11 de maio de 2014

Apanhados de um Cabo Verde em 2030



Fui convidado pelo Centro de Politicas Estratégicas (departamento do Gabinete do Primeiro Ministro de Cabo Verde encarregue pela planificação do país a longo prazo) a reflectir sobre "Que Cabo Verde queremos em 2030."


Tratou-se de um exercício de visualizar o potencial futuro e recriar em 500 palavras aquele futuro em papel, de forma a inspirar os caboverdeanos também a fazer as suas próprias reflexões. 

O artigo está publicado no site do II Fórum Nacional de Transformação – Cabo Verde 2030 (14-16 de Maio 2014), em http://goo.gl/4P5Hvj e republicado aqui:


Apanhados de um Cabo Verde em 2030

Em 2030 Cabo Verde pode se dar conta que o sistema de Previdência Social estará com graves dificuldades para equilibrar os gastos em relação às entradas. Com o aumento da qualidade e esperança de vida dos idosos mais pessoas estarão a usufruir deste serviço e haverá uma maior pressão económica e fiscal sobre o sistema. Entretanto, as taxas de desemprego apresentadas na camada juvenil implicam que milhares não estão a descontar e isto obrigará o Estado a suportar uma população que termina a fase activa sem dinheiro para a velhice. Por isso considero que são necessárias reformas, mesmo que impopulares. 

A Saúde parece estar a implementar planos com visão tecnológica, mas males como o cancro e doenças não transmissíveis mostram uma tendência perigosa de crescimento sobre a população.

O país irá se dar conta que o centralismo trouxe um problema para Praia: a incapacidade da capital oferecer conforto, segurança e qualidade de vida à sua superpopulação atraída pelos benefícios de estar perto do centro do poder. Aquilo que antes era entendido como uma verdade inquestionável (implementar tudo o que fosse possível na Praia) irá se revelar um problema para o próprio município. Quando se iniciar a descentralização vamos nos dar conta que os quadros já estabelecidos em Santiago serão os primeiros a se oporem ao regresso às suas ilhas menos desenvolvidas. É necessário descentralizar (mas não regionalizar) e aproveitar as novas tecnologias e com isso se criar uma intranet nacional.

Na eterna batalha entre o equilíbrio da busca pela liberdade e a necessidade de segurança, os cabo-verdianos aceitarão abrir mão de certas liberdades para se sentirem mais seguros. As forças de repressão do Estado ganharão mais poder para agir, principalmente, sobre o tecido urbano periférico que estará numa luta, não de classes, mas de zonas. O tecto máximo das penas aplicadas será maior que 25 anos e haverá, pelo menos, mais uma prisão de grande porte. O país terá desmantelado a força de Infantaria do Exército e relocado o orçamento para a Marinha e Aeronáutica para prestarem um melhor serviço no patrulhamento das águas territoriais e missões de salvamento. O ponto quatro do artigo 11º da Constituição da República terá caído e a primeira base militar estrangeira será instalada no nosso território.

Cabo Verde sentirá as consequências da pesca predatória do tubarão e dos acordos de pescas e seus efeitos sobre o ecossistema marinho. Com os investimentos em barragens, agro-pecuária e energias renováveis o país conseguirá fornecer a maioria das necessidades básicas do mercado interno.

A Juventude mostrará cada vez mais distanciamento da política e os níveis de abstenção que estão a subir irão acompanhar a tendência actual. Na Cultura teremos estabelecido a protecção do direito de autor e com isso a arte se tornará rentável para mais criadores.

Por fim, já seremos campeões do Campeonato Africano das Nações e com boas prestações na Copa do Mundo mas o crioulo continuará com dificuldades em demonstrar patriotismo por falta de um plano de valorização do que é nosso.

Entretanto, este exercício de fazer um apanhado de várias áreas é feito sempre tendo em mente que as influências exteriores têm um peso enorme sobre Cabo Verde. O certo é que vale a pena acreditar e fazer bem a nossa parte.


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