5 de novembro de 2015

O que desvirgina a alma?



Mas, e o que desvirginiza a alma? Qual arte me penetra fundo no espírito e provoca espasmos de prazer? Hoje procuro saber por onde sinto a arte no momento que antecede meu prazer.

O que desvirgina não será, talvez, o contacto. Basta lembrar que há tantas formas de arte que se encontram no intangível. Acredito que aquilo que desvirgina não será o contacto. Nem mesmo o contacto com a própria arte desvirginiza a alma. Minha arte não me desflora porque o acto de a criar não é arte e seu resultado não poderia ter o efeito de desvirgino porque cada anterior acto criativo é uma penetração na alma. Usada, a alma tem gozo, mas não é desflorada por criação própria.

Minha arte deixa minha alma usada, mas não desvirginada. O resultado não é desconhecido, mesmo que no mundo material tal nunca tenha existido. Minha criação não me surpreende, logo, não me desflora.

Será a própria consciência do desvirginizar que o concretiza? Mas como ter consciência de algo desconhecido? Preciso seria saber o que é o desvirginar da alma para reconhecer sua ocorrência. Contudo, para saber tenho que o viver e para o viver preciso reconhecê-lo. Então, será meu desflorar apenas o concretizar das experiências do desvirginizar do outro? Se assim for, que meu desflorar artístico seja baseado na experiência mais intensa, mais perto do êxtase e do sublime. E, quando conhecer esta experiência, transgredi-la.

E bo, qual forma de arte te desflora os sentidos?

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