29 de janeiro de 2012

Ñaque, Piolhos e Actores - eu vi e gostei

Fazer teatro em tempo de frio e ameaça de chuva é arriscado porque um crioulo pode sentir muita preguiça de ficar debaixo daquela água gelada que sai das torneiras por estes tempos e resolver ficar em casa. Mas, ao que parece o público que encheu o Centro Cultural do Mindelo para ver Ñaque, Piolhos e Actores não teve esse problema (ou então aqueceu a água). 

Manuel Estevão (esquerda) e João Branco
proporcionaram um grande espectáculo 
Solano e Rios são os dois actores em palco que correram o risco de trazer um novo personagem para a cena. Um personagem heterogéneo, que não preparou os textos, que não sabia as falas, que nunca frequentou um curso de iniciação teatral, um personagem que fazia a sua estreia naquela noite e que aprendia as deixas no momento: o Público. 

E o público correspondeu no seu palco de uma cadeira porque já são muitos anos de experiência a assistir peças nacionais e estrangeiras, muitos anos de ensaios e de estreias no teatro do Mindelo. 

Ñaque, Piolhos e Actores é um espectáculo que surpreende por esta particularidade: depende mais do público do que aquilo que é habitual. A interactividade é constante, maior no início, mas ela está sempre lá nos movimentos envolventes que não te deixam esquecer que tens um papel naquela peça. Um papel tão importante que enquanto as luzes da geral alumia o público os próprios actores sentam-se para apreciar a representação. 



Veja o vídeo da reportagem sobre a peça

Um dado de se notar é essa aposta na simplicidade dos cenários. Longe vão os tempos em que artistas como Bento Oliveira, João “Boss” Brito, Manú Rasta, Nóia ou outros produziam complexos objectos cenográficos onde os actores movimentavam-se e interagiam (será da crise?). Ñaque, Piolhos e Actores é feito num único acto, sem que os actores abandonem o palco durante os 80 minutos pelo que o jogo de luzes não poderia ser mais fácil. 

Outra característica é a presença da música ao vivo durante a peça, neste caso com Mick Lima na bateria. Uma aposta com todos os perigos que ela acarreta mas que traz uma nova riqueza ao teatro porque é mais um elemento de pressão e sincronia para que tudo corra bem. E correu tudo bem. 

Então porque fazem arte?
Fui ao espectáculo com uma grande curiosidade depois que um amigo disse-me: “ah João Branco é bom como encenador mas como actor já nem tanto”. Já tinha visto muitas peças produzidas e encenadas por ele mas nunca tinha-o visto em palco por isso quis ver se ele fazia jus ao ditado: “quem sabe faz, quem não sabe… ensina.” 

Na companhia de um actor que é considerado uma escola de representação como é o caso de Manuel Estevão tudo fica mais fácil (heheheheh brincadeira). A verdade é que Ñaque, Piolhos e Actores proporcionou uma grande noite de teatro com dois actores de qualidade e com um texto divertido e profundo. Um texto capaz de te fazer rir e questionar o porquê que há pessoas que continuam a fazer arte num mundo sem reconhecimento e a criar coisas que daqui a nada serão… nada. 

PS: O vencedor do 1º Sorteio aqui do blog foi C.RM.86 e recebeu seu bilhete. Depois do espectáculo ele disse-me que gostou da peça também. 


ÑAQUE, PIOLHOS E ACTORES — FICHA ARTÍSTICA 

Peça original de - José Sanchis Sinistierra 

Direcção Artística - João Branco 

Direcção Plástica - Bento Oliveira 

Direcção Musical - Mick Lima 

Direcção de Movimento - Janaina Alves 

Interpretação - João Branco e Manuel Estevão 

Desenho de Luzes - João Branco 

Assistente de Encenação - Elísio Leite 

Produção - Centro Cultural Português – IC / Pólo do Mindelo 

Duração do Espectáculo - 80 minutos / sem intervalo 

45a produção teatral 



7 comentários:

JB disse...

Excelente texto, Dai. Gostei particularmente da última frase, que resume muito bem a alma da peça. Abraço e obrigado pelo feed-back, sempre tão importante para nós.

dai varela disse...

@JB
'brigada e votos de sucessos

Anónimo disse...

leca culo

vaffanculo disse...

o JB gostou da ultima frase, pois è, ele anda a procura de reconhecimento, mas deve ter em conta que nem todos os fazedores de coisas ou artistas como queiram chamar-lhes criam ou tentam criar com o objectivo de procura de reconhecimento mas sim de puro prazer e amor a aquilo que faz, feeling.vai Jb um dia hàs-de de ser reconhecido ,seràs capa da Time Magazine e chegaràas ao estrelato em hollywood.
ma vaffancuuuulooooooooooo

Laís disse...

Peça sab e bnit..gostei imenso...bom texto Dai

JB disse...

Vaffanculo, eis nome combina na perfeição com os textos que publica!

vaffanculo disse...

và-se là saber porque mas sempre tive uma queda para fanculerices de fanculeiros como tu. pois è, nao gostaste JB, nao era para gostares mesmo, aliàs nao suportas comentarios(pq nao escrevi nenhum texto) que nao sejam a teu favor.somos fanculeiros do mesmo saco.vai acostumando pq aqui nao podes sensurar comentàrios.
ma vaffancuuuuuuuuuuloooooooooooooooo e vivò o nosso porto

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