31 de janeiro de 2014

Marco Silva critica: obras na Laginha foi um caso de "Vendeme bo alma"


Marco Silva
NOTA: Este texto é da autoria de Marco Silva e é publicada aqui com a sua devida autorização.

Não sei porque razão sempre que passo na Laginha lembro da musica de Batchart "Vendeme Bo Alma" que o jovem rapper inspirou para "[...] metaforicamente, abordar a forma como, nesta sociedade consumista e "ausente de valores", nos vendemos tão facilmente. E como somos corrompidos por tão pouco. No meu entender, vender a alma significa prostituir minhas ideias e princípios. [...]" 

A memória do povo é curta... mas nem de todos 

Ainda no capitulo da "desqualificação da Laginha" no dia 31/10/2011 recebi um email de um amigo sobre o projeto da obra da Laginha com o titulo "Laginha com os dias contados"... Era o 2º email que enviava alertando para os possíveis estragos e veio na sequência de uma "apresentação pública" do estilo VIP em que nenhum dos lados da oposição partidária posicionaram (contra ou a favor) ... 

"Sempre que passo na Laginha a música 'Vendem Bo Alma' me vêm à mente" - Marco Silva

Meses depois veio projeto e a apresentação com todo o aparato mediático a disputa acesa entre pessoas da sociedade civil, instituição promotora da obra, instituições e ONGs ambiente e como não pôde faltar, os partidos. 

A construção do "esporão" que não estava inicialmente no projeto e em contramão os projetos da "Nova Copacabana Plus" de photoshop contrariavam as legitimas preocupações dos ambientalistas e surfistas. 

Confusão total para quem não tem discernimento e capacidade para analisar cautelosamente as informações (incluindo eu)... Para os apologistas da obra era melhor preocuparmos com uma "espécie exótica em risco de extinção" que é o Creol de Soncent do que os "meia duzia" de espécies que existem em todas as orlas e orelas de Cabo Verde... os surfistas?! eles que vão "surfar no Calhau e Monte Verde", quase que considerados "inimigos públicos".

Hostilidades abertas, photoshop ao serviço do mais esperto, estudos ambientais paralelos desenvolvidos pelos subversivos ao sistema, e claro, ofensas gratuitas á aqueles que defendiam as suas posições diversas. 

Baixou o nível, aqueles que não gostam de confusão e politica (70% população - dados oficiais) já enjoados com a mesquinhice partidária de sempre saíram da cena e fizeram como sempre: "Espera pra ver no ki vai dar?" na novela da SIC. 

Imagem da Laginha idealizada através do Photoshop

A preservação da Laginha ou o aprofundamento de alternativas, como criação de recifes artificiais ao invés do esporão nem foram cogitados, o que é normal, porque o que importa mesmo é opinião de Experts (=pessoa com bom cargo e algum grau acadêmico superior em áreas afins), mesmo porque de certa forma, aqueles que contestam são uns "atrevidos" (ora esta, ofender assim integridade moral e profissional da gravata.!?..)

Aprovado a obra, de longe atrás dos arames, a boa qualidade da areia, a vinda de novas espécies para o esporão ("olhe, aqueles ambientalistas otários disseram que ia acabar tudo...tsc tsc tsc e ainda nem inauguraram já está a dar resultados"), não se tardou a publicitar o grande presente que Mindelo acabara de receber... Nem precisa mencionar os olhares (comments) que fuzilavam os que protestaram, do tipo 008 "How Dare You?!".

Infelizmente a realidade até agora é outra: as partículas suspensas na água parecem não ter gravidade, a areia de péssima qualidade, praia mal delineada, demasiado impermeável e compactada, aumento do fluxo e das correntezas de uma parte (ante-esporão), diminuição da circulação da água em outra parte (pós-esporão), inclinação acentuada na entrada do mar, etc...etc

Felizmente isto tudo é reversível, e poderá sim ser uma praia de excelência que agrade a todos (gregos e troianos de SV). É preciso 1) afirmar e consciencializar que não está bem sim e que esta não foi o prometido; 2) exigir incansavelmente que reparem o estrago e que melhorem o local 3) Unir a causa e ir até instâncias necessárias... 

Este é o aspecto da Laginha após a abertura parcial (veja mais fotos)


Têm como modificar o cenário?

Tem sim capacidade para tal... com cabeça a funcionar, colocar os estudiosos e projetistas a repararem os erros, envolvimento dos comunitários e orçar para reinvestir na melhoria e tratar todo o processo de forma transparente. "Just simple as that!" 

Por enquanto podemos tirar boas lições disto tudo: 1) não podemos deixar tudo em mãos de alguns decisores; 2) não podemos abandonar os ideiais e a nossa moral por medo de errar; 3) não podemos terceirizar a nossa capacidade de intervir; 4) temos de saber ouvir todas as partes, elevar o debate publico, e sejamos mais exigentes com os decisores, seja ao nível do governo seja ao nível das empresas... Nós de São Vicente, que sentimos aquele "sodad" de Laginha não podemos compactuar com tal obra da forma que está.

E por ultimo, podes vender a sua Alma se quiseres e o diabo que te carregue, mas a minha ilha e Laginha é propriedade exclusiva do POVO de São Vicente.


4 comentários:

Nara Delgado disse...

não queria ser pessimista... mas coisas piores estao por vir....
# efim alguem com os olhos abertos
ps: obg daivarela: um crioulo n'descontra pelo contributo....
"Só quando a última árvore for derrubada, o último peixe for morto e o último rio for poluído é que o homem perceberá que não poder comer dinheiro." ja dizia um Sabio

Dersen Fonseca disse...

essim prop nhe broda bem dzid

Lauro Miranda disse...

mandou bem Marco

Anónimo disse...

Não é photoshop mas sim ou Autocad ou Skecthup. Que burro!!! Dá zero pra ele.
Brincadeiras à parte, concordo com tudo o que O Marco disse. Há que parar estes senhores enquanto é tempo. Senão vejamos: já entramos na era dos raptos em Cabo Verde e a próxima era será a era dos atentados a bomba e coisas do tipo (contem comigo para derrubar governos nem que seja à bomba). Temos de fazer manifestações de forma mais séria. Não é com passeatas em dias de feriado que o povo será ouvido. Temos de paralisar tudo e dar prejuízo a este (des)governo. Quando estive na laginha nem me apeteceu colocar os pés naquela areia, dei meia-volta e segue caminho. É extremismo que eles querem, é com extremismos que responderemos. Vi aqui no blog do Dai um filme dos rebelados, pois inspiremo-nos nos rebelados. REVOLUÇÃO JÁ. Spiá bost oiá.

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