12 de setembro de 2012

A fruta que comi era viçosa


Encontro-a sozinha. Recebe-me com um sorriso e aceito o convite para entrar. Poucas roupas dentro de casa porque São Vicente faz muito calor. Pergunto-lhe pela vida. 

- Normal – reponde -, enfadada mesmo. 

Toco-lhe nos cabelos e faço-lhe uma massagem na nuca quando nos sentamos. Sorri e
Agora faça o mesmo com a outra
nota que tenho os olhos pousados nos seus seios que quase saltam da pequena blusa. 

- Queres chupar duas mangas maduras das que recebi de Santo Antão? – pergunta-me e sem esperar pela resposta desce os dois degraus da cozinha e abre completamente o frigorífico à procura delas. 

Com um sorriso irónico respondo que quero chupar suas mangas sim. Ela dá uma gargalhada e oferece-me o fruto. São carnudas. 

- Acho que gostaria de ter sido agricultor para comer aquilo que tivesse plantado – dizia-lhe enquanto eu trazia o fruto para perto do nariz para sentir seu aroma, soprá-lo e passar a língua em círculo antes de começar a chupá-lo. 

- Chupas manga diferente. 

- Diferente é bom? 

- É diferente – disse acompanhado de um sorriso nervoso como se estivesse com cócegas. Parecia ter prendido a respiração enquanto eu chupava a manga. Levantei a cabeça. Ouvi-a respirar fundo. 

- Agora faça o mesmo na outra – pediu-me mas desta vez sem aquele risinho nervoso e sem prender a respiração. 

Mordi uma manga e lambuzei em seu mel. Senti o sabor. Sorvi. Descobri como seu fruto roliço poderia ser saboroso. A pele suave e tesa cheirando a madura e o gosto de fruta viçosa. O desejo por aquela tentação de Santo Antão aumentou ainda mais. Uma, duas mangas nas mãos. Duas mangas na boca. Comia com prazer. Ela observava-me a chupar o fruto com gosto. Quase numa súplica ouço-a: 

- Come – incentiva-me numa voz mole – come minhas mangas. E estica a mão para também pegar uma. Apalpa. 

- Está dura. Assim que gosto – diz num sorriso. Leva-a para a boca e começa devagar até aumentar o ritmo, como se estivesse a saciar uma fome antiga. Chupa-a até aparecer a semente branca. Da boca dela escorre mel de manga. Limpa-se quase sem jeito. 

O desejo por mais manga faz-me confessar-lhe a minha vontade de ser agricultor, mesmo que ficasse com a mão dura e grossa por segurar o cabo da enxada ao enterrá-lo na terra macia e molhada. Mas saberia que a cada golpe cresceria minha alegria por ver a região exuberante. Saberia que a mão dura e grande que segura o cabo suado pelo movimento de entrar e sair de dentro da mata curta era pela esperança de vê-la florir. Um trabalho. Um prazer. Fazer brotar uma, duas, várias flores brancas e viçosas para no final descansar. Ela gostou do meu desejo, minha vontade, meu sonho. 

- Adorei ter-te aqui dentro da minha casa – disse-me ao despedir-se antes de ir limpar a sala que ficara uma confusão por causa das mangas. 

8 comentários:

zito azevedo disse...

Essa cena de se lambuzar nas mangas maduras a pensar nos marmelos verdes dava um óptimo filme...E, já agora, que idade tem a dona dos marmelos, desculpe, das mangas?

sté disse...

Esse texto deu-me até vontade de comer algumas mangas, mas daquelas bem maduras...

dai varela disse...

@zito azevedo não me metas em confusões. Isto aconteceu num tempo sem tempo e foi tipo, uma "missa de corpo ausente", hehehehe. Digamos que faz parte de um imaginário frutífero

dai varela disse...

@sté força lá e veja se não fazes muita lambança com seu mel...

Anónimo disse...

hahahah, es eh kel kriol na descontra kun ta k sodad. mi ja bo matam k bos manga.
forca la ma kis manguinha e k bo t otcha kel ot fruta k tita faltob

dai varela disse...

@Anónimo thanks. um te bem tenta continua a fazeb sab com nha escrita. abc

zito azevedo disse...

Pois é claro, meu amigo, nem outra coisa me passou pela cabeça, muito embora um amigo meu costume dizer que é a sonhar que se costroi a realidade...Um abraço e...viva o erotismo!

Anónimo disse...

é nhe brodix a dias bo dze ma bo tava gosta de escreve um programa de humor criol p tv, ma txame dob um concelh...é melhor bo escreve sobre LUXURIA.Man bo tem um sencibilidade pe descreve detalhes dum simples cena de se... que imprecionant
Man mim ess text ja txame sab man, ate einda um que pud para de erri
Mut nice ess text man
Roger

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