3 de agosto de 2011

PRESIDENCIAIS: O diferencial São Vicente


Para estas eleições presidenciais 2011 temos quatro candidatos com perfis completamente diferentes mas que têm todos um ponto em comum: a ilha de São Vicente (SV). Desde candidatos que nasceram na ilha, a outros que despertaram para o mundo em SV, até candidatos que já foram presos aqui, estes e outros aspectos que fazem questão de sublinhar na hora de pedir o voto dos mindelenses. Enquanto isso, “poupança” é a palavra de ordem nas campanhas.

 

Candidatos a Presidente da República

Pela primeira vez na História de Cabo Verde os candidatos à presidência da República são todos oriundos da zona norte do país, mais precisamente de Santo Antão, São Vicente e Boa Vista. Curioso ainda é o facto de dois dos candidatos (Manuel Inocêncio Sousa e Jorge Carlos Fonseca) serem naturais da ilha do Porto Grande. O primeiro é nascido e criado, o segundo apenas aqui nasceu, já que passou a infância e a adolescência na Praia.

Outro candidato que tem as origens bem perto do Monte Cara é Joaquim Jaime Monteiro, natural de Coculi – Santo Antão, ilha que, como todos sabem, tem uma forte ligação com São Vicente

Já o boavistense Aristides Raimundo Lima que viveu sua juventude em SV, ilha onde “aprendeu a conhecer Cabo Verde e despertou para o mundo”, como afirmou perante mais de quatro mil pessoas presentes no comício-festa realizado na última quinta-feira na Avenida 5 de Julho, no Mindelo.

Nesta corrida, por ser dos quatro candidatos aquele que mais próximo se encontra de SV, Manuel Inocêncio Sousa (MIS) é, em princípio, o concorrente que melhor poderia explorar este factor emocional a seu favor. Mas atenção: é apontado pelos seus críticos como “antipático e pesado”, contrastando com a ideia do mindelense que gosta de divertir-se e levar a vida com mais descontração. Ou seja, Nice, como é tratado pelos seus patrícios, está longe de ser aquele que melhor representa o espírito mindelense.

 

Manuel Inocêncio Sousa

Manuel Inocêncio Sousa (MIS), Aos seus críticos o candidato apoiado pelo PAICV responde que reconhece ser uma “pessoa reservada” mas que não é “antipático e nem uma pessoa pesada como muitas vezes se diz de mim por aí erradamente". Represento São Vicente desde 1995, quando me tornei cabeça de lista pela ilha na Assembleia Nacional. Sob meu comando, várias vezes o PAICV venceu as eleições na ilha, portanto, a ideia de que os mindelenses não se identificam comigo é pura campanha dos meus adversários”.

Mesmo com uma postura mais reservada, campanha “oblige”, o certo é que a campanha eleitoral de MIS em São Vicente promete ser “muito alegre” e quem o garante é o director de campanha de MIS, João do Carmo, que aposta na contenção de gastos para fazer chegar a mensagem a um eleitorado maioritariamente jovem que tem fama de gostar de festas mas que se mostra, diga-se, pouco entusiasmada por esta disputa presidencial.

Para chegar até as pessoas a candidatura tem agendado um total de 9 comícios em 15 dias de campanha e várias acções de porta a porta por toda a ilha que terminarão com o comício de encerramento, à meia-noite de 5 de Agosto, de novo, na Avenida 5 de Julho.   



Joaquim Jaime Monteiro

Joaquim Jaime Monteiro (JJM) tem o umbigo na “ilha das Montanhas”, que está intimamente ligada à SV pois foi aqui, como contou ao A NAÇÃO, que foi preso uma vez, 1966, só porque teve de levar um recado de Pedro Pires a familiares na ilha do Fogo. “Fui preso as 10 horas, mas libertaram-me as 11”, frisou sem dar mais detalhes.

Mas foi em Santiago que JJM decidiu dar o pontapé de saída para a sua campanha eleitoral. Na sua passagem por SV, o candidato fez questão de percorrer a cidade e as loclidades rurais para apresentar a sua mensagem de “candidato do povo” que,  já que como é sabido, ainda não tem sede de campanha por estas bandas e portanto não tem uma equipa local para divulgar seu lema "Continuar Cabo Verde, Melhorar Cabo Verde".



Aristides Raimundo Lima

Aristides Raimundo Lima (ARL) veio de Boa Vista para estudar o ensino secundário em SV e foi na cidade do Mindelo que passou a sua mocidade e dela guarda boas recordações e uma dívida de gratidão pelo “acolhimento enquanto estudante, apoio e amizade”, como afirmou em cima do palco no seu primeiro comício-festa nas ruas da Morada, em São Vicente.

Do Mindelo conseguiu o apoio do PTS, partido com fraca expressão eleitoral, liderado por João do Rosário, mas também da UCID, formação que nas últimas eleições legislativas conseguiu cerca de dez mil votos, mas cujo seu presidente, António Monteiro, ao contrário do que prometera inicialmente (tinha prometido não envolver-se na campanha) vai mesmo subir ao palanque para apoiar Lima. No seu primeiro comício, na Avenida 5 de Julho, AL e os seus apoiantes disseram que querem “fazer história em Cabo Verde”, também, com o voto dos mindelenses.isto devido ao de estar a concorrer contra os dois principais partidos: PAICV e MPD.

Depois do comício-festa com, a campanha eleitoral de ARL em SV tem-se concentrado em comícios nas zonas urbanas e rurais procurando “gastar o estritamente necessário, sem luxos, nem esbanjamentos”, como avança a mandatária para a ilha, a médica Filomena Rodrigues. O próximo comício com a presença de ARL acontecerá no dia 4 de Agosto na Praça Dom Luís (Largo do Pássaro) e será o encerramento da campanha na “ilha do Monte Cara”.


Jorge Carlos Fonseca

Jorge Carlos Fonseca (JCF), natural de SV, mas com vida feita na Praia, assumiu desde o inicio da pré-campanha que estava “claramente no primeiro lugar em São Vicente” em relação as outras candidaturas, conforme um estudo de opinião. JCF ficou, entretanto, decepcionado com o apoio da UCID a Aristides Lima, dado que contava ter os democratas-cristãos com ele.

No seu comício na Rua de Lisboa (Mindelo), JCF apresentou-se sábado (16) perante uma boa moldura humana, para alertar os sanvicentinos do perigo de colocar "todos os ovos no mesmo saco" com a possibilidade do poder ficar concentrado todo no PAICV. À semelhança de outros lugares, JCF espera mobilizar os votos do MpD em SV e com isso chegar a PR, como é seu desejo desde 2001. O seu principal cabo eleitoral, Carlos Veiga, é outro que nasceu em SV, mas com vida feita em Santiago, gozando ainda assim de grande apoio entre os seus “conterrâneos” mindelenses.

Em tempo de crise e estagnação, as campanhas estão falando todos em poupar ao máximo. Celeste Fonseca, mandatária de JCF na ilha, não foge à regra. Ela afirma que o seu candidato, aqui, não vai gastar mais do que o necessário. “A situação de pobreza dos cabo-verdianos não permite um esbanjar na campanha eleitoral.” Sendo assim está agendada a realização de dez comícios sendo dois com a presença de JCF e muitos contactos porta a porta em toda a ilha. O comício de encerramento decorrerá na Rua de Lisboa no dia 4 Agosto. 


Publicada (também) no Jornal A NAÇÃO Nº 204 de 28/07


 

1 comentários:

Criula di terra disse...

quem sabe agora deixam de mandar ma lingua para os badius, ja que os candidatos as presidenciais sao todos do norte. Ja vi que desta vez o 'tudu kuza eh badiu' nao pega mais.

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