23 de novembro de 2010

Caboverdeanos sobrevivem com dez dólares por mês em São Tomé, afirma o Cônsul

Depois da apresentação, em São Vicente, do filme São Tomé os Últimos Contratados, do realizador Leão Lopes, o Cônsul de São Tomé e Príncipe, José Silva, respondeu a perguntas da plateia, sobre as condições de vida dos caboverdeanos que vivem em de São Tomé e Príncipe:

"Estamos com farrapos humanos em São Tomé e Príncipe"
É preciso encontrar uma plataforma de entendimento entre os Governos de Portugal, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde, porque temos lá pessoa que já não são gente. São farrapos humanos, desculpem-me a expressão, mas estamos com farrapos humanos, em São Tomé e Príncipe.

"Ninguém sabe ao certo quantos caboverdeanos estão em S. Tomé"
Há pessoas que estão no meio do mato, sem electricidade, sem água e sem nada. Ninguém
José da Silva - Cônsul em São Tomé e Príncipe
sabe ao certo quantos caboverdeanos estão em S. Tomé. Segundo as minhas estimativas, já visitamos praticamente todas as roças e outras pequenas comunidades, temos cerca de 70 mil caboverdeanos, incluindo filhos e netos, porque segundo a lei de Cabo Verde, filhos e netos são considerados caboverdeanos, caso desejam assumir a nacionalidade. Dos que são naturais de Cabo Verde e que foram para lá devemos ter cerca de 3 mil pessoas vivas.

Caboverdeanos queixam-se de discriminação e não conseguem trabalho
Não se pode falar muito de trabalho dos caboverdeanos na cidade ou no emprego público. Quase que não há mão-de-obra qualificada. Muitos queixam-se de descriminação. Poucos caboverdeanos estão no serviço público precisamente porque não tem uma educação formal e escolaridade que lhes permitem competir no mercado de trabalho. É muito difícil encontrar trabalho em S. Tomé. Metade das vendedeiras no mercado de S. Tomé são caboverdeanas. Grande parte da comida que se come em S. Tomé vem dos braços dos caboverdeanos.

Caboverdeanos sobrevivem com dez dólares por mês
ex-Contratada em São Tomé
Existem 855 pessoas em S. Tomé beneficiados do apoio que o Governo de Cabo Verde está atribuindo. O número de caboverdeanos que se encontram em condições merecedora desse apoio é muito mais elevado. Eu diria 3000 mil ou 10 mil mesmo, mas só que o montante que é enviado não dá para abranger a todos. Por isso é que temos elementos que consideramos na atribuição desse apoio. Numa família, somente um dos cônjuges pode receber esse apoio para que uma outra pessoa, numa outra família possa receber também. O valor é de dez dólares por mês. Dez dólares é de facto um valor baixo. Parece-nos quase que uma miséria mas em São Tomé e Príncipe é um sustento, salva vidas. Há muita gente que sobrevive neste momento graças ao apoio que recebe do Governo de Cabo Verde. Temos caboverdeanos que lá estão há 50 anos e não recebem nem uma reforma ou uma pensão de velhice.

Apostar no apadrinhamento e formação
Nós temos filhos de caboverdeanos em Universidades e Instituto Pedagógicos. Precisamos apostar em iniciativas estruturais, como formação e educação porque parece-me que é isso que irá dar sustentabilidade e permitirá ao caboverdeanos ter mobilidade na sociedade de S. Tomé, porque senão eles não sairão desse ciclo de pobreza e doença.Deve-se fazer, localmente, pequenas comissões ou associações para que haja transparência e responsabilização, de origem até ao destino. Nos Estados Unidos temos várias associações que apadrinham caboverdeanos em S. Tomé. Temos aqui em Cabo Verde estudantes a estudar em Universidades com apadrinhamento das nossas comunidades em vários países. Caboverdeanos, sociedade civil, tanto em Cabo Verde como na diáspora estão ajudando


Publicada (também) no Jornal Nha Terra Online

4 comentários:

NANDO VAZ disse...

esperança,e coragem
Como filho de caboverdiano nascido em stp,elogio e congratulo com esta entrevista profundamente verdadeira do senhor consul, questão é que as autoridades santomense estão tão cego que ja esqueceram de sector de produção,nos estamos a falar de um arquipelago que desde era colonial a agricultura foi e é fonte de rendimento, da sociedade, está a ser esquecida logo não a produção, e deve haver carencia de dinheiro, e outros bens da primeira necessidade,é bom que os governantes de stp conscesializam que motor de desenvolvimento são as antigas roças onde existe milhares de hekitares da plantação de cacau,cafe,coconete abandonadas, sem isso já mais vamos sair do abismo, como estudante de filho caboverdiano, e candidato a a.f.c.n.s.t.p, caso eu vier ganha a presidencia vamos dar o nosso contributo para bem estar das nossas comunidades em stp. domingos baessa vaz

Edson Moniz ( telm: 9799159) disse...

é necessário que se divulgue este drama.
Sou Edson Moniz, estudante oriundo de são Tomé em cabo-verde, descendente de mãe caboverdiana em São tomé, mais concretamente na roça Diogo Váz aonde reside muitos caboverdianos, sou testemunha ocular e vivencial da situação dramática e condições de vida muitas das vezes desumanas em que muitos dos caboverdianos e seus filhos vivem, sobretudo nas antigas roças de São Tomé e Principe. é preciso que se atribua responsabilidades e faça uma intervenção de fundo o mais rapidamente possivel.
Neste momento me encontro na republica de cabo verde a prossseguir os meus estudos universitáios com a bolsa do governo caboverdiano por intermédio do consulado em São tomé. pra mim é um motivo de orgulho estar a estudar em cabo verde, e acredito que a aposta na formação dos filhos e netos desses caboverdianos é uma prioridade essencial para invertermos esta situação.

Admilson Pereira Cabral disse...

é hora fidju terra.
é hora di nu djuda kem precisa, mas 1º nu tem k começa di dentu, forma 1base forte,pmd caminho é longe, mi n sta prepara pa bai s.tomé e Principe 1dia bai djuda nha povo tem midjor qualidade de bida, é necessario mas pessoas qualificado na kel caminho li (desenvolvimento sustentavel)...nhos podi contactam...jha bless pa nos td

Fernando Centeio disse...

Os colonialistas cometeram um crime idêntico em S. Tomé contra os Angolanos que foram obrigados a regressar a Angola e deixar os seus filhos em nas roças de S: Tomé e Príncipe;os chamados tonggas.
O Governador Português Chamado Gorgulho no ano de 1953 cometeu muitos crimes em S, Tomé ;na altura muitos não sabem , o meu pai sr. Edmundo Centeio ,na altura empresário em S.Tomé salvou muitos Santo-messes a morte , mentido que eram seus empregados,a fim de os salvar.
Após a independência de S.Tomé o episódio volta a repetir , desta vez os condenados são cidadãos cabo-verdiano nas roças de cacau em S.Tomè e Príncipe.Os cabo-verdianos estão transformados em farapos humanos e prisioneiros do tempo!
Faço um apelo:Não vamos admitir que isto aconteça; deichar estes seres humanos morrerem prematuramente.
O musico cabo-verdiano sr Bana ,quando foi a S. Tomé nos anos 70 disse: os cabo-verdianos em S.Tomé , estão como pinto dentro de casca de ovo.
Portanto digo CHEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEGA.
Cidadãos cabo-verdianos estamos juntos nesta luta pelo direito humano.
Termino desejando uma rápida liberdade .
Um abraço.

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