao deitar-se. Uma exigência de muitas crianças, mesmo tendo acesso a vários canais infantis e juvenis, internet, tablets e toda essa panóplia de gadgets e tecnologias que por aí proliferam.

Há um longo caminho a percorrer e muito para aprender, mas faço votos que, com humildade, perseverança, força de vontade, coragem e muito trabalho, Odair Varela, com a sua peculiar forma de escrever, venha a ser, num futuro próximo, uma referência na literatura nacional.

E para finalizar a minha intervenção dou os meus parabéns ao jovem jornalista, agora também escritor que marca um feito: um livro que se esgota antes do seu lançamento, obrigando o autor a pensar já numa segunda edição.

Um bem haja ao Odair Varela. Sucessos e que venham mais!

31 de maio de 2014

Foi assim que fiz meu livro "A fita cor-de-rosa"


O meu livro “A fita cor-de-rosa” nasceu numa manhã após uma noite inteira ao trabalho como recepcionista num dos hotéis de Mindelo. Cheguei em casa e minha irmã Letícia estava a remodelar a casa e era meu amigo que fazia o trabalho de abrir buracos na parede. O barulho me incomodava tanto que não conseguia dormir. Na altura chateei-me com eles mas, olhando para trás e o resultado agora, só tenho a agradecer o facto de não me terem deixado dormir. O conto foi escrito todo naquela manhã. Incluindo as personagens que até hoje me pergunto de onde é que desencantei tais nomes. Até eu acho esquisito nomes como “Li-Rau Mau-Mau” ou “Li-Bai, o Pombo Pomposo”.

Capa final do livro "A fita cor-de-rosa" (quando o vires nas livrarias podes comprar, ok)

O primeiro lugar onde publiquei o conto foi no meu blogue. Minha irmã Nitcha disse-me se não tinha medo que alguma pessoa o copiasse para publicar. Respondi que, tendo em conta as dificuldades por que passava para encontrar financiamento para publicação, seria até uma certa alegria ver o texto em formato papel (mas depois me lembrava que teria outra pessoa a se passar pelo autor e mudava de ideia). Os incentivos para o tornar um livro surgiram de várias pessoas por isso resolvi perseverar na engenharia financeira. Entrei em contacto com o ilustrador, Rogério Rocha, e este aceitou fazer as ilustrações por um preço justo. Meu amigo Ivan Spencer, da produtora Imagina, Lda disponibilizou-se para paginar o livro. Imprimi no Mindelo em papel duro, recortei e encadernei sozinho. A primeira oferta foi ao Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, para ver se ele o lia e quem sabe sentir uma vontade incontrolável de o financiar (acho que não leu porque senão o teria apoiado). Fiz um projecto bonito e sai à procura de patrocínios ou apoios. Nada. Melhor, muitos elogios mas dinheiro que é bom, nada.

Uma das primeiras versões do livro encadernado por mim e oferecido ao
Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca. Espero que o tenha lido.

O livro, com 36 páginas, foi a concurso na Biblioteca Nacional de Cabo Verde e foi preciso esperar um ano para ficar a saber que não iam colaborar na sua publicação. Entretanto, o livro foi distinguido com uma das duas “Menções Honrosas” no Concurso Lusófono de Trofa – Prémio Matilde Rosa Araújo 2013, entre 252 outros textos de vários países. Foi, ainda, seleccionado pelo Ministério da Cultura, através do Ministério da Juventude, para ser apresentado na VI Bienal de Jovens Criadores da CPLP, no Brasil. Uma bela experiência que serviu para conhecer a criação dos jovens da lusofonia e adquirir contacto com outras culturas, essencial para quem quer ser criativo.

Boa primeira opção

Pelo caminho encontrei um site que faz impressão por encomenda. Aproveitei para fazer quatro exemplares mas vi que não compensava imprimir desta forma: se imprimisse uma grande quantidade o preço unitário seria mais barato mas as despesas de transporte seriam grandes; se fizesse poucas unidades o preço unitário ficaria muito alto. Decidi usar esses quatro livros para procurar financiamento. 

A primeira impressão por encomenda do livro "A fita cor-de-rosa"

Tempos depois apresentei o livro à empresa nacional de combustíveis, Enacol, e fizeram uma encomenda de 170 exemplares para distribuir às crianças em várias ilhas de Cabo Verde. Quem também se prontificou de imediato foi a empresa Life Anew (Sail Cape Verde) que encomendou 50 exemplares para oferecer às crianças em situação de risco do Centro Juvenil “Nhô Djunga”, no Mindelo. Mas como tinha que imprimir em Portugal e precisava trazer os livros, solicitei a TACV o transporte e logo sua Delegação Regional Norte aceitou fazê-lo de graça como forma de patrocínio.

Às empresas que acreditaram no projecto do livro "A fita cor-de-rosa", o meu profundo reconhecimento

Despesas imprevistas

Parece fácil mas não foi. Ao enviar o livro para orçamentar os 250 exemplares na gráfica aprendi que não se deve gravar as páginas em "spreed" antes de mandar. Este pequeno erro fez com que me enviassem um orçamento 20 mil escudos abaixo do preço real. Quando mandei o ficheiro final tive que desencantar mais duas dezenas de contos não previstos. Com os exemplares prontos, nova surpresa: na Europa qualquer carga tem que passar por um transitário antes de embarcar no avião. Resultado: mais 17 mil escudos não previstos para a encomenda sair das terras lusas (novamente contei com o apoio da TACV para reduzir os custos). Já com os livros em São Vicente fui comunicado pela Alfândega que teria que pagar 30% sobre o valor orçamentado na gráfica mais o frete do transitário. Ainda seria aplicada a Taxa Comunitária que é de 0,5% sobre o custo mais o frete. Caso o volume fosse enviado para um despachante teria que pagar mais seus honorários e despesas. O valor deveria rondar os 18 contos mas disseram-me que minha sorte era que livros não pagam IVA ou direitos aduaneiros. Ainda brinquei com a senhora e lhe disse que, depois de todas estas despesas, se não ficar rico com a venda dos livros já não sei como é que será. 

O livro está à venda online para ser entregue na sua casa

No final descobri uma das maiores lojas onlines do Mundo, a Amazon.com, e consegui publicar meu livro com uma certa facilidade. Neste momento o livro está à venda por 3,65 dólares e com mais as despesas de envio pode chegar a casa de qualquer pessoa. Apenas tenho que me preocupar com a minha comissão porque da impressão e envio tratam eles. E ainda é possível comprá-lo apenas no formato digital para se ler nos dispositivos móveis.

A versão digital do livro "A fita cor-de-rosa" pode ser adquirido aqui

O livro se encontra esgotado (um bestseller crioulo, kkkkk) mas se não fosse pelas despesas imprevistas teria possibilidade de fazer nova edição. Mas agora vou apostar na venda online e a impressão por encomenda para dar resposta aos vários pedidos que tenho recebido. Quem sabe não aparece um mecenas cultural disposto a apostar neste projecto e consiga fazer a obra chegar a milhares de crianças, jovens e adultos por este Mundo.

Ganhei um pouco de experiência nesta fase. Hoje sei um pouco do caminho a percorrer para produzir um livro sem editora e sei também publicar meu livro online. Muito agradecido por todos aqueles que deram seu contributo para tornar este meu sonho realizado.

Agora fico à vossa espera para a apresentação (quase não terá coffee-break):

Olha eu 'bunitinho' na foto do cartaz de apresentação do livro


Até a próxima aventura...

14 de dezembro de 2013

Cabo Verde mostra seus talentos na VI Bienal de Jovens Criadores da CPLP no Brasil


A cultura do arquipélago esteve em destaque na Bahia (Brasil) de 3 a 7 de Dezembro na VI Bienal de Jovens Criadores da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP). Com a apresentação de danças, literatura, pintura, moda e música, os nove jovens criadores que partiram para esta Bienal para se reunirem com mais de 220 outros oriundos de Portugal, Timor Leste, Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe, para além do Brasil, estiveram em intensa troca de experiências com novas culturas. 

Cabo Verde em destaque no Brasil

Esta Bienal é feita com o tema “Política de Juventude e Cultura Livre” e tem os jovens como agentes de direitos na transformação dos seus países. Trata-se de uma procura do fortalecimento e a integração de redes de juventude e de cultura para uma maior participação da juventude.

Odair Varela (a esquerda) apresentado seu livro "A fita cor-de-rosa" (ainda não publicado) para o público na Bienal

Constituída pelos jovens Leninha (voz), Romeu di Lurdes (guitarra e voz), Fanny (guitarra e cavaquinho) e Patxá (teclados), o grupo irá desfilar músicas dentro do género da morna, coladera e batuco para dar a conhecer a cultura cabo-verdiana no Centro Histórico da capital do estado da Bahia.

Roni Timas Monteiro mostrou que a dança nas ilhas tem muito para dar e esta a sua apresentação teve a
coreografia do dançarino do Raiz di Polon, Nuno Barreto

Djone Cruz apresentou vários modelos de vestuário da moda com materiais reciclados que desfilaram na Bahia

Sandira Cardoso apresentou sua arte plástica para o público que visitou a Bienal

O encerramento da VI Bienal de Jovens Artistas foi feita com uma ocupação e desfile no Terreiro de Jesus, na zona histórica do Pelourinho, na Bahia.


30 de novembro de 2013

Ganhei "Menção Honrosa" em concurso literário lusófono


Meu conto que estava no Concurso Lusófono de Trofa - Prémio Matilde Rosa Araújo 2013 foi a primeira menção honrosa. entre 252 contos a disputa, e a segunda menção honrosa foi para a portuguesa Sara Maria Azevedo de Sousa, com “De Mão cheia num Bolso”.

Este meu conto, "A fita cor-de-rosa", concorreu com outros vindos do Brasil, Portugal, Moçambique, Timor e Angola e esta edição teve como grande vencedora a portuguesa Sofia Azevedo Meireles Pinto, com o conto “A Menina que queria consertar corações".


Fiz um clipping dos jornais onde meu conto teve destaque:











Agora é esperar para arranjar dinheiro para publicar o livro...

17 de junho de 2013

Vídeo - primeira apresentação do meu conto para as crianças no Mindelo


Num ambiente descontraído, o conto infantil “A fita cor-de-rosa”, da autoria de Daivarela foi apresentado às crianças do Centro Juvenil “Nhô Djunga”, no Mindelo, esta sexta-feira, 14 de Junho de 2013.

Jailson Fortes fez a leitura dramatizada para
uma plateia de pequenos bem-comportados


O convite partiu do Instituto Cabo-verdiano da Criança e do Adolescente e a leitura dramatizada ficou por conta de Jailson Fortes que divertiu a pequenada.


Foram momentos de boa disposição e contacto com as crianças, o público-alvo do livro que procura financiamento para ser publicado. 



Uma das páginas do livro "A fita cor-de-rosa", ilustrado por Rogério Rocha


Público-alvo do livro
Um livro pertence a quem o lê mas, mesmo assim, considera-se que “A fita cor-de-rosa” é direccionada para o público infanto-juvenil e aos pais que queiram contar uma história ilustrada a sua prole, a bibliotecas das Escolas de Ensino Básico Integrado, e as várias bibliotecas espalhadas pelo país.

Bons momentos de convívio com as crianças a ouvirem a estórea

Procura-se atingir o público em formação que está entre os adolescentes e as crianças, naquela faixa difícil que não se é criança e nem adolescente. Por se tratar de uma estória abrangente, considera-se que deverá agradar tanto ao público feminino como o masculino.

Sobre o autor

Odair Varela Rodrigues é jornalista e licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade Lusófona de Cabo Verde mas é também contador de estórias. É esta faceta mais criativa que usou para produzir o livro que agora urge para que tome forma em papel A5 e disponível para ser folheado e apreciado por um vasto público. Acreditando no valor e potencial deste livro que concorre ao Prémio Lusófono da Trofa - Conto Infantil - Prémio Matilde Rosa Araújo, o autor espera que este o abra portas para conexões inesperadas com financiadores e outros realizadores. 



Sustentabilidade
Uma das formas de manter a sustentabilidade do projecto após a sua conclusão será através da apresentação e discussão do livro nas Escolas Básicas Integradas da ilha de São Vicente de forma voluntária e gratuita. Esta será uma forma de avaliar o impacto junto do público-alvo e também fomentar a escrita criativa nas crianças e adolescentes.

Outra estratégia que será usada para garantir que o impacto dure ainda mais mesmo após conclusão do projecto é a proposta de que estas crianças escrevam textos criativos derivados do livro “A fita cor-de-rosa” que serão publicados na página pessoal www.daivarela.blogspot.com e partilhados nas redes sociais. Como contrapartida, os dez textos que conseguirem maiores visualizações por parte dos leitores ganharão um exemplar de “A fita cor-de-rosa”.
  
O Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, é um dos primeiros 
leitores de “A fita cor-de-rosa”. Na foto, junto com o autor, Odair Varela.

Em execução está a produção da dramatização radiofónica da estória que será difundida nos programas infantis das várias rádios nacionais como forma a manter o nome do livro sempre difundido.

O livro aparecerá em forma de merchandising em um dos capítulos da primeira série televisiva do país, “Soncente Talqualsesente”, que se encontra em rodagem no Mindelo. Esta será uma forma destacada de apresentar o produto nos grandes canais.

O conto está a ser dramatizado pelo contador de estórias cabo-verdiano residente em Portugal, Adriano Reis, e poderá ser apresentado no Festival Mindelact 2013, no Mindelo.


O plano de comunicação e marketing inclui a produção de cartazes promocionais em formatos originais que serão afixadas nos vários pontos de venda do livro, quando for publicado.

 
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