7 de março de 2012

“Condutores particulares estão a fugir da inspecção”, alerta responsável da ITAC

Ismael Neves, director técnico da Inspecção Técnica de Automóveis de Cabo Verde (ITAC), confrontado com as queixas dos condutores garante que seus objectivos não são reprovar veículos. Afirma ainda que os condutores particulares estão “fugindo” da inspecção e os taxistas estão mais cuidadosos com os carros. 

Ismael Neves -  engenheiro responsável pela ITAC 
De uma forma geral, aquele responsável pela inspecção das viaturas em todas as ilhas, excepto Santiago, considera que há melhorias significativas nos automóveis após entrada da ITAC. Este nota que o sector dos táxis é o que mais melhorou desde o início das actividades em 2005 na Praia e depois em 2007 no Mindelo. 

“Quando começámos tínhamos casos críticos em termos dos transportes públicos urbanos, com táxis a lideraram nas diversas anomalias perigosas”, afirma o engenheiro. “Depois de algumas reprovações durante as inspecções, hoje nota-se que os taxistas já adquiriram a cultura de cuidar dos seus veículos e de adquirir equipamentos de segurança antes de apresentarem-se na ITAC”. 

Neste momento há mais problemas nos veículos particulares porque “alguns condutores estão fugindo” da inspecção. “As formas mais comuns de driblar a inspecção é através do empréstimo de partes como rodas, extintor, farol de iluminação ou triângulo de sinalização”, aponta. 


Apesar das queixas dos condutores em relação às inspecções, a ITAC garante que o seu objectivo não é reprovar veículos, mas sim verificar o estado de manutenção dos automóveis e actuar num sentido pedagógico. O engenheiro alerta que é preciso ter-se em conta que há anomalias que não é possível ao condutor detectar, nem mesmo quando o carro vai para o mecânico. “Mesmo nossos técnicos na inspecção visual não conseguem detectar. É preciso usar nossas máquinas para conseguir descobrir os possíveis problemas no sistema de travão ou fuga de fluído em algum tubo no interior do carro”, explica este técnico. 

A ITAC está a trabalhar com três inspectores em São Vicente, três em Santiago e dois na Boa Vista e só existe uma unidade fixa na Praia e no Mindelo. A empresa considera que não se justifica ter a ITAC de forma permanente nas restantes ilhas por causa do pequeno número de carros. 

“O parque automóvel de Santiago ronda os trinta mil veículos, São Vicente cerca de oito mil, Sal tem dois mil e Boa Vista quase que não chega aos mil automóveis”, justifica Neves que fala em menos de um mês para inspeccionar os carros nas restantes ilhas onde levam a estrutura móvel de inspecção. 


Causas das Reprovações 

As maiores causas de reprovação são problemas nos travões, emissão de gases pelo tubo de escape, suspensão e direcção. A recomendação é que um veículo novo deve ser inspeccionado dois anos após a data da matrícula e depois anualmente. 

As maiores causas de reprovação são os travões,
emissão de gases do escape e suspensão
Se o veículo for reprovado o condutor tem trinta dias para retornar para verificar se a anomalia foi corrigida. No caso de haver nova reprovação terá mais trinta dias para resolver o problema e vai-se seguindo assim até que ele resolva o problema. 

“Se fosse noutros países mais desenvolvidos o carro seria automaticamente retirado de circulação mas aqui temos que levar em conta a nossa situação em adquirir peças para os veículos”, observa Ismael Neves. 

Este engenheiro recomenda que antes de comprar um automóvel, sobretudo em segunda mão, é necessário levá-lo para a inspecção. “Muitas vezes o comprador arrepende-se do negócio por causa das despesas que terá com o veículo quando uma inspecção periódica de um ligeiro custa 1150 escudos e um pesado é 1840 escudos”, sugere em tom de conclusão. 


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