9 de outubro de 2013

Romance "Dame um Café" de Helder Fortes retrata prostituição infantil no Mindelo


"Dame um Café" é o romance do autor Helder Fortes, nascido em São Vicente em 1980 e que agora irá publicar a obra no Mindelo (Cabo Verde) a 12 de Dezembro deste ano. Trata-se do seu segundo livro após ter lançado o romance "Ladeiras do Inferno" (2011).


Porquê "Dame um Cafe"?

É assim que a prostituição na ilha de São Vicente, diria eu, é simpaticamente chamada, uma forma encontrada pelas gentes da ilha para suavizar, minimizar e dissimular este problema, pois os jovens, crianças que pedem “dame café”, na não se auto consideram prostitutas (os). A problemática de prostituição infantil na ilha é crescente e bastante
alarmante, mas as pessoas, nomeadamente as autoridades continuam a achar que não passa de sensacionalismo jornalístico e de pura obra de ficção. 

Mas qualquer um que vive ou chega na ilha, basta sentar-se na Laginha para poder contar o número de adolescentes que se alinham com marinheiros da Cabnave. Se andar pela Av. Marginal vai ver com os seus próprios olhos quantas crianças andam por ali à procura de fazer sexo por uns míseros tostões, ou pelo preço de um café. 

Se passear pelas ruas, certamente que esbarrará nos velhos que sustentam esta actividade, explorando sexualmente os menores em troca de dinheiro. Se tiver coragem de entrar pelos subúrbios da cidade, moradas de pobreza, de miséria e de desgraça social pode ficar a saber qual o motivo que leva essas menores a entrar nesta vida de “dar café”.

Na dedicatória do livro, Helder Fortes escreve assim:

“Este romance tem como objectivo fazer um retrato de um problema social que tem vindo a alastrar muito rapidamente, uma espécie de um vírus que tem vitimado muitas crianças, murchando de forma precoce os seus sonhos, destruindo famílias, tudo em frente às autoridades que continuam negando categoricamente a existência da prostituição infantil nestas nossas ilhas. 

Através deste relato ficcionado, procuro chamar a atenção das autoridades da gravidade deste problema social, que todos teimam em continuar a fechar os olhos e a assobiar
Helder Fortes
para o lado, e através deste livro, dar à nossa sociedade a oportunidade de conhecer e reflectir um pouco sobre um dos maiores dramas sociais da nossa actualidade e que está a espalhar pelas ilhas, principalmente as com maior vocação turística. 

Como não poderia deixar de ser, dedico esta obra a todas as vítimas deste flagelo: a todas as crianças vitimas desta exploração; a todos os familiares das crianças que viram os seus sonhos abortados; a todas as criaturas sem nome, vítimas da maldita miséria que cresce com uma ligeireza alucinante pela ilha; a este povo explorado pelos seus irmãos pretos; aos meus familiares, amigos e leitores”.


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