19 de abril de 2012

[Desafio Criativo Nº3] - A culpa é do mordomo

Cármen Sequeira e Calú, mordomo da casa e o filho da empregada, Maria, foram levados pelo investigador Nataniel Borges. Ninguém parecia acreditar. Aparentemente esses dois nada tem a ver um com o outro. Carmenzita, como era conhecida, tem um nariz arrebitado, pele muito branca, feição rude e muito ‘patricinha’. Sempre dizia que não se misturava com “gente pobre”, “empregadinhos” pessoas que não eram do mesmo nível social que ela. Já Calú, um rapagão, muito bonito, tímido, andava sempre de cabeça baixa, e respeitava a todos. Aquilo a que chamavam um santo. Todos pensavam que o que Calú sentia por sua patroa, Senhora Eva Sequeira, era apenas devoção mas este nutria uma paixão perdida e inexplicavelmente por Eva. 

Horas antes da festa, Calú tinha-se declarado à patroa todo o amor, a paixão, o fogo que ardia em sem peito, a dor que sentia por ver Eva todos os dias, conviver com ela, sem poder tocá-la, sem poder falar ao menos o que sentia. Naquela noite conseguiu roubar um beijo à patroa, que durou alguns segundos. Carmenzita que passava pelo corredor tinha visto tudo. Apesar do seu ar de superior, ela também tinha uma paixão escondida, proibida por ela própria, porque ia contra o seu ideal. Amava loucamente Calú de Maria, o filho da empregada. Por este ser apaixonado pela madrasta, ela odiava-a. Odiava-a também por se ter casado com o pai, odiava-a porque o seu pai deixou a maioria dos seus bens à madrasta e agora odiava-a também porque achava que lhe tinha roubado o amor da sua vida. 

Quando o filho foi levado, Maria começou a chorar, inconsolavelmente. Alberto da Silva, aquele que achavam que era amante da Eva, não sabia o que fazer. Estava inquieto, impaciente. Parecia que tinha alguma culpa. Doutor Almeida e Andreia Fernandes olhavam-se fixamente, incrédulos, apesar de que Andreia, melhor amiga da falecida, desconfiasse na hora da enteada de Eva. 

Todos seguiram o investigador, assim que este levou os dois suspeitos algemados. Horas depois, na delegacia, depois de muita prensa em Calú e Carmenzita, que foram mantidos o tempo todo em mais interrogatórios em salas separadas e de muitas contradições por ambas as partes, foi a vez da acareação. Borges que era o melhor investigador daquela cidade já tinha percebido que os dois estavam metidos no assassínio, até desconfiava quem havia desferido o golpe na coitada de Eva, mas o motivo ainda era uma incógnita. Seria por causa da paixão e do ódio? 

O pessoal já se encontrava na delegacia, à espera de respostas. Respostas estas que tardavam. Todos andavam de um lado para o outro. Oito horas depois Borges apareceu na sala de espera e mandou chamar Dúdú. Todos olhavam fixamente e com desconfiança para ele. Algumas horas depois este saiu pálido, e a chorar desesperadamente. O suspense aumentou. Todos queriam saber o que havia sucedido lá dentro, mas Dúdú não conseguia falar, eram soluços e choros. Borges, apareceu logo de seguida, e o mistério parecia ter sido resolvido. Eis que Borges disse: “A culpa é do mordomo”. Maria soltou um grito e caiu no chão, desmaiada. 

Andreia amparou Maria, e doutor Almeida a socorreu. Minutos depois esta acordou e aos poucos foi recobrando a memória. Foi então, depois de ter recuperado um pouco as forças que por fim perguntou: “Mas investigador, o que aconteceu?”. Borges contou. 



Parece que a senhorita Cármen deu as voltas à cabeça do seu filho. Dúdú é filho da senhora Eva e não amante. Ele só soube agora. Parece que o motivo da festa na casa grande era para Eva revelar que encontrou o filho que julgava morto a mais de 25 anos. Pelo que consegui apurar, Cármen, depois que o pai morreu e de deixar a maioria da fortuna à sua actual mulher, ela não gostou. Ultimamente, Eva tinha recebido uma carta anónima a dizer que seu filho estava vivo e me contratou para procura-lo. Encontrei-o há quase um ano e Eva visitava-o frequentemente sem deixa-lo saber quem ela era. 

Parece que Cármen ouviu uma conversa telefónica de sua madrasta dizendo que vai contar tudo ao filho e dizer que vai herdar uma fortuna. Esta não gostou e usou seu filho Maria. O pobre Calú estava loucamente apaixonado pela patroa. Cármen disse para ele que Eva ia se casar com um jovem muito elegante e que nunca iria conseguir conquistá-la. Este então aceitou a proposta de Cármen em eliminá-la. Mas momentos antes de o fazer resolveu se declarar, mas Eva o rejeitou. Calú esperou o momento da festa, onde todos estariam distraídos e achou um momento de subir discretamente ao quarto da patroa. Mais uma vez declarou-se e foi rejeitado de novo. 

Eva confessou-lhe que tinha encontrado alguém muito especial que há muito procurava. Calú havia fingido aceitar a rejeição e pensando se tratar de um amor de Eva abraçou-a muito forte dizendo-a que nunca iria amar mais ninguém como a ela, e desferiu-a sete golpes, deixando-a caída no chão.



OBS: este texto é da autoria de Carla Gonçalves e faz parte do Concurso de Escrita Criativa



1 comentários:

Carlos disse...

o mordomo sempre sai mais prejudicado sempre. Um excelente texto Carla

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