19 de outubro de 2011

AUTÁRQUICAS’2012: Amadeu Cruz admite terceira candidatura no Porto Novo

Amadeu Cruz
Amadeu Cruz admitiu ao A NAÇÃO concorrer a um terceiro mandato, à Câmara Municipal do Porto Novo (em Santo Antão), "caso o MpD quiser". Esta eventualidade deixa os pré-candidatos do seu partido e adversários em suspenso. No PAICV vários são, neste momento, os posicionados na grelha de partida.

Com o aproximar das eleições autárquicas, no Porto Novo, está para breve a definição das águas dentro do MpD, a começar por Amadeu Cruz, que meses atrás manifestou a intenção de se retirar ao cabo de dois mandatos consecutivos. Esta simples eventualidade mexeu, como não podia deixar de ser, em sectores dentro do próprio MpD.




Em conversa com o colectivo de A NAÇÃO, na Cidade do Porto Novo, aquele autarca fez saber que a decisão "está para breve" e que na balança estão "razões pessoais e familiares", 
Amadeu Cruz
fora a sua "amizade" com o presidente do MpD, Carlos Veiga. A isso juntam-se as "pressões" do seu partido e populares no sentido de não abandonar o barco numa altura em que o PAICV está em clara subida na ilha.

Nos pratos dessa balança não deixará de pesar o facto de os tambarinas terem conseguido vencer no Porto Novo as eleições legislativas de 6 de Fevereiro último com uma diferença de mais de mil votos. Isto para não falar do passado em que o PAICV esteve, mais de uma vez, à beira de abocanhar aquela Câmara Municipal.


DE OLHO

É, pois, diante disso e numa altura em que são visíveis os investimentos do Governo na ilha que Cruz pondera colocar as suas razões pessoais em segundo plano e avançar para as Autárquicas’2012.

Valter Silva
Apesar de colocarem as suas decisões em banho-maria e à espera da Comissão Política do MpD, alguns nomes já manifestaram o seu desejo de concorrerem, caso Amadeu Cruz desistir de tentar um terceiro mandato. E um dos nomes de que se fala com alguma insistência é o do coordenador do MpD no concelho, Valter Silva, que apesar da sua pouca experiência política é um dos colaboradores mais directos do edil.

O jovem de 33 anos e que é técnico da Câmara do Porto Novo declarou ao A NAÇÃO que caso Amadeu Cruz avance terá todo o apoio da estrutura local mas também não nega a possibilidade de se apresentar a votos perante os portonovenses. "A decisão de escolher um candidato cabe à Comissão Política do partido, pelo que ainda temos que esperar antes de qualquer anúncio", declara.

Outro nome ventilado é o de Aníbal Fonseca, economista e vereador no pelouro da Administração Financeira e Controlo da Gestão Interna da Câmara do Porto Novo que já confirmou sua disponibilidade para representar o MpD nas Autárquicas 2012. A sua decisão está também dependente da resposta de Amadeu Cruz, pois este afirma que não avança se o edil der luz verde à sua recandidatura.


PAICV COM EXCESSO DE CANDIDATOS

Pelos lados do PAICV as contas também estão por fazer. Estas passam por saber quem será o candidato e depois a estratégia política a adoptar face ao adversário. Isto porque ninguém nas hostes tambarinas nega que uma coisa é defrontar um candidato que se apresenta com dois mandatos e à procura de mais um, e outra bem diferente é defrontar um adversário sem capital ou passado político.

Carlos Alberto Delgado
O presidente da Comissão Política Regional do PAICV em Santo Antão, Carlos Alberto Delgado, avança ao A NAÇÃO que, apesar do seu partido ainda não ter candidato, está-se a trabalhar para ganhar a Câmara do Porto Novo. "Nestes vinte anos de gestão municipal do MpD, estes quatro anos são os piores de todos, tendo em conta a gestão desastrosa de Amadeu Cruz", afirma, sem porém deixar de apontar alguma "estabilidade social" no concelho.

Apontado como o "homem de confiança" de José Maria Neves na ilha, Kakay conta ainda com o apoio do secretário-geral do PAICV e seu conterrâneo, Armindo Maurício, pelo que se diz ter o apoio da cúpula do partido mas o mesmo já não se passa nas bases com os militantes. Delgado é considerado um dos grandes obreiros da vitória do PAICV nas últimas Legislativas em Santo Antão pelo que pode usar este factor para negociar um possível apoio. Contactado pelo A NAÇÃO, ele prefere no entanto não se assumir como candidato, mas também não descarta esta possibilidade.


COM APOIO DAS BASES

Rosa Rocha
Quem pode vir a mostrar-se como seu maior concorrente é Rosa Rocha que, ao contrário de Delgado, parece ter o apoio das bases. Para isso muito pode ter contribuído o facto de ela ter sido delegada da Agricultura em Santo Antão e depois secretária de Estado dessa pasta e conhecer a realidade de uma ilha que tem como motor de economia o sector primário (agricultura, pecuária e pescas).

Este apoio das bases terá sido uma das razões que levaram a uma subscrição que conseguiu recolher cerca de três mil assinaturas para propor o nome de Rosa Rocha como candidata do PAICV, apesar deste acto não ter caído muito bem nos lados desse partido no Porto Novo.

Outros nomes também são avançados como é o caso de Emitério Ramos, candidato derrotado em 2008. Diante dos cenários que se desejam o mesmo já manifestou, desde Março, em carta dirigida ao primeiro-secretário do PAICV no Porto Novo, a sua intenção de voltar a lutar pela edilidade.


ETERNO CANDIDATO

Alberto Josefá Barbosa
Alberto Josefá Barbosa é outra eterna possibilidade. Tal como a maioria dos outros possíveis candidatos fizeram durante a segunda volta das Presidenciais, ele foi sondando a população para saber qual o nível de aceitação caso decidir concorrer. De todo o modo, hoje está mais ligado ao mundo empresarial do concelho do que da política activa, propriamente.

O certo é que havendo vários candidatos dentro do PAICV, esta formação poderá ter que recorrer à eleições primárias onde as bases irão decidir quem deverá merecer o apoio dos tambarinas no Porto Novo. E, pela experiência de outros lugares, a disputa poderá não ser fácil nem tranquila.


Publicada (também) no Jornal A NAÇÃO N. 215



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