1 de outubro de 2014

"As Mãos de Eurídice" de Manuel Estevão ou o monólogo não é pra qualquer um


Eu vi um espectáculo intenso e cheio de carga dramática. "As Mãos de Eurídice" conseguiu cativar a sala, interagindo com o público através de contactos de emoções entre o actor e um público participativo. Manuel Estevão ocupou o centro da cena a criar imagens, sensações, personagens e linguagens para comprovar que monólogos são desafios para grandes actores.


O cenário da peça é simples (aquilo que se pode chamar de escolha de esquemas de produção de baixo custos) mas a atenção queria-se na construção da trama: a explicação das razões, das escolhas e das consequências. Manuel Estevão, actor que tem renovado seu cartão de qualidade a cada peça, conseguiu neste monólogo uma construção de possibilidades que de certeza fez com que pessoas se identificassem ou identificassem alguém com o seu Gervásio, a sua Dulce ou mesmo com a sua Eurídices. E o teatro tem esta capacidade de fazer as pessoas reflectiram sobre seus princípios, muitas vezes de forma provocadora. Acredito que o conseguiu nesta terça-feira, 30, no Centro Cultural Português da Praia, tendo em conta a ovação em pé que Estevão recebeu emocionado. 

Num país em que claramente é notável as dificuldades para a produção cultural, a opção pelo monólogo também tem esta característica de lutar contra a falta de espaço adequado para grupos, da falta de incentivo, da falta de disponibilidade de agentes teatrais que desafia o conceito de actor/encenador, etc. Mas o monólogo, claro, não é para todos.


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