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7 de julho de 2013

Fui ameaçado com tribunal por causa do meu blogue


Para quem não saiba do que se passa, escrevi este artigo a dizer que a presidenta da Câmara Municipal de Porto Novo (Santo Antão), Rosa Rocha, terá assinado uma carta que teria sido plagiada. Agora, o autor do plágio e responsável por colocar o nome da presidenta no texto publicado no site, o engenheiro José Rodrigues, conhecido também por "Coração Mimado", veio com a ameaça de tribunal por causa da publicação no meu blogue. Ameaçando que a sua empresa vai “recorrer a instâncias competentes relativamente a esse post nas próximas horas”, este engenheiro que também responde pelo nome de “Coração Mimado” solicita que o blogueiro peça desculpas por “esse erro gravíssimo”.

Deixo aqui uma das mensagens que o José Rodrigues me enviou (os erros são dele):

"Meu carro jornalista/ Blogueiro.Confesso que congratulo com a sua iniciativa, embora considerando imaturo e incompetencia da sua parte tratando de assuntos sem conhecimentos técnicos, nem fundamentos da veracidade dos factos.
De frisar que foi sacanagem e burice da sua parte, ao tratar de um assunto DEMO como se
José "Coração Mimado" Rodrigues
fosse concluída.
Gostariamos de lhe informar, que vamos reagir com provas que mostram a veracidade dos factos nas proximas horas, comprovando a sua descredibilidade e mentira porque o trabalho ainda nem se quer foi entregue a CMPN, uma vez que só e só será concluído em finais de AGOSTO.
Ainda se encontra exclusivamente em produção, e de restrito acesso aos colaboradores mais próximos.
De frisar que só e só continha conteúdos DEMOs exemplificativos, desta feita solicitaremos a autorização da senhora Presidente, colocando -o online para a confirmação do veredito.
Nas próximas horas regiremso com todos os dados, defendendo a nossa integridade profissional.
Pode se preparar para defender e fundamentar a sua burice.
Assinado
CETICLda/ACONTECE

Eng. José Rodrigues."


Depois ele veio no blogue e comentou (de novo, os erros são dele) algo como:


"(...) a minha EMPRESA é a produtora do projecto, portanto cabe a mim responder perante a comunicação social, a má fé do ODAIR SANTOS, e o oportunismo dos demais que queiram descredibilizar a qualidade do nosso serviço, bem como tirar proveito the situação politica.Relativamente, a vossa opinião sobre a Presidente Rosa Rocha, não é do nosso interesse e nem queremos saber o que pensam ou deixam de pensar, porque não cabe a nós intervir em favor de alguém ou em espaços pilíticos.
Em suma, gostaria de solicitar ao BLOGUEIRO, que pedisse desculpas por esse erro gravissimo, uma vez não sendo ético publicar assuntos não veridicas e sem provas.
Para quem queira AUTO - PROMOVER, como o ODAIR SANTOS, que pelo menos procurasse fontes crediveis, e que atraía atenção the massa e não de dinigrir a imagem the qualidade de uma sociedade.
Vou reagir nas proximas horas, com detalhes e provas the veracidade dos factos.
Quero convidar vos a fazer parte the plateia na apresentação do produto final a ser entregue a CMPN em finais de Agosto, tornando assim " SITE DA CMPN" conforme mencionado no Blog.
Assinado

Eng. José Rodrigues."


Primeiramente, quero dizer que fiquei muito chateado por ser confundido pelo queixoso com o Odair Santos porque sou muito mais charmoso do que ele. Digo isto porque o “Coração Mimado” confunde Odair Varela (eu) com outro jornalista, Odair Santos, que não tem nada a ver com esta situação. Correcção feita, avancemos.

Texto plagiado e publicado no site
da Câmara Municipal do Porto Novo

Meu caro “Coração Mimado” (é verdade, este é seu nome?) quando consideras que a publicação do artigo no meu blogue é “imaturo e incompetência”, gostaria de dizer-lhe o seguinte: incompetência é criar um site institucional, plagiar discursos de outra pessoa, publicar na primeira página, assinar como uma figura pública responsável por uma Câmara Municipal e deixar o espaço aberto para ser visto por todos. Isto para mim é de uma grande incompetência da sua parte. 

Então meu prezado “Coração Mimado”, você considera que é “sacanagem e burrice” publicar o artigo no meu blogue porque seu site era uma demonstração? Pois, para mim burrice é ser formado na área de Informática e criar uma demonstração com símbolo de uma autarquia e deixar os artigos públicos para serem consultados. Pior, sem nenhuma indicação de que se trata de uma DEMO. Isto sim é burrice!

Você fala em “reagir com provas” para mostrar que o site só será concluído em finais de Agosto e que o que eu disse foi mentira. Agora, pergunto-te, “Coração Mimado”, por acaso eu hackeie[1] o site da Câmara Municipal de Porto Novo e obtive as informações antes de ele estar concluído? Não. O que aconteceu é que, por causa da sua incompetência, o site esteve disponível para o Mundo inteiro consultar, sem nenhuma indicação de que se tratava de uma demonstração.

Se alguém deve ser levado ao tribunal deve ser a sua empresa que colocou a presidente da Câmara Municipal de Porto Novo nesta embrulhada. Não um blogue que usou o artigo 48º da Constituição da República de Cabo Verde que lhe garante o direito de liberdade de expressão. Você é que atentou contra o bom-nome da Rosa Rocha ao assinar uma carta plagiada em seu nome e a disponibilizar na Web e entrar em choque com o artigo 41º da Carta Magna que garante o direito ao bom nome, à imagem e intimidade. Por isto deves ser enquadrado no artigo 166º, Capítulo VII, do Código Penal Cabo-verdiano, que define os casos de alguém injuriar outra pessoa imputando-lhe factos ou juízos ofensivos do seu bom nome e crédito, da sua honra, consideração ou dignidade, ou reproduzir essas imputações. Saiba que podes ser punido com pena de prisão até 18 meses ou com pena de multa de 60 a 150 dias.

Eu como cidadão e jornalista tenho garantida a inviolabilidade da minha liberdade de expressar através do artigo 29º da Constituição da República e reforçada nos princípios fundamentais da Lei da Comunicação Social, no seu artigo 9º sobre liberdade de expressão do pensamento. 

Estarei aqui à sua espera quando sentir coragem de avançar para o tribunal mas desde já aconselho-o a receber boas dicas do seu advogado para não acabar por ter maiores problemas. 



[1] Como pareces ter dificuldades em Informática explico o que é Hackear: significa entrar sem permissão num sistema e ter acesso às informações.

OBS: veja o que escreve o Ku-Frontalidade sobre isso

NOTA: A Televisão de Cabo Verde fez uma matéria sobre esta polémica mas, infelizmente, "esqueceu-se" de referenciar por completo em qual blogue encontrou a informação:

28 de junho de 2013

Zé Catana ainda é inocente?


Sobre o caso Zé Catana muito já se falou na imprensa, especialistas já opinaram e a população comenta diariamente. Acreditem ou não, muitas pessoas cobraram-me porque
Zé Catana detido pela Policia 
não emitia uma opinião sobre a mais macabra e mediática série de crimes em Cabo Verde. Uma das razões que me impediam era a repugnância por falar de algo tão asqueroso como as denúncias de assassinato, esquartejamento, canibalismo e venda de carne humana para consumo na mesa de famílias.

Agora, não pretendo fazer uma análise criminalista ou psiquiátrica (não estudei para isso) mas quero expor algumas observações: 

Primeiro, pelo menos perante a lei, Zé Catana é inocente e até que a justiça o condene ele é presumivelmente inocente. Por enquanto ele apenas foi condenado na imprensa, que o chamou de serial-killer, e na opinião pública. Vocês podem dizer que ele confessou os crimes por isso é culpado. Mas eu também posso dizer que já assisti no tribunal acusados que tinham assumido culpa na Policia mas que perante o juiz alegaram terem sido torturados e por isso admitiram os tais crimes (não digo que este seja o caso). Ele terá que confessar perante o tribunal ou este tem que apresentar provas irrefutáveis dos crimes. 

Coisas que me intrigaram

No crime que terá cometido na ilha de Santiago há realmente fortes indícios de que seja o autor ou então co-autor material (caberá ao tribunal provar e condenar). Um destes indícios é o facto de ter levado a Policia até o local onde estavam enterrados as ossadas. Eu o vi na televisão com uma enxada a desenterrar os restos mortais e quero fazer umas observações porque fiquei intrigado com aquela situação por três motivos: primeiro, Zé Catana poderia contaminar as provas ao manusear os restos mortais. Segundo, ao contrário dos agentes que estavam protegidos com luvas e máscaras, o suspeito estava desprotegido (caso ficasse contaminado com alguma doença poderia contaminar os agentes que entrassem em contacto com ele). Terceiro, se Zé Catana morresse por causa de uma doença ao manusear restos mortais ficaria sem ser julgado e, pior, não se saberia de outras possíveis vítimas que se revelou ele ter confessado depois. 

Estarei a exigir demais ou a Policia não observou grandes formalidades e correu um risco sério?

Cadeia é lugar de doente mental?

Uma das teses defendidas na imprensa é de que Zé Catana possa sofrer de psicopatia. Com um caso complicado e fortes indícios de ter praticado os crimes, se o suspeito for diagnosticado como psicopata e condenado deverá cumprir pena na prisão? Reconhecidamente, uma cadeia não é lugar para um doente mental, mas Cabo Verde não tem espaço para encarcerar, monitorar e medicar indivíduos com este perfil.

Qual deveria ser a pena máxima?

Caso seja condenado à pena máxima deverá cumprir até 25 anos de reclusão. Mesmo com as agravantes não se poderá acumular as penas. Caso seja provado que tenha cinco crimes de assassinato, incluindo esquartejamento, canibalismo e venda de carne humana, não me parece que um quarto de século seja o tempo suficiente para colocar um indivíduo com este perfil fora do convívio da sociedade. Esta moldura penal que define a pena máxima é uma herança do tempo dos portugueses. Ao que parece os legisladores consideram que o máximo que um crioulo poderia fazer era matar uma pessoa e ter 25 anos para pagar por seus crimes e se arrepender e regressar regenerado para a sociedade. Nunca pensaram que um crioulo pudesse cometer crimes tão bárbaros que 25 anos seriam entendido como uma punição leve. Chegou a altura de aumentar o tecto da pena. E não estou falando de mais cinco anos.


Do que estamos à espera para mudar a Lei?

Ainda estamos em estado de choque mas creio que já se deveria estar a trabalhar na reforma da nossa Lei. É certo que esta não é retroactiva e não servirá para julgar Zé Catana mas é bom que a nova norma esteja implementada antes que Cabo Verde seja sacudida com algo parecido (deseje sempre o melhor mas espere o pior). Não vamos esperar ter de enfrentar outro tipo de crime hediondo para nos darmos conta que a pena máxima continuou em 25 anos.

Vergonha...

Por fim, a mim me enoja ver e ouvir crioulos a fazerem gracinha com esta situação em bares e outros locais. Crioulos que criam perfil de Zé Catana no Facebook e outros que o aceitam como amigo. Isto só demonstra que quando a dor não é nossa fica mais fácil brincar com um crime que incluí esquartejamento, canibalismo e venda de carne humana para homens, mulheres e crianças consumirem.

Qual a tua opinião?

27 de junho de 2013

Parabéns Xuster pelo prémio de Melhor Jornalista


A Associação de Basket de Santiago Sul premiou meu amigo Marcos “Xuster” Fonseca com o prémio de “Melhor Jornalista” 2013. Pelo profissionalismo e dedicação ao desporto e, neste caso, ao basquetebol, Xuster recebeu este reconhecimento merecido.
Marcos "Xuster" Fonseca com o seu prémio

Com uma extensa ligação ao desporto, conheci o Xuster há muito anos quando estava de férias no Mindelo do seu curso de Comunicação Social – Jornalismo, na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (Brasil). Na altura ele estava em São Vicente a ajudar na dinamização do clube desportivo Corinthians (meu clube de juventude). 

Tempos depois iniciei meu primeiro estágio no jornalismo no seu portal NhaTerra Online, onde desde 2008 ele é editor. Aprendi muitas coisas boas com a experiência.

Neste momento Xuster também está na Rádio Televisão de Cabo Verde a acompanhar o desporto nacional e os crioulos pelo Mundo. 

Parabéns pelo merecido reconhecimento.


24 de junho de 2013

Vídeo - jogadores da Selecção de Cabo Verde a promoverem o consumo do álcool


ATENÇÃO: este vídeo foi editado e agora já não aparece como na primeira versão que despoletou as polémicas.

Ainda estou para perceber a mensagem que queriam passar com esta publicidade. Os meus amigos da Ilhéus Solutions que produziram o video que me desculpem, mas foi isso
que entendi:

- Duas equipas estão a jogar; o treinador da equipa que perde oferece cerveja para as suas jogadoras para melhorarem a performace. Quem bebe cerveja ao intervalo dos jogos de futebol torna-se melhor jogador.


Incrível como jogadores profissionais que têm responsabilidades sociais participam neste vídeo, incluindo o guarda-redes Fredson "Fock" Tavares e o avançado Rambé, ambos presentes na fase final do Campeonato Africano das Nações e agora na disputa pela qualificação de Cabo Verde para a Copa do Mundo no Brasil.


19 de junho de 2013

Protestos: um "monstro" no Brasil e um "bichinho" em Cabo Verde


Para quem assiste aos protestos actuais no Brasil e os recentes na “Primavera Árabe” ou os da Turquia sabe que há uma coisa em comum: a Internet, ou melhor, o poder das
Como não encontrei nenhuma foto 
de protestos em Cabo Verde... 
redes sociais em juntar pessoas sob o mesmo objectivo e, já agora, no mesmo lugar físico (na rua) para protestar. 

Esses países fizeram um grande investimento nesta tecnologia e hoje talvez seus governantes mais conservadores deverão estar arrependidos do esforço de levar a Internet até aos locais mais recônditos dos seus territórios. Pois claro, a intenção deles não era criar um “monstro” para depois perder o controlo sobre ele. 

Não é à toa que países mais protectores como a China, Cuba ou o Irão mantêm um estreito controlo sobre a utilização desta tecnologia. Isto porque, se a comunicação pode ser uma das maiores ferramentas para que duas pessoas se entendam, ela também pode ser a forma de um grupo de descontentes marcarem hora e local para os protestos contra o Governo.


O "monstro" em Cabo Verde

Mas, e Cabo Verde? Será que a Internet já atingiu um patamar de “monstro”? Se é, trata-se de um “monstro” controlado pelo poder ou, por outro lado, não está sob controlo mas não há população alfabetizada digitalmente para fazer uso massivo dele? Quiçá não haja problemas sociais tão graves que precisem de mobilização das pessoas na rua através das redes sociais?

Para um país que conheceu a Internet apenas em finais de 1996 através de um serviço lento e caro da Cabo Verde Telecom ainda há muito para alimentar o “bichinho” até que se torne um “monstro”. Iniciamos esta caminhada com 220 computadores, na maioria pertencentes aos organismos do Estado (nesta altura era mais fácil “desligar” a Internet) e hoje somos o quarto país africano com maior taxa de penetração, de acordo com a “Estatística do Mercado de Serviços de Comunicações Electrónicas Acessíveis ao Público em Cabo Verde”, da ANAC (2011).


Como bloquear a Internet em Cabo Verde

Durante a “Primavera Árabe” procurou-se bloquear o acesso à Internet e as comunicações móveis foram momentaneamente interrompidas. Em Cabo Verde, no caso de o meio milhão de habitantes iniciar uma possível onda de protestos na rua estimulado através das redes sociais, não seria difícil (caso o Estado assim o resolvesse) bloquear os cerca de 22 mil assinantes de Internet nacionais. De se notar que o arquipélago tem dois cabos submarinos de fibra óptica (o mais recente custou 25 milhões de dólares) e que regularmente fica-se sem comunicação em banda larga porque algum barco negligente operando no Porto da Praia corta-os, principalmente o ATLANTIS 2, montado desde o ano 2000. É certo que o monopólio de prestação de serviço de Internet pela empresa CVTelecom “terminou” em 2006 com a entrada no mercado da Cabocom (Sal) e a CV Wifi (São Vicente), bem como da MB Investimentos, a CV Satélite Wireless e a Cabo TLC, mas sabes onde a maioria destas empresas vai comprar "pacotes de Internet" para tercerizar?. 

Neste momento que se acompanha a tumultuosos protestos em várias partes do globo e com a imprensa a dizer que as pessoas se reúnem e se organizam através das redes sociais será que os Governos estarão a repensar a massificação da internet nos países que ainda não o conseguiram? Será que o nosso Ministério das Infraestruturas, Transportes e Telecomunicações ainda considera que estarmos na 91ª posição (de 177) dos países que mais usam Internet no mundo é uma boa opção? Bom, mais uma vez, é grande a possibilidade de cortar a Internet para estes 32 porcentos da população online que o “Estado da Banda Larga 2012” da ONU diz ter em Cabo Verde. 


É desligar o Konecta e pronto

Uma tarefa facilitada se levar em conta que muitos que fazem parte desta percentagem usam Internet através do projecto Konecta, que possibilita aos jovens o acesso gratuito à Internet nas praças digitais espalhadas em todos os municípios do país. É verdade que trata-se de um serviço lento e de baixa qualidade (já o usei em vários pontos do país) mas creio que daria para marcar umas manifestações interessantes. 

Cabo Verde já está a introduzir redes de comunicações móveis terrestres de quarta geração (4G) e os cursos de “iniciação à informática” já não estão a atrair muitos alunos porque as pessoas quase que já sabem de tudo. Entretanto, parece que ainda não há motivos para protestar ou então os descontentes não estão a se encontrar online ao mesmo tempo no Facebook.


12 de junho de 2013

O que me faz diferente de ti


Muitas coisas influenciam a personalidade de uma pessoa. Na verdade, nós não “somos” uma pessoa mas “estamos” uma pessoa. Há dias que estamos uma pessoa motivada, triste, alegre, com vontade de perdoar, etc. 

Por isso não se pode dizer que uma pessoa é divertida, falsa, egoísta ou outra
Daivarela pensando...
característica qualquer. Dependendo de vários factores, assim uma pessoa irá se comportar num dado momento e dependendo das nossas expectativas e emoções, assim nós a iremos interpretar.

O que torna as pessoas diferentes umas das outras também são vários factores: desde a forma com a pessoa relaciona-se consigo própria, com os outros, com o meio que o envolve e até com o intangível. Quando nos entendemos de uma forma, muitas vezes usamos esta medida para dimensionar o outro. É a forma como nos compreendemos que nos faz pensar que uma outra pessoa é diferente. 

Mesmo fazendo parte do mesmo país, cidade, vila ou rua, da mesma cultura e identidade, nós sabemos que não somos iguais a outra pessoa. Isto porque as experiências de vida (mesmo que vividas em conjunto) são percepcionadas em diferentes graus, estados de espírito, expectativas e outros factores, moldando nosso “eu” e fazendo-nos pessoas diferentes.


3 de abril de 2013

Ministério da Cultura reconhece "valioso trabalho" do meu blogue



Olha uma surpresa boa: o Ministério da Cultura convidou-me na condição de blogueiro para estar presente no Atlantic Music Expo Cabo Verde, que se realiza na Praia (Santiago). E isto porquê? Por causa do meu “valioso trabalho em prol da divulgação da cultura caboverdeana, especialmente da música”, como escreve no convite o ministro da Cultura, Mário Lúcio de Sousa. Fiquei mesmo “intxod”. 

Terá faltado as passagens, alojamento e alimentação, mas não se pode ter tudo, kkkkk. O colectivo do blogue (constituído por mim) fica muito agradecido por este reconhecimento ministerial e deseja que o evento seja um sucesso. 

Coloco aqui o convite que reconhece o valor do blogue Crioulo n’Descontra e que me deixou muito feliz hoje: 



Praia, 0I e Abril de 20I3 

Á Sua Excelência 

Odair Varela 
http://daivarela.blogspot.com/ 

Assunto: Iª Edição do Atlantic Music Expo, AME Cabo Verde. 

Excelência, 

A primeira edição do Atlantic Music Expo Cabo-Verde, AME Cabo Verde, terá lugar na Cidade da Praia, de 8 a 10 de abril de 20I3. 0 evento proporciona a realização de encontros entre os 50 países conectados pelo Oceano Atlântico para uma compartilha de conhecimento, troca de experiências e disponibilização das riquezas artísticas atlânticas ao mercado internacional. 

O Atlantic Music Expo Cabo-Verde, AME Cabo Verde, é concomitantemente um Mercado Profissional da Musica (com showcases, one to one consultations, rodadas de negócios, managements, agenciamentos, formação, incubação de empresas, assistência em assinaturas de contratos) urna Feira Internacional (stands de agentes, produtores, instituições, instrumentos, equipamentos e acessórios) e uma Universidade de Culturas (painéis, workshops, conferências, exposições, filmes e transmissão de conhecimentos). 

Em reconhecimento ao seu valioso trabalho em prol da divulgação da cultura caboverdeana, especialmente da musica, tenho a honra de o convidar a participar no AME como comunicador credenciado. Aceitando, queira solicitar a sua credencial. 

Aproveito para Ihe endereçar, Excelência, as minhas expressões de mais alta estima e consideração. 

Mário Matias de Sousa Mendes 

Ministro 

Gabinete do Ministro da Cultura, CP - 302 Tel: 2610123/130 Fax: 2610264 

Palácio do Governo, Praia - Cabo Verde

O convite oficial



24 de março de 2013

"Escola de Mulheres" - a minha opinião

Elenco da "Escola de Mulheres"
Fui ao teatro e aceitei o desafio de escrever sobre o que vi e de que forma me senti identificado com o objecto artístico, enquanto cabo-verdiano. 
Como hoje quero falar dificil, direi que fiz com que a minha pessoa estivesse e permanecesse no edifício onde se apresentam as peças dramáticas no decorrer da "Escola de Mulheres", a 48ª produção do Grupo de Teatro do Centro Cultural Português do Mindelo.

Assisti na sexta-feira (22 de Março), na estreia, um dia que sei não ser muito aconselhável para quem vai ver para escrever. Isto porque os actores costumam estar um pouco nervosos na estreia, ganham o pico no sábado e no domingo já estão com o acumular do stress. Mas convite não se discute, nera?

Elísio Lima

Quando cheguei, a primeira coisa que notei era que o João Branco estava todo “fatiotado”. Fato preto e gravata de borboleta. Pensei logo que pouca coisa não deveria ser porque ele não fazia parte do elenco na ficha técnica. A surpresa estava reservada para o final da peça “Escola de Mulheres”, de Moliére.

Reparei também que, ao contrário do tradicional, os actores já estavam em cima do palco enquanto o público entrava. Andavam de um lado para outro fazendo vénias como a dizer: “Obrigado por virem ao Centro Cultural do Mindelo (CCM) e comemorar os nossos 20 anos de percurso. Já vão ver, mas nós merecemos os aplausos.”

Mas, já antes tinha dito que o CCM tem um problema de propagação do som e isso é resolvido com uma boa projecção da voz. Inicialmente tive dificuldade em entender os diálogos. Principalmente de Elísio Leite Lima enquanto jogava o tradicional golfe com o seu companheiro com tiques ingleses, Edson Gomes. Este último, um actor talhado para a comédia desde os tempo que éramos colegas na escola secundária do ex-Quartel (António Aurélio Gonçalves) e cansava a cabeça dos professores com as suas palhaçadas.

Renato Lopes, Janaína Branco, Elísio Lima e Edson Gomes

Gostei a opção por música ao vivo pela diferença que marca e também pela grande responsabilidade que acarreta. Nada que o genial Khali Angel (último director musical de Cesária Évora) não conseguisse dar conta ao piano, no seu figurino estilo anos 20 do século passado. Entradas certeiras da banda sonora com o músico a fazer parte do elenco e estreiar-se como actor. Perdeu assim a sua virgindade teatral pelas mãos de João Branco. Nota muito positiva para as interpretações musicais de Elísio Lima que cantou várias letras originais nos arranjos músicas conhecidas de mornas, coladeras e outros géneros estrangeiros. Gostei muito.
Quem também perdeu seus “três vinténs” (ou virgindade) foi a personagem “Inês”, muito bem interpretada pela Elba Lima. Rapidamente cativou o público – principalmente os homens que gostariam de ter uma mulher burrinha e fiel. Seus tiques de voz deram maior alegria à interpretação e o trabalho corporal quando sentia “aqueles” calores a subir-lhe por entre as pernas rasgou gargalhadas na audiência (principalmente da Patrícia que não consegui parar de rir, sentada atrás de mim). Apesar disso, sentiu-se alguma quebra na personagem após o clímax.

Outra grande alegria da noite foi assistir a interpretação do “francês”, Jair Estevão (para quem não saiba, ele é filho de Manuel Estevão, prémio “Mérito Teatral” 2012). Estiveram soberbas: a caracterização, os tiques, as falas (apesar de não ter conseguido entender tudo do seu francês) e a interpretação. Ainda acho que ele deveria ter cantado nesta peça também – já o tinha visto e ouvido no musical infantil “Os Satimbancos”, com música de Chico Buarque, no Mindelact’2011, e considero que é uma vertente que deveria explorar.

Jair Estevão

Gostei de ver a dupla de criados “tanás” (não muito espertos) interpretados por Renato Lopes e Janaína Branco. Sempre muito energéticos e a inventarem diabruras, estes dois também souberam divertir o público. Quase sempre estiveram dentro da “casa” muito bem concebida e pintada por Fernando “Nóia” Morais que construiu os adereços de cena. Gostei do trabalho de luz apesar de admitir que seria melhor se a teia cénica estivesse em melhores condições. Gostaria de ter visto o candeeiro iluminar-se na entrada do “francês” para dar um toque mais cinematográfico.

A “Escola de Mulheres”, de Jean-Baptiste Poquelin (ou Molière), foi apresentada pela primeira vez em 1662 e agora muito bem adaptada para a vivência crioula por João Branco, que também assumiu a cenografia e direcção artística. Talvez a necessidade de manter-se o mais fiel possível à obra-prima de Molière, fez com que o texto tenha ficado um pouco extenso (a peça deveria iniciar-se às 21:30 mas só cheguei em casa à meia-noite). Mas este é mais um trabalho a comprovar a qualidade do Teatro em Cabo Verde e os seus agentes, nas suas várias dimensões.

Considero que este é um grande espectáculo no seu todo e que vale a pena ser apreciado. E a surpresa final é ver João Branco a descer as escadarias do CCM a cantar (sim, a cantar) a plenos pulmões e encerrar a noite debaixo de palmas de um auditório completamente cheio.
Aproveita e veja a reportagem da TCV acerca da estreia da peça:

18 de março de 2013

Um domingo de teatro tem um sabor diferente.

Primeiro, a peça “Alice” com toda a sua alegria e dinâmica. Viu-se um grande cuidado nos adereços para ajudar a imaginação viajar no palco. Já agora, aproveitou para levar a plateia com ela. Resultou e bem com as crianças a serem envolvidas e a corresponderem. Um momento de descontração, de música, de sonhos e teatro.

Por momentos Laura Branco tornou-se a versão crioula da “Alice no País das Maravilhas” e foi conhecer o gato, a lebre, o Cartola, a Rainha e o Rei, num espectáculo do Grupo de Teatro do Centro Cultural do Mindelo, dirigido para crianças (como eu, que recebei o convite do Adilson Spinola).

[Há uma parte do texto em que a Alice toma “coisas” (pão ou água) para tornar-se gigante ou pequena, falar com gatos, lebres, cartas do baralho ou outros, mas prefiro não entrar por aí. A imaginação é fértil e o teatro é maior por isso prefiro interpretar que a personagem estava a tomar alguma coisa mágica que não faz parte deste mundo]

Depois deste espectáculo que começou por volta da 17 horas no Centro Cultural do Mindelo, era ver alguns agentes teatrais a transportar cadeiras para o Centro Nacional do Artesanato e do Design. Ai arte… as coisas que obrigas estes jovens a fazerem… (Eu vi até um actor que tatuou no braço o bordão “Pará, moss”, do Curso de Iniciação Teatral).

A segunda peça do dia, (melhor dizer, peças) foi o Teatro Rápido e a convite do João Branco. Uma forma original que dá seus primeiros passos no Mindelo através do Projeto TR – Alunos do 14.º Curso de Iniciação Teatral do Centro Cultural Português.

Assisti a três pequenas peças de 15 minutos cada, mas elas são sete. Uma crise! A primeira, a Crise de Identidade foi a minha preferida por causa da originalidade da disposição das cadeiras para assistir de costas para os actores e observar a cena através de um espelho (ao que parece alguma loja chinês deve ter ficado contente com este “Março, Mês do Teatro”). De seguida, a Crise de Fim do Mundo procurou um texto mais erudito e tapou-me os olhos enquanto a cena decorria. Para finalizar, a Crise da Criatividade transportou-me para um manicómio onde as falas eram lúcidas/doidas e no fim ganhei um comprimido vermelho para me tratar.

Ainda ficou uma sala onde decorria uma crise e que durante todo o tempo não paravam de dar gargalhadas. Fiquei com vontade de ir de novo...

Acredito que se desta geração não sair bom Teatro é porque faltou tudo, menos bons actores e actrizes. Parabéns.

15 de fevereiro de 2013

Conclusões do Estudo de Impacto Ambiental na Laginha

Ficam aqui as conclusões do estudo sobre o alargamento do terrapleno, construção da nova via de acesso na zona nordeste do Porto Grande & a construção de um esporão na zona da praia da Laginha.

O estudo completo está aqui 

Ouvem-se muitos comentários e poucos dados seguros, mas se vamos reclamar, será como disse Valete em "Bolas e Consciências": "vamos criar movimentos na ruptura que tenham eficácia".

Já antes tinha falado da falta de consciência ambiental e o David Leite já apelou para que nos devolvam as nossas praias

Mas eles dizem que este trabalho irá melhorar a praia da Laginha... Será? Apesar de tudo ainda eles não têm uma bola de cristal e eu adoro aquela praia.



7.1. Impactes mais significativos 

Verifica-se que a maioria dos impactes induzidos pela implementação de todos os componentes do projecto é minimizável até níveis pouco significativos, através de medidas de gestão, essencialmente da responsabilidade do proponente.  
Por outro lado, a análise de impactes permitiu evidenciar duas situações em que existe o risco do impacte poder assumir níveis negativos significativos – casos da enseada e da população de espécies existentes no local.  
No caso dos impactes sobre a enseada, o risco decorre da possibilidade de esta área ser utilizada de forma ilegal e indiscriminada pela circulação de todo o tipo de viaturas. Essa situação será evitada com a aplicação do programa adiante proposto de medidas de minimização de impactes. Neste cenário, os impactes serão pouco significativos; 


7.2. Construção da Nova Via 

Embora a construção da Nova Via implique necessariamente a perda de bens e usos ambientais e uma perturbação do presente estado do sistema, são de sublinhar os impactes positivos que a sua presença apresentará em relação à componente socioeconómica, dado o papel estruturante que terá para o modelo de empreendimento  previsto. 

Mesmo a perturbação do presente estado do sistema, que a sua construção introduzirá, tem um carácter pouco significativo, correspondendo a uma afectação ligeira dos bens e usos ambientais. 
Ao mesmo tempo, o seu carácter estruturante para o Porto Grande e as repercussões positivas deste empreendimento a nível regional, terão um carácter muito significativo, com claro ganho de novos usos sociais e a requalificação de uma situação degradada. 


Esta análise tem, no entanto, implicações a dois níveis:  

- A sensibilidade da área onde o projecto se insere implica que qualquer alteração ao mesmo, sobretudo no que respeita às estruturas que delimitam a zona do Porto interferindo, nomeadamente, com a circulação de maré no local ou com os processos da dinâmica costeira; 
- Os impactes avaliados pressupõem a implementação das medidas de minimização propostas – sobretudo as relativas à circulação de viaturas ligeiros e pesados e especificamente para a enseada sem as quais a sua magnitude se tornaria muito significativa.  


7.3 Construção do Esporão 

A praia da Laginha localiza-se imediatamente a norte da zona do alargamento do terrapleno do Porto Grande, é muito utilizada para fins balneares pela população do Mindelo. Os estudos de agitação, realizados no âmbito do projecto, mostraram que a morfologia da praia não sofrerá alterações significativas por efeito da ampliação do terrapleno, nem da construção do esporão que consiste em obras necessárias à alimentação artificial da praia da Laginha. Ao contrário, apresenta excelentes condições de melhoramento com recurso a alimentação artificial da praia. 

Com a implementação das medidas propostas para todas as fases do projecto, os impactes negativos identificados irão ser minimizados significativamente. A construção do esporão irá também provocar um impacte altamente positivo na componente ambiental e social com a estabilização da praia da Laginha.



24 de janeiro de 2013

Liberdade de expressão na net: onde começa e onde termina?


Existe uma linha que separa o fim da liberdade de expressão, garantida pelo artigo 47º da Constituição da República de Cabo Verde, e o início do dano moral, enquadrado no Código Penal, que é produzido pelos comentários publicados nas redes sociais (Facebook, blogues, etc) e nos fóruns de discussão de notícias. Mas ao que parece muita gente ainda não conseguiu encontrar esta linha e a prova disso são os inúmeros comentários difamatórios que circulam pela net crioula.

Apesar da exigência da Associação dos Jornalistas de Cabo Verde, AJOC, para que a Autoridade Reguladora da Comunicação Social entrasse em funcionamento ainda em 2012, dotada de meios humanos e financeiros suficientes, a verdade é que o ano de 2012 termina sem que tal acontecesse. Enquanto isso, alguns comentaristas vão tomando de assalto os fóruns de discussão sem que nenhuma autoridade tenha mão sobre isso.
Entretanto, o que alguns parecem ter esquecido é que a interacção mediada por computador dá-se maioritariamente através de textos que permanecem intemporalmente na rede global. Como tal, podem ser recuperados e usados como prova numa acusação em julgamento.

Actualmente, estar na Internet é interagir e estas acções trazem consigo várias questões de âmbito jurídico que passam, por exemplo, pela publicação de um comentário difamatório ou que atente contra a honra e bom-nome de uma pessoa ou instituição. Mas quais os perigos que estamos a correr ao resolver mandar umas boas bocas? Vários. Mas vamos por partes porque os crimes nas páginas virtuais podem ocorrer de diversas formas por isso deve-se usar da moderação ao escrever ou comentar um artigo e colocá-lo disponível para o “mundo inteiro”.

Primeiro, quanto aos crimes contra a dignidade das pessoas, o Código Penal Cabo-verdiano, no seu artigo 166º, Capítulo VII, define que nos casos de alguém injuriar outra pessoa imputando-lhe factos ou juízos ofensivos do seu bom nome e crédito, da sua honra, consideração ou dignidade, ou reproduzir essas imputações, será punido com pena de prisão até 18 meses ou com pena de multa de 60 a 150 dias. Ora, isto é muito tempo para compensar umas bocas, convenhamos. Neste caso a injúria, aqui equiparada à difamação, caracteriza-se principalmente quando desatamos a chamar o outro de ladrão, prostituta, idiota e, por vezes, palavras de baixo calão.

Bom, agora é a hora de dizeres que sabes que as tuas acusações são verdadeiras e que verdade não é crime, não é? Errado. É preciso notar que no nº2 do mesmo artigo, a lei determina que as referências, mesmo que sejam verdadeiras, mas feitas de forma humilhante, utilizando expressões ou qualificativos desnecessários e deliberadamente ofensivos ou vexatórios serão também punidas.

Outro perigo é a publicação de artigos ou comentários que podem ser configurados como crimes de calúnia, entendido como a imputação falsa de facto criminoso a alguém. Por exemplo, alguém escrever que viu Maria a roubar na mercearia da sua zona. Para esses casos, o Código Penal de Cabo Verde, no artigo 165º na sua Secção II – Crimes Contra a Honra – , também reserva uma pena que pode chegar aos 18 meses de prisão para aqueles que, com conhecimento de sua falsidade ou com manifesto desprezo pela verdade, imputar a outra pessoa a prática de um crime ou a participação nele, ou reproduzir ou propalar tal falsidade.

Como se vê, isto não é só mandar umas bocas e andar porque um comentário ofensivo pode gerar dois tipos diferentes de responsabilidade jurídica: a responsabilidade criminal e a cível. A condenação criminal, em regra, resulta na prisão do culpado, mas em crimes leves – como nos casos de crimes contra a honra – a prisão pode ser substituída por prestação de serviços à comunidade e/ou multa. A condenação cível é sempre patrimonial e consiste no pagamento de uma indemnização à vítima pelos danos sofridos.

Ao colocar-se a hipótese de uma pessoa ofendida intentar um processo a um página virtual (jornal online ou rede social) por atentado ao bom-nome ou à honra, a questão agora é saber em que Comarca deverá ser julgado o caso pois que o comentário poderá ser feito em qualquer ilha ou país. Nestas situações poderá ser aplicado o artigo 5º do Código Penal no seu Título I - Garantias e Aplicação da Lei Penal – , sobre o lugar da prática do facto tendo como base o local onde produziu-se o efeito: “O facto considera-se praticado no lugar em que, total ou parcialmente, e sob qualquer forma de comparticipação, o agente actuou, ou, no caso de omissão, deveria ter actuado, bem como naquele em que se tenha produzido o resultado típico, ou aquele resultado que, não sendo típico, o legislador quer evitar que se verifique”.

É verdade que há poucas notícias de pessoas que tenham recorrido aos tribunais por causa de comentários publicados nas páginas virtuais, mas é também verdade que se pode escrever praticamente sobre tudo com algum nível de protecção desde que seguidos alguns princípios. Basta prestar atenção na linguagem (evitar termos de baixo calão ou excessivamente informais) e não fazer afirmações ou acusações que não possa provar para não se preocupar com nenhum processo judicial.




Eu apoio o casamento gay em Cabo Verde

Eles são crioulos e querem casar também. E como somos todos iguais acho que todo mundo tem direito de sofrer por isso acho que eles também deveriam poder se casar.


Este Mundo não me pertence por isso estas "loucas" tem todo o apoio de Crioulo n'Descontra para se casarem.

Não estou fazendo isso para chamar a atenção e nem sou gay (nenhum destes que estão na foto sou eu. Juro!), mas apoio o casamento gay. Não vou dar nenhuma explicação teológica, sociológica ou que tenha qualquer lógica. Apoio e pronto!

"Quando o casamento parecia a caminho de se tornar obsoleto, substituído pela coabitação sem nenhum significado maior, chegam os gays para acabar com essa pouca-vergonha. Luis Fernando Veríssimo


Está aqui em crioulo a revindicação da associação:

Associaçǎo Gay Caboverdiana kré casamento gay discutido na Assembleia
“NOZ TAMBÉ É FIDJOS DI CABO VERDE…”
Antes e ta daba multa ou cadeia, mas desde 2004 homosexualidade dexa de ser crime na Cabo Verde. É dexa de ser punido pa lei, mas infelizmente ê continua ta ser punido pa sociedade. Homosexuais, lésbicas, gays, bisexuais ou travesti continua na Cabo Verde ta ser objecto de troça, al vez de um certo desprezo, ez ta thomado “panuleros”, “mudjerinhas” ou “tarados sexuais”...Por isso txeu kriolos ka ta assume abertatamente sez sexualidade, num sociedade católico falsamente conservador y al vez hipócritamente moralista. Homosexualidade na Cabo Verde continua ta ser assunto tabu, al vez ta tentado tapa sol ku pinera pa fazi de conta ma ê ka existe. Ka ta faladu na Radio, ka ta discutido na televison, ka ta screbedu na jornal...Mas dja ê altura. Num momento em que na mundo intero casamento gay y direitos de homosexuais sta na ordem do dia, sta na altura de Cabo Verde abre um debate livre, claro y objectivo sobre ez matéria que ta afecta milhares de cabo-verdianos, tanto dento como fora de Cabo Verde. É preciso muda mentalidades, y pa kel li tem que tem discussǎo y informaçǎo. É por isso que nu ta sauda criaçǎo , ano passado na Mindelo , de kel primero Associaçǎo Gay Caboverdiano pa defende direitos de tudo homosexuais, lésbicas , gays y travestis de Cabo Verde.


10 de janeiro de 2013

Os 100 anos da minha avó

Minha avó, Tatanha, fez 100 anos hoje (10 de Janeiro). Um pouco lúcida, com os problemas da velhice mas o certo é que esta senhora está aqui desde 1913. Sofreu os problemas da I e II Grandes Guerras, a fome de 40 e as secas que obrigaram a "emigração" para as roças de São Tomé. 

Tatanha e Daivarela no aniversário de 100 anos (da minha avó, claro)
Também esteve por cá quando assassinaram Amílcar Cabral e Renato Cardoso. Preocupou-se quando o Vulcão do Fogo entrou em erupção, assistiu à Independência Nacional, a transição política para o multipartidarismo, o sucesso de Cesária Évora, o nascimento de Daivarela (kkkkk), os vários problemas da Electra e agora prepara-se para ver Cabo Verde no Campeonato das Nações Africanas...

Parabéns, Tatanha




Progressos “kamikaze”, vidas perdidas e mortes adiadas! [texto de David Leite]


Esta crónica vem ampliar uma sequência temática sobre o meio ambiente, toda ela escrita na terra-longe do meu exílio...

David Leite - diplomata
Paris, capital «des lumières»! Dizem os portugueses que deram novos mundos ao mundo… Paris deu-lhe novos ideais! Da política à medicina, da arquitectura às ciências ou à conquista dos ares – novos rumos! «Belles-lettres» e «beaux-arts» fizeram escola na cidade-luz, berço da Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão. Paris, Lutécia de nascença que romanos, ingleses, prussianos e alemães se arrependeram de ter cobiçado ! Que viu passar Clovis Rei dos Francos, porventura Astérix o gaulês… e Joana d’Arc, «la Pucelle d’Orléans» que fez frente aos agressores de além-Mancha.

Mas tanto resistiu Paris que haveria enfim de «capitular»… face à fuligem que impregna suas paredes e janelas ! Incómodo «ocupante»  ofuscando o brilho da cidade-luz! Mais um french paradox, diriam os british… se todavia Londres fosse melhor ! 

Se a poluição que se lê nas fachadas da cidade-luz – como, de resto, em todas as grandes capitais – já não incomoda «grand-monde», é porque a ela nos habituámos. Valham-nos os boletins meteorológicos que nos mostram, «pollution oblige», os índices de respirabilidade do ar!


Complexa ambivalência nuclear

Na verdade, pouco pesam, hoje em dia, as «poluências» urbanas no debate ecológico feito “leilão” – quem dá mais, leva ! A ecologia tradicional, dir-se-ia que se dissipou com a fumaça das fábricas e dos comboios a carvão de outrora… ou com os gases intestinais das vacas, nocivos de metano para o efeito de estufa! E trazer a flatulência dos bovídeos para um debate ecológico moderno seria, convenhamos, simplesmente ridículo! O «planeta azul» vai mal, e hoje em dia a conversa é outra: camada de ozono, aquecimento global, degelo das calotes polares, aumento do nível das águas oceânicas com risco de inundação dos baixos litorais… Sombrias perspectivas para os nossos filhos!

Numa palavra, o debate ecológico sofreu «inflação» em proporção directa com a poluição. Inflação não apenas semântica, porquanto exprime uma realidade por demais inquietante. Por prova, os desastres de Bhopal (Índia, 1984), Tchernobil (Ucrânia, 1986) e Fukushima (Japão, 2011)... Essas e outras hecatombes tiveram ao menos o mérito de reavivar a polémica em torno da energia nuclear de uso civil, brandida pelos nuclearistas convictos como panacéia ao problema energético do mundo moderno, repudiada pelos “Verdes” e outros militantes do meio ambiente como uma ameaça inexorável ao nosso planeta.

Esta velha controvérsia do pós-guerra parece ter vindo para ficar... mas contra factos não há argumentos: independentemente de convicções diametralmente dísparas (cada cabeça sua sentença), o que já ninguém pode negar é a insidiosa perigosidade das instalações químicas e das grandes centrais electronucleares. Vinte mil inocentes fulminados pelos gases letais da “Union Carbide” em Bhopal, cem mil contaminados! Qualquer semelhança com o fim do mundo não é mera coincidência numa cidade mártir como Fukushima ou Pripiat, perto de Tchernobil! Populações inteiras foram afectadas, inclusive em países limítrofes e longínquos.


The day after ou o silêncio dos inocentes

Doloroso “day after” para quem ficou! O “day after” é quando o arrependimento chega tarde demais, e os governos, reunidos em comité de crise, constatam – “E agora? Isto não estava no programa, vamos perder as eleições!” Vidas perdidas? Um minuto de silêncio... e bandeira a meia-haste!

Vidas perdidas e mortes adiadas... O que vale é que os mortos não falam! E os sobreviventes, quem lhes dá ouvidos? Mais alto que a palavra embargada dos inocentes, ecoam sonoras mentiras de Estado, carapaças de sacrossantos segredos! Mentiras e segredos de Estado, mais impermeáveis que o sarcófago erigido à pressa para isolar o reactor n° 4 de Tchernobil no rescaldo do “day after” – ou seja, tarde demais! Dezenas de milhares daqueles que o construiram (os chamados “liquidadores”) ja não são deste mundo, outros ficaram contaminados... de doença crónica ou morte suspensa! Se os entendidos divergem quanto ao alcance da onda de choque dos acidentes atómicos e suas consequências sanitárias (a curto e a longo prazo), é que nem todos (cientistas, e a própria OMS) ousam contrariar os tão potentes quão temíveis lobbies nucleares!

Todos esses cataclismos ainda não bastam para enternecer os vampiros do consumismo selvagem e os nucleocratas que proclamam urbi et orbi a auto-suficiência energética pelo átomo. Por uma razão simples: não se trata apenas de alimentar, educar, dar trabalho e um tecto aos sete biliões de inquilinos que somos deste planeta a transbordar de gente (nove biliões no horizonte 2050, ou seja um aumento de 29% em apenas um quarto de século!!!) Trata-se, verdade seja dita, de sustentar a vaidade de uma parte dessa humanidade, a mais poderosa e consumista, gente sabida em ciências e tecnologias, porém ingrata e fátua: tão ingrata e fátua que na terra que lhe deu de comer plantou lixos e selvas de betão para recolher cancros e fumos tóxicos! De seus luxos fúteis e poluentes faz “isca” e moeda de troca para melhor explorar a força anímica e a matéria prima de povos que atrevidamente trata de “menos desenvolvidos”. E tal como impera o rico sobre o pobre, assim impera a ditadura do supérfluo sobre o essencial, o artificial sobre o natural. (Como não pensar nesses forasteiros de sinistra memória que num passado remoto vinham trocar fusis e bugigangas por escravos?)


Repensar o progresso

Se a industrialização desenfreada foi motor de progresso para a humanidade (ou parte dela), está à vista que não lhe trouxe apenas benefícios. É esta antinomia contida na noção de « progresso » que as sociedades modernas tendem a repensar. Para que não acabem mais pobres (e com elas a sua qualidade de vida) ao sacrificar o equilíbrio ambiental no altar da sua ganância ! De ganância ia morrendo Midas, rei da Frígia : tendo obtido de Baco que tudo virasse ouro ao seu contacto, por pouco sucumbia de fome e sede se a seu rogo o deus do vinho o não tivesse aliviado desse fatídico dom ! Moral desta lenda ? Ganâncias «kamikazes» levam o homem à perdição! Alternativamente, só um desenvolvimento sadio e sustentado pode perenizar a Vida na terra sob todas as suas formas, sem hipotecar o futuro das gerações vindouras.

Certos « ecocépticos » materialistas e gananciosos que nem o rei Midas preferem subestimar ou caricaturar essa reflexão como refractária ao « progresso » (entendido este como falazes riquezas num planeta exangue, com populações inteiras a passar fome !) Francamente! – quem de bom-senso, ecologista ou não, deseja regressar às cavernas ou trocar a lâmpada eléctrica pela «cafuca» ou fogueira de lenha ? Mas só um cego – ou irresponsável – não vê que uma lâmpada tisnada de fuligem dá menos luz, que a poluição destrói a vida! Atenção às consequências da cegueira negacionista!

Tão-pouco lembraria a alguém de bom-senso repudiar a economia liberal num mundo global, quando seja justa e não esmague os mais fracos. Um novo conceito alternativo apareceu recentemente contra os excessos e as injustiças da globalização: o alter-mondialismo.


Apocalipse não!

Em aberta oposição aos adeptos impenitentes do nuclear, os lobbies ecologistas e ambientalista recusam “capitular”... mesmo em desespero de causa. Nesta guerra de garrafa contra pedra, uns e outros rivalizam de determinação, senão de intransigência: às enérgicas gesticulações doGreenpeace, respondem as interpelações manu militari dos seus mais temerários activistas quando se envolvem em operações mediáticas de alto risco.

Dos argumentos ao extremar de posições, o único consenso no que tange à energia nuclear é que uns e outros receiam eventuais amálgamas entre uso civil e militar (ver o caso do Irão). Os trezentos mil mortos de Iroshima e Nagasaki continuam a assombrar-nos, e ninguém ignora que em caso de conflito atómico inter-potências, o “day after” pode ser o último! Disso ninguém divida. E não é preciso ser profeta do fim do mundo para saber que não haverá testemunhas nem comités de crise... e tão-pouco eleições a disputar! 

Mas haja bom senso e sabedoria que ainda vai longe o apocalipse! O justo equilíbrio deve brotar de uma serenidade pragmática. A não confundir com indiferença: pior que o discurso da “nucleocracia” reinante e os pregões dos ecologistas do apocalipse, é o insensível torpor dos “desimportados” da vida! Em boa hora entenderam os grandes deste mundo que não podiam continuar a espremer, que nem um limão, este planeta a rebentar pelas costuras! Nem a divagar sobre o sexo dos anjos ou a insana flatulência das vacas! Já é bom sinal o terem-se sentado à mesa, e melhor ainda os compromissos assumidos (em Kyoto, Rio-de-Janeiro, México City e Copenhaga) de reduzir as emissões de gases com efeito de estufa.

Mas grandes cimeiras, tonitruantes comunicados e declarações de intenção serão letra morta se as principais potências industriais, cada uma puxando brasa à sua sardinha, continuarem a exaurir os recursos do planeta. A Terra não é um limão nas mãos de quem pode «espremê-la» e beber-lhe o sumo sem pensar nos Outros e no Amanhã ! Ela não tem outro dono senão Todos Nós... e limão espremido não volta a encher!


Mantenhas da terra-longe, 7 de janeiro 2013
David Leite (modestoleite@facebook.com) 


 
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