27 de novembro de 2011

Comandante dos Bombeiros de S. Vicente acusado de corrupção



O Comandante dos Bombeiros Municipais de São Vicente, João Barros, é acusado de várias irregularidades na Corporação que dirige. Um processo de averiguações já estará em curso depois que a Câmara Municipal (CMSV) recebeu duas cartas de dois bombeiros que o A NAÇÃO teve acesso. O Comandante recusa-se a falar e afirma que são acções de pessoas “mal intencionadas e identificadas” 


Comandante dos Bombeiros Municipais - João Barros
Em carta datada de 19 de Setembro de 2011 e dirigida ao Presidente da CMSV, Augusto Neves e com o conhecimento da Assembleia Municipal, o bombeiro Domingos António Gomes descreve aquilo que considera de “serviços efectuados de forma ilegal através de ordens dadas pelo Comandante”. No mesmo documento solicita um inquérito feito aos Bombeiros Municipais porque alega, “será possível verificar a sua veracidade”. 

Numa missiva de três páginas, este bombeiro relata casos como “transporte de água com o [camião] Volvo da CMSV para abastecer piscina de privado com 52 toneladas de água no Lazareto” bem como de “transporte de água para o Madeiral para um privado no Volvo da CMSV” e aponta os nomes dos elementos envolvidos nestas actividades. 


Na carta endereçada a Augusto Neves pode-se ler acusações a João barros como “serviço de prevenção no Aeroporto de São Pedro (ASP) com viatura Volvo CVB-4218, pagos 500$00 por hora directamente no gabinete do Comandante Barros e o dinheiro referente a viatura onde vai?” Ainda o bombeiro questiona que o “serviço de Combate a Incêndio com o volvo da CMSV, CVB-4218 efectuado por [um] bombeiro acompanhado por um condutor ao ISECMAR pago por este serviço, mas o dinheiro não dá entrada no cofre da CMSV, onde pára esse dinheiro?” 


“Onde pára esse dinheiro?” 

Domingos A. Gomes está
suspenso por 3 meses devido
a esta polémica
Domingos António Gomes enumera ainda diversos serviços de auto-escada, feitos “a 12 mil escudos por hora” no ASP, na Shell, no navio-motor “Boavista” da Conchave e na reparação e limpeza de equipamentos da ENAPOR, sempre apontando os nomes dos bombeiros que efectuaram essas operações, mas questiona na carta que “o dinheiro não dá entrada no cofre da CMSV. Onde pára esse dinheiro?” Este bombeiro acredita que na sequência desses dados será possível verificar a veracidade através de um inquérito feito aos Bombeiros Municipais pois “existem mais ilegalidades do Comandante conhecidas pelos outros bombeiros”, declara. Ainda aproveita para lembrar a Augusto Neves que a Câmara Municipal já tinha sido alertado de irregularidades no seio dos serviços dos bombeiros “embora não houve qualquer tipo de resposta ou acção da CMSV por causa das constantes ausências da Presidente Isaura Gomes por baixa médica.” 


Mais queixas 

Mas as acusações não se ficam por aqui nem por Domingos António Gomes. Outro bombeiro, Rogério Leite, que também é Delegado Sindical já havia endereçado uma carta a 15 de Agosto de 2010 à CMSV onde enumera dezasseis irregularidades que vão desde “uso indevido de viaturas e materiais” até “aplicação de processos sumários” dentro da Corporação. “Mas o que é interessante”, pode-se ler na carta que o A NAÇÃO também teve acesso, “é o Comandante não se preocupar com a segurança dos seus subordinados. Ao invés de nos ceder a viatura concedida pela CMSV para expedientes do Serviço dos Bombeiros, prefere sair na mesma viatura do ESTADO [sic] durante todo o dia de sábado em paródias, passeios nas praias e quem sabe mais, e apresento provas em anexo, fotos tiradas entre as 18 e as 19 horas do dia 14/08/2010”, escreve. 

São várias acusações apresentadas ainda quando Isaura Gomes era Presidente da CMSV e que levaram os Bombeiros a solicitarem uma reunião no mês de Fevereiro de 2010 com o Secretário Municipal (SM) e a Directora dos Recursos Humanos (DRH) para “fazer ver as irregularidades no seio da nossa Corporação” como refere o Delegado Sindical. “Mas o nosso Comandante privou-nos deste encontro, trazendo com ele o Presidente substituto [na altura], Augusto Neves que por sua vez não estaria totalmente actualizado em relação aos nossos equipamentos e a nossa forma de trabalho, logo não poderia responder-nos sem o suporte do SM e DRH”. 

O Comandante Barros é também acusado de não ter feito uma única reunião do Comando para os Bombeiros durante os anos de 2007 e 2008. “No entanto durante esses dois anos ele recebeu os louros do nosso trabalho”, reclama o Delegado Sindical. 


Pessoas mal intencionadas? 

Contactado pelo A NAÇÃO, o Comandante Barros recusa falar deste assunto por ser “do foro interno e da competência da CMSV” mas adianta que estas acções “são de autoria de pessoas mal intencionadas e identificadas.” 

Outra autoridade com conhecimento destes casos é o Presidente da Assembleia Municipal de São Vicente, João Gomes. Contactado pelo A NAÇÃO este declara que “houve uma carta endereçada à CMSV com o conhecimento da Assembleia Municipal mas quem tem que responder é a Câmara Municipal”. 

Apesar das várias tentativas deste semanário não foi possível chegar à fala com o Presidente da CMSV, Augusto Neves, para se saber como está a decorrer o processo de averiguação das alegadas irregularidades na Corporação dos Bombeiros Municipais.




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